Bem-vindo

Amor urgente e necessário chega de graça,
e entusiasma a alma.

segunda-feira, 24 de março de 2008


Preconceito e intolerância


Gays espancados na UFRJ e na UFMA. Casal de homossexuais feminino agredido pelo segurança na USP. Professor negro barrado ao entrar num evento em um clube de elite em BH. Prostitutas e empregadas domésticas espancadas por jovens da Barra da Tijuca no Rio. Índio queimado por jovens de classe média alta de Brasília. Casos relatados pela mídia que envolvem racismo, intolerância, homofobia e revelam uma sociedade que se sente no direito de agredir o outro, o diferente. Neonazistas?

De onde parte tanto ódio, tanta falta de respeito pelo negro, pobre ou homossexual? O preconceito é uma ideologia, uma visão de mundo que vamos adquirindo desde pequenos. Ninguém nasce preconceituoso. Uma criança educada dentro de valores éticos, cristãos, onde todos são iguais perante Deus e a lei (pelo menos é assim que nos reza a Bíblia), tende a crescer não se julgando melhor e no direito de ser violento com aquele que o desagrada.

Ao debatermos a gênese do racismo e do preconceito no Brasil, é bom lembrarmos que somos filhos da colonização, crescemos meio a escravos sendo mal tratados, espancados. Exibir quantos escravos possuía, era sinal de riqueza. O luxo e o supérfluo seguidos de ostentação, certo perfume de classe, integravam o cotidiano do homem moderno. Ser importante era exibir uma posição, gozar de privilégios, sustentar uma superioridade econômica, social ou étnica, tal como hoje.

O maior índice de jovens que demonstraram intolerância e preconceito contra os homossexuais foram detectados entre os alunos do curso de direito da UFRJ (Revista Megazine - O Globo - 19/02/08). Em pleno século 21, muitas famílias criam os filhos cultuando a crença na eugenia - supremacia de um povo sobre o outro. É lamentável constatar que a humanidade, e neste particular o brasileiro, recua alguns passos atrás ao jogar na sociedade jovens preconceituosos, racistas ou homófobos - futuros advogados e juízes preconceituosos.

É importante mudarmos a postura diante dos filhos, abrindo espaços, rompendo fronteiras, preconceitos e discriminações. Erradicar feridas que mancharam a história de muitas nações. Conversar com eles sobre racismo, homofobia, neonazismo. Compreender que um artista pode ser tão honroso quanto um engenheiro ou médico. Há pais que não toleram que o filho demonstre interesse por atividades que não estejam inscritas no mundo masculino como futebol, judô, basquete. Em muitos lares, em plena era tecnológica, quando a informação corre mundo, muitos pais se julgam no direito de interferirem na subjetividade do filho, impondo escolhas, interesses e desejos.

Um jovem pode perfeitamente ser feliz sendo homossexual ou exercendo atividades que ainda pertencem ao imaginário feminino, como bailarino, cozinheiro – aliás, profissão que está na moda e valorizadíssima. Importa que ele seja feliz, profissional ético e escrupuloso. Contudo, é sempre bom lembrar que “o moralista condena para se absolver”.

Cabe não somente à família mas também às escolas trabalhar com a diversidade, incentivar a convivência com o diferente, criar atividades que envolvem um maior número de grupos de diversas etnias e classes sociais, desenvolvendo a tolerância e a convivência com o outro, o não igual. Afinal, ser diferente não significa ser doente.

Nenhum comentário: