<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807</id><updated>2012-01-16T11:24:59.497-02:00</updated><title type='text'>Amores Urgentes</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>67</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5312224328278955550</id><published>2012-01-12T00:41:00.020-02:00</published><updated>2012-01-16T11:24:59.503-02:00</updated><title type='text'>QUEM FAZ O AZAR?</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está meio desanimado da vida, achando-a monótona, deveria ir ao cinema e assistir a Um conto chinês. Aparentemente despretensioso, devagarzinho esse filme nos cutuca. De pronto, somos arrastados para a tela e, inesperadamente, a vida vai ganhando sentido. A trama se passa&lt;br /&gt;entre Roberto (Ricardo Darín), solitário e mal humorado comerciante argentino, e Juan (Ignacio Huang), chinês que não fala espanhol e está em Buenos Aires em busca de um tio, mas nunca o encontra. Roberto é surpreendido com Juan sendo expulso de um táxi e se solidariza com o rapaz perdido. Os dois habitantes do acaso tentam se entender sob o mesmo teto. Os gestos traduzem a aflição e o desassossego de ambos - vida que chega  e impõe seu lado extraordinário,  pouco ordinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Há um charme nas produções argentinas. Histórias consistentes, saborosas - garantia de boa escolha. Filmes que partem de fragmentos da vida cotidiana, lentes que exploram detalhes&lt;br /&gt;obscuros, sintomas velados – obsessões, fantasias não investigadas. Roberto tem seu lado obsessivo, cáustico, amargo. Não suporta ser passado para trás, ludibriado. Trauma de uma guerra maldita, absurda. Gostamos de ver nossos dramas retratados pela dramaturgia. O miúdo da vida, o sofrimento corriqueiro –solidão, pessimismo, desalento, azar. Somos o que sentimos. Para falar disso, os argentinos estão afinados,  acertaram  a sintonia  ao transformar  tragédia humana em arte. A emoção, quando estruturada em ficção, não tem erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O encontro entre Roberto e Juan aponta para o casuísmo, os acasos que, por apego excessivo ao arrazoado, geralmente dispensamos. Roberto, como todo bom individualista, resiste em abandonar o  conforto da  mesmice e  acolher a  visita indesejada.  Rotina empobrecida do comerciante  que vive o desalento de um cotidiano vazio: trabalho, casa e visita à mãe ao cemitério. Lastimando o desastroso destino, julga-se azarado, pois não consegue se desvencilhar do rapaz. A aparente tranquilidade, que mais era uma sucessão de dias mortíferos, aos poucos toma forma e ganha cores, vida. Quantas vezes, em nome de um conforto ilusório, sacralizamos o tédio do dia a dia? Aventura humana é desatar nós que nos emperram e que dificilmente conseguimos sem ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O novo é desafio - mexe, mistura, movimenta e desestabiliza. Intervir no estabelecido pode ser um ganho. O diferente chega trazendo cultura e sensações inusitadas. É oportunidade de&lt;br /&gt;descobrir outros cantos da vida, de questionar as prisões que nos habitam. Roberto fingia que estava confortável com seu passado. Numa cristaleira, entre retratos e bibelôs, reverenciava a imagem petrificada da mãe. No santuário, conservava, cristalizados, os sentimentos de família - lembranças que cochilavam no coração. Juan, num ato desastrado, derruba tudo. Espatifando, de&lt;br /&gt;uma só vez, a permanência imutável da mãe. Quebrar, interromper um sentimento e permitir que um novo se instale. Roberto recolhe os cacos e, num gesto de sabedoria, entende a metáfora – liberta-se da memória paralisante. Geralmente, nos momentos difíceis, quando somos surpreendidos por um fato trágico, nos julgamos azarados. Com o tempo, o que era azar vira sorte. Refazemos e  libertamos dos entulhos, lixos interiores. A faxina exige coragem, despoja-mento e humildade.  Ao abandonar o lugar da vítima - o desafortunado que teve que abrigar um oriental que sequer fala a sua língua, Roberto inicia trajetória de descobertas. Cultura chinesa,  surpresas, emoção. O mundo e sua vitalidade e diferenças, há dias, dividiam com ele o mesmo teto. Diante de Juan, começa a desconfiar do sentido de viver. Entre eles, travando amizade e afeto, a vaca redentora –que mata e que une. Tudo começa e termina com ela, metá-fora do azar e da sorte. A mesma vaca que lança Juan na solidão propicia os encontros – tanto com Juan, como com a mulher que o assediava com promessas de dias felizes. Vida, o que fazer senão com ela deslizar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Muitas vezes, lamentamos a solidão sem nos responsabilizar por ela. Não compartilhamos pedaços da vida, e não é porque não há ninguém que queira nos acompanhar. Pelo contrário, estamos sós  por não abrirmos espaço para que o outro entre e se expanda. Culpamos a falta de sorte, o mau destino. Responsabilizar o acaso é mais fácil. Sem nos implicar, não nos damos trabalho e, ainda, ganhamos o lugar da vítima. Viver é bem mais que rezar para que “tudo de bom nos aconteça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto acaba, a duras penas, se implicando no encontro com Juan. Quando isso acontece, tudo ameniza - angústias, impaciência e falta de sentido pela vida. Se anima e resolve procurar a moça que lhe declarava amor. Assim somos  todos, só temos olhos quando despertamos por dentro. Sem esse apito, fingimos que vemos as pessoas à nossa volta. Mentira. Apenas enxergamos quando somos cutucados com os olhos do coração.  Olho de dentro  é que comanda.  Enquanto isso não acontece, o outro é apenas enfeite, um guia para não virarmos o pé – pois, quase sempre, pisamos em falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O filme se inicia com uma notícia esdrúxula, descabida. Como a vida real: desatinada, injusta e desleal. Ansiamos por lealdade, companheirismo, amparo. Somos obsessivos por um Deus, alguma divindade  que nos  garanta a felicidade que  julgamos merecer.  Esquecemos que&lt;br /&gt;viver é topar a parada, lançar-se no jogo. Um jogo obscuro, que não estabelece regras. É pegar ou largar. Ou Roberto topava a parada, ou desistia. Mas algo o impediu de desistir. Assim é conosco, muitas vezes seguimos em frente com o jogo, sem saber por quê. Mesmo desejando interrompê-lo, algo nos impele. É exatamente nessa força  que reside o charme da vida. Encarar o inusitado, o acaso, ser salvo por experiências diferentes. Se acovardamos, cristalizamos emoções desgastadas.&lt;br /&gt;            O apaziguamento chega para Roberto no momento em que abandona o registro do lamento e se envolve - decide ouvir Juan e vencer a barreira da língua. Dialoga com as circunstâncias que a vida coloca. Ao se despir do apego individualista, Roberto abre uma avenida. Antes vivia no beco, sem saída. Quem se implica não reclama e se coloca dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicar, justificar, tentar nos convencer de que agimos certo, fizemos o melhor. Assim operamos, quando não queremos nos haver com as questões que nos afligem. O filme nos aponta para os pequenos detalhes da vida. É quando cada qual, aproveitando os ingredientes que ela nos oferece, cria seu conto, escreve o próprio enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O mundo moderno, tecnológico, não gosta de se ocupar com o outro. Circulamos alheios, não nos implicamos no cotidiano que desaba à nossa volta. O filho vai mal na escola? Culpamos os professores ou a criança – dificilmente questionamos como conduzimos a sua educação. Se somos vítima de alguma violência, raramente nos interessamos em investigar o que motivou o indivíduo a agir assim. Preferimos julgar, condenar e impingir a sentença de morte. Contudo, se vivemos em sociedade, devemos interrogar qual é a parte que nos cabe neste “latifúndio”. Somos todos severinos da mesma seca, do mesmo sertão - habitamos o mesmo deserto. Estamos&lt;br /&gt;condenados às mazelas da condição humana. Somos incompletos, precários. O dente dói na boca, tanto do rico ou do pobre. A chuva derruba barracos e mansões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quem faz o azar? Geralmente, sempre que algo ruim ocorre, saímos em busca de um culpado. Gostamos de transferir responsabilidades. Isso consola e alivia, mas dificulta, retarda o curso da questão, pois nunca somos protagonistas de nosso próprio azar. Como iniciar o&lt;br /&gt;processo de superação? Se estamos estressados, deprimidos, é o trabalho que está massacrante, ou o marido que deixou de ser carinhoso. Certamente, sem mudarmos de posição, sem abandonarmos o lugar da vítima, o azar prosseguirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é sutil - reserva de mata virgem que merece ser explorada com a alma plena de entusi-asmo. É para ser amada em demasia, a ponto de desejar mais que ter sorte e sermos felizes. Como acolher uma existência, uma trajetória que não nos poupa esforços? A arquitetura da vida como obra de arte bate nas entranhas, aninha-se, mexe e remexe. Exige, briga e reivindica. Vida que se reinventa não se acovarda, encara as paradas. Deparar com situações difíceis e problemá-ticas faz parte da caminhada. Julgarmo-nos azarados. Lamentar e se sentir derrotados já é uma questão de escolha. Sorte ou azar, quem os faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1;" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6622628954509418807#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Artigo&lt;br /&gt;publicado no caderno Pensar do E.M. em 3/12/2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5312224328278955550?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5312224328278955550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5312224328278955550&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5312224328278955550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5312224328278955550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2012/01/quem-faz-o-azar.html' title='QUEM FAZ O AZAR?'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-7930210452561290838</id><published>2011-08-04T14:44:00.000-03:00</published><updated>2011-08-04T14:45:10.133-03:00</updated><title type='text'>CIVILIDADE E FELICIDADE</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Inez Lemos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;O dever de felicidade marca a nossa era e pauta o sentido de viver. Freud, em &lt;i&gt;O mal-estar na civilização&lt;/i&gt;, nos lembra que a felicidade é sempre uma aspiração, um desejo negociado entre os limites impostos pela cultura. Significa que, para viver bem, devemos aprender a renunciar às pulsões - domar os impulsos que insistem em nos comandar. Talvez aqui resida uma das questões chave para se atingir, senão a felicidade, pelo menos uma vida&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;sintonizada com sonhos e convicções. Contudo, o que presenciamos, muitas vezes, é a desarmonia, desencontro entre o que gostaríamos de viver e o que vivemos. Lembramos que o compromisso do projeto civilizatório é com o progresso, não com a felicidade dos homens. Não faz parte do plano se ocupar com os aspectos subjetivos da humanidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;Com a passagem do sistema capitalista de produção centrado no trabalho para o sistema de produção centrado no consumo, é estratégico vender o ideal de felicidade como dever e obrigação. Logo, os mentores deste modelo de civilização perceberam que o caminho para o Éden deveria tornar-se livre. Permitir e não coibir, eis a receita da promoção do gozo eterno.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Assim, caso fraquejemos em nosso propósito de felicidade, toda a responsabilidade recai sobre nós. O furo está justamente na crença de que o caminho a percorrer é o estabelecido e propagado. Não é de bom tom expor infortúnios, assumir os fracassos. Demonstrar alegria se tornou sinônimo de polidez. A herança do maio de 1968 culmina com a liberação para viver o desejo sem restrições. Na esteira do “proibido é proibir”, acabamos sob a tutela dos exploradores da libido - trocamos qualquer possibilidade de sofrimento pela tirania da felicidade. Esquecemos que o sofrimento salva a existência, como disse Simone Weil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;Aos insatisfeitos à determinação maldita de felicidade, à sobrevida vegetativa a que estamos condenados, cabe desafiar a crença de que só há felicidade possível se seguirmos a humanidade consumista e moribunda. Como sair do que Henry Miller, num rompante agressivo contra a América, chamou de “o pesadelo refrigerado”? Ao nos submetermos à razão mercantil e corrosiva que destrói o sentido da vida, quando as coisas importantes não mais nos interessam e o que nos interessa são as coisas desimportantes, nos tornamos servos embriagados de falsa sedução. Escravos dos mestres que nos querem assujeitados e fragilizados. Como testemunhou Raoul Vaneigem, um dos críticos de 1968: “Não queremos saber de um mundo onde a garantia de não morrer de fome deve ser trocada pela certeza de morrer de tédio”.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;E agora, moçada, como resistir ao triunfo do consumismo se sabemos que ostentar objetos de consumo não é sinônimo de civilidade? Dirigimos carros importados e jogamos lixo na rua. Estacionamos em fila dupla - convictos de que esse é um direito, lançamos o olhar cínico da arrogância. Estimulamos a esperteza, adoramos nos sentir privilegiados e&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;tratados com deferência - detestamos a igualdade. Como conciliar grana com elegância, ética com poder? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;O antropólogo Roberto DaMatta, em &lt;i&gt;Fé em Deus e pé na tábua&lt;/i&gt;, ao analisar o comportamento competitivo do cidadão brasileiro, relaciona-o com as estruturas hierárquicas e concepções imobilistas - viés racista e aristocrático: “O cão do senador tem mais direitos do que o do cidadão anônimo. Saber de quem é o relógio Rolex faz com que os policiais trabalhem com mais afinco e eventualmente o devolvam ao seu dono”, escreve ele. Não gostamos de obedecer às leis - a obediência nos coloca na posição de igualdade, enquanto a transgressão traz o gosto da superioridade, lugar diferenciado. Obediência à lei exprime subordinação social e revela confusão entre obedecer às pessoas e à lei. Geralmente, o cidadão de classe social elevada se sente humilhado quando coagido a se portar igual aos demais. Muitos se revoltam e agem com brutalidade. O uso da violência é visto como direito de muitos bacanões que dirigem alcoolizados e armados. O exercício da brutalidade nos remete ao passado escravista, que associava as posições de poder com o direito à agressão ao inferior. Para quem dirige um Porsche, pedestre não passa de zé ninguém. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Arrogância cínica é necessidade de se sentir superior e deflaga a superficial igualdade republicana - forte matriz aristocrática e hierárquica. “O carro é uma prova de que as pessoas existem concretamente no mundo como proprietários de personalidades que, além de terem emoções e sentimentos abstratos, se afirmam material e indiscutivelmente nos objetos e por meio das coisas que possuem” (Da Matta). A democratização do consumo tem despertado ira entre as classes historicamente abastadas. Muitos se indignam com a ascensão social da classe C, que hoje circula motorizada, frequenta aeroportos, bons supermercados e universidades. Invade espaços anteriormente reservados aos bens nascidos. Se desigualdade social é incompatível com desenvolvimento, não deveríamos aplaudir tal acontecimento? Uma família com maior poder aquisitivo tem mais chances de educar melhor os filhos, desde que esta seja a prioridade: inserir a criança na civilização e nos bens culturais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;O Brasil nunca foi um país de leitores, o mercado editorial jamais configurou entre os mais rentáveis. Atualmente, seu crescimento realiza-se principalmente no gênero autoajuda. Cada vez mais, os letrados escasseiam. Lamentamos o crescimento econômico desvinculado do avanço cultural e educacional. Bombamos no bolso, mas não na cabeça. Contudo, o afã pelo consumo se tornou característica nacional e mundial. Os jornais noticiam: seja &lt;st1:personname productid="em Nova York" st="on"&gt;em Nova York&lt;/st1:personname&gt; ou em Paris, consumidores, debaixo de chuva, fazem fila diante da loja da Apple para comprar o iPad &lt;st1:metricconverter productid="2, a" st="on"&gt;2, a&lt;/st1:metricconverter&gt; nova versão do tablet.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Será que, quanto mais sofisticamos por fora, mais regredimos por dentro? É claro que essa não é uma equação direta e determinante. Mas, ao se tratar de cultura de massa, quando o jovem (de periferia ou de Zona Sul) direciona a maior parte do salário para o consumo de bens supérfluos – gastos com telefonia celular, roupas, produtos de beleza -, ele registra nas escolhas sua posição. Muitos julgam absurdo gastar com livros e cursos, mas não se indignam em torrar dinheiro com grifes.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;Ao vincularmos violência, empobrecimento intelectual e aumento de consumo, atribuímos à educação valor existencial e transcendental. Educar é estimular o interesse por maior densidade interior. A convivência excessiva com a matéria atravanca o mergulho nas entranhas - viagem pelos caminhos da interioridade. Outrora, a aquisição de um objeto era orientada mais pela necessidade. Os objetos apresentavam valor de uso. Hoje, são símbolos de poder e ostentação - ir às compras tornou-se sinônimo de inteligência e entretenimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Sonhar com um objeto de consumo era tarefa árdua - que estratégia se deveria usar no convencimento dos pais? Mas se tornou comum os pais se renderem na primeira manifestação de desejo do filho por quinquilharias. Ao realizar o sonho rápidamente, a criança encerra o desejo e interrompe a viagem articulada à fantasia. O raciocínio perde o fio condutor, o elo entre desejo, pensamento e emoção. Quanto mais facilitarmos a vida das crianças, fazendo por elas e impedindo-as do contato com o experimentar, menos elas entram em contato com a emoção, a inteligência e a criatividade. A erotização no saber se realiza quando o conhecimento nos chega vinculado a passagens subjetivas. Quando diz do sujeito e sua relação com o mundo. Sem eros não há grandes pensadores. &lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;Em &lt;i&gt;Escritores criativos e devaneio&lt;/i&gt;, Freud aprofunda a discussão sobre a sublimação. Que destino daremos à renúncia pulsional? Como manter a posição desejante, uma vez que a civilização nos obriga a abrir mão de algumas satisfações?&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;A arte é uma boa escolha na sustentação da pulsão, o que nos mantém vivos e estimulados. Contudo, podemos dar outros destinos à pulsão, traçar outros vínculos para os filhos, uma vez que a fonte do impulso criativo reside em alguma fantasia inconsciente. Buscamos, ao longo da vida, formas simbólicas que representem o objeto perdido – as experiências de satisfação que nos marcaram. Para que a criança entre em contato com a fantasia, ela requer um ambiente que propicie visitar alamedas subterrâneas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height: 150%"&gt;“A relação entre a fantasia e o tempo é, em geral, muito importante. (...) O trabalho mental vincula-se a uma impressão atual, a alguma ocasião motivadora no presente que foi capaz de despertar um dos desejos principais do sujeito”. Aqui, Freud nos ensina: na fantasia, o sonhador tenta reconquistar o que possuiu em sua infância feliz. A sublimação ajuda a suportar a dor e o vazio existencial. No devaneio, abandonamos a vida cáustica e ganhamos gratificação na superação da incompletude. Tratar o caos interno com coisas belas é enlaçar, de forma erótica, o objeto de desejo - conferir alegria no fazer e no saber.&lt;span&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/Adm/Meus%20documentos/Downloads/PENSAR%2045%20CIVILIDADE%20E%20FELICIDADE.doc#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:AR-SA; mso-bidi-language:AR-SA"&gt;[&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;Artigo publicado em 16/07/2011 no caderno Pensar do EM. &lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-7930210452561290838?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/7930210452561290838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=7930210452561290838&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7930210452561290838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7930210452561290838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2011/08/civilidade-e-felicidade.html' title='CIVILIDADE E FELICIDADE'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5639506284224901190</id><published>2011-05-18T22:36:00.001-03:00</published><updated>2011-05-18T22:39:58.077-03:00</updated><title type='text'>NÁUFRAGOS DO AFETO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor? No documentário de João Jardim, mulheres e homens revelam passagens de relacionamentos afetivos que envolvem violência. O título aparece em interrogação. Devemos investigar por que, cada dia mais, o amor tornou-se personagem de histórias de violência, crimes e tragédias. Muitas são as formas de expressar sentimentos. Somos uma multidão que briga pela felicidade dentro de nós. Ninguém está exigindo uniformidade no amor. Contudo, o que questionamos é a hegemonia da violência que nos atinge. Por que estamos nos tornando uma sociedade que cultua a violência, a competição e não o afeto e a lealdade? Que leitura devemos fazer da parceria entre amor e violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor sex shopping, amor fast-food, amor científico, amor químico. Muitas são as estratégias sociais utilizadas para manter o indivíduo sobre controle, quando ele, longe dos verdadeiros sentimentos, fantasias e emoções, se transforma em um pote vazio, disponível para o mercado. Hoje, para ser um bom amante, ele deve se empanturrar de viagra, bebidas e filmes pornôs. A garota deve carregar na bolsa os suportes adquiridos no sex shop. Nada pode faltar quando os parceiros decidem a transa como se decide uma entrevista de emprego, pressionados pela obrigação de gozar. O tesão não é energia sexual que brota de cronogramas, é libido que gosta de liberdade e surpresas. É sangue que jorra do coração aos órgãos sexuais - alegria que flui e garante a aventura do encontro. Talvez o que esteja brochando a moçada, a ponto de recorrerem aos aditivos narcísicos como drogas, álcool e medicamentos, é justamente a cobrança por performance - todos de olho no desempenho, na potência sexual. Esquecemos que gente é diferente de máquina. Somos movidos a pulsões, energia ligada e comandada pelo inconsciente - marcas e imagens que se fixaram desde que nascemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sexualidade sofre com o excesso de planejamento. Tudo deve ser passivo de avaliação, codificação, padronização. Todo sentimento, todo tesão é enquadrado, explicado. Não há mais espaço para o espontâneo, como era o amor nos versos do poeta. O amor de agora não bate na aorta, não constipa, tampouco vira o mundo de cabeça para baixo. Há uma determinação rígida sobre a vida sexual, sobre o uso do corpo. Muitos homens reclamam do excesso que brocha: “Estou cansado, exaurido, tenho que beber todas, comer todas as mulheres que estiverem dando moleza, todos os corpos que se oferecem”, desabafa F, ao se ver no tédio contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explicar a falta de emoção, o desinteresse de muitos jovens em construir uma relação afetiva duradoura? Diante das promessas de felicidade apregoadas pela mídia, qualquer ser normal se sente brocha e incompetente na condução do desejo sexual. O que fazer com o desejo de amar, de afetar e ser afetado pelo outro? O amor precisa de tempo para se enroscar em afagos, bem diferente do amor performático, quando o que conta é “saber se mandou bem”. O que fazer quando somos pífios na cama e fora dela, não conquistamos salários para carrões e noitadas regadas a vinhos? Não temos o flat que as mulheres sonham, não garantimos orgasmos múltiplos e desconfiamos que não construiremos a casa de campo no condomínio da moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tanta insatisfação e frustração, o jovem que antes vivia tranqüilo e feliz começa a se inquietar e agir de forma agressiva, arrogante e intolerante. Muitos confessam que viver tornou-se um peso - o rol de obrigações e exigências aumenta a cada dia. Temos que portar iPad e outras quinquilharias tecnológicas de última geração, a despeito de sermos tachados de arcaicos ou fora de catálogo. O jovem que não se inclui nos rigores da tecnocultura, acaba, muitas vezes, apresentando sintomas que revelam vergonha e humilhação. Discriminação e desigualdade incentiva revolta. Quando não acompanham as determinações de consumo, geralmente agem movidos pelo mal-estar. Frustrados e incomodados por ser verem limitados e sem acesso aos últimos lançamentos, usam de violência. De forma bruta e insana, muitos tentam adquirir de forma descabida ou criminosa. Será que a sociedade que apregoa que “só há vida possível afinada e conectada aos ditames do mercado”, não propicia revolta e, consequentemente, criminalidade?&lt;br /&gt;Como desvendar a sutil conexão entre consumo e criminalidade? O jovem, ao crescer cultuando mais máquinas que gente, mais aparelhos que corpos, ouvindo mais a mídia que os pais, acaba por se distanciar da capacidade de amar, trocar e se envolver? Será que estamos educando-os para o amor? Muitos estão aprendendo a amar na virtualidade. Não vejo os pais preocupados com a felicidade amorosa dos filhos, como os vejo preocupados com o futuro financeiro destes. Geralmente, eles ficam com aparelhos ligados emitindo pontos de vista e informações - saber pautado por interesses externos. Grande parte das famílias delega a educação dos filhos a terceiros - elas próprias são seguidoras fiéis dos modismos defendidos pelo mercado. Sabemos que os meios de comunicação de massa transmitem informação. Informar é diferente que formar - estimular a busca pelo saber. O compromisso deles é com a notícia que vende, não com a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais estimulamos a aquisição por objetos de consumo, mais corremos o risco de educar os filhos alheios aos conceitos de civilidade e respeito ao espaço público. Cresce, a cada minuto, a intolerância por qualquer situação que restringe ou se oponha à trajetória do prazer. Tornou-se comum, ao mínimo olhar de reprovação, agredirmos o outro. Poucos suportam serem contestados, criticados. Se, desde pequenos, não somos interditados nos excessos, frustrados nos caprichos, como conviver com os não que a vida nos impõe? Como descobrir que o mundo não gira em nossa volta, e que felicidade é construir laços sociais e afetivos sólidos? Se a violência surge como resposta à contrariedade, a algo que não se sucedeu tal como gostaríamos, concluímos que, ao em vez de educarmos para o amor, educamos para a agressão. Somos seres pulsionais e obedecemos aos seus comandos. Contudo, se desde criança não formos coibidos e limitados nos impulsos, crescemos agindo como animais. Fera solta e livre para sanar as feridas como melhor julgar. Na medida em que cresce a frustração, cresce a criminalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo que fracassa, algo que não se cumpre. O ato da compra opera no indivíduo satisfação transitória - quanto mais consumimos, mais escancaramos a cratera interna. Fenda difícil de enganar. Como repensar o modelo de felicidade e questionar a crença maldita de que, quanto maior a riqueza material, maior as chances de uma vida feliz? Em A arte da vida, Zygmunt Bauman nos alerta: “Na pista que leva à felicidade, não existe linha de chegada. Os pretensos meios se transformam em fins: o único consolo disponível em relação ao caráter esquivo do sonhado e ambicionado “estado de felicidade” é permanecer no curso; enquanto se está na corrida, sem cair exausto nem receber cartão vermelho, a esperança de uma vitória futura se mantém viva”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos nos especializando em oferecer às crianças o que elas não querem e tampouco, precisam. Assim, as viciamos em esperar a recompensa nos objetos e não nas relações afetivas e vivências amorosas. Às mercadorias, cabe garantir satisfação aos filhos. E aos pais, diminuir a culpa por não lhes oferecer bens “que não se pode comprar”. Aos arautos da vida moderna, arquitetada no consumismo, interessa incrementar, cada vez mais, a indústria da infelicidade. Ela, ao gerar insatisfação, gera rentabilidade - faz a roda do comércio girar. Vende-se de tudo para aplacar a tristeza de se saber frágil diante de exigências e determinações. Frustrados e humilhados diante dos que desfilam fantasiados de bem sucedidos, muitos jovens se consolam nas drogas - estratégia ao amenizar e anestesiar a dor do fracasso. Poucos percebem que o fracasso é, muitas vezes, social e não individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor ou descaso? Não estaríamos presenciando uma política de descaso aos bons sentimentos? A quem interessa disseminar a descrença no amor - a crença no dinheiro como responsável pela alegria de viver? Não estaríamos traindo os filhos ao induzi-los a acreditar em mais esse engodo? É comum ouvirmos crianças reivindicando a presença dos pais e, quando estes se justificam dizendo que não podem atendê-las e que precisam trabalhar o dia todo para supri-las de objetos, elas respondem: “eu não quero nada, eu só quero você”. De onde se conclui que somos todos náufragos do mesmo barco. Compensamos e redimimos a culpa nos substitutos compráveis. Quanto mais caros, mais nos garantem alívio. Conseguimos empenhar o nosso dinheiro numa ilusão, como se fosse possível oferecer objetos no lugar de bens que só podem ser realizados pessoalmente, só vingam mediante trocas humanas, regadas a emoções e intimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 7/05/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5639506284224901190?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5639506284224901190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5639506284224901190&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5639506284224901190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5639506284224901190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2011/05/naufragos-do-afeto.html' title='NÁUFRAGOS DO AFETO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3836958950283725500</id><published>2011-04-18T19:43:00.003-03:00</published><updated>2011-05-18T22:39:26.158-03:00</updated><title type='text'>CRÔNICA DO DESESPERO ANUNCIADO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bullying, fanatismo, misoginia, psicose. Como debater a tragédia de Realengo em meio aos significantes usados para explicar o que motivou Wellington de Oliveira a invadir uma escola, matar 12 crianças e se suicidar? Um psicótico desarmado não representa tanto perigo. O perigo se dá quando um indivíduo revoltado e angustiado sai pela rua armado tentando sanar a dor – ferida narcísica que sangra e faz sofrer. Ao tecer nosso fel moralista e de horror diante de barbáries, devemos questionar se essa não é outra tragédia anunciada. A sociedade brasileira votou em plebiscito contra o desarmamento. A maioria escolheu o direito de comprar armas para se defender. Infelizmente, Wellington usou a mesma estratégia para vingar dos que representavam, em seu delírio, o mau – escola, colegas. O psicótico delira com o imaginário social em que está inserido, ele não fabrica devaneios do nada. Episódios assim expõem os valores em que os jovens são educados. Onde estão se espelhando? Quem são seus mestres? A maioria segue, madrugada adentro, os gurus cibernéticos. A internet vetoriza, instrui e comanda obsessões e delírios. O psicótico opera em busca de algo que supre a referência paterna – religião, seitas, mestres. Wellington, ao demonstrar preferência pelos animais, reprova o ser humano. O que o levou a se identificar com os bichos? Ao sofrer bullying, sentiu-se um vira-lata? Ex-alunos da escola, colegas de Wellington, lembraram que a turma, principalmente as meninas, “zoavam” dele por ser feio e esquisito. E reforçaram: ninguém gostava do rapaz. Bullying, do inglês, ameaçar, oprimir, arreliar. A prática de agredir o outro, desrespeitando-o e fazendo chacota de seus pontos fracos, revela arrogância e violência. Traços da sociedade desigual que não suporta a convivência com o diferente. O indivíduo feio, velho, negro, pobre e homossexual será sempre merecedor de desdém do branco, loiro, rico e bonito. Contudo, não caberia perguntar como nós, adultos, estamos agindo diante das crianças? Como surge a idéia de “zoar” o outro? Sem perceber, acabamos alimentando tais comportamentos. A tragédia de Realengo também deve ser vista como exemplo da violência escolar, uma vez que o ódio foi gestado dentro da escola, quando colegas o flechavam no coração, com descaso e preconceito: “Sai daí seu feio, quando um queria sentar no lugar em que estivesse ocupando”, lembra um ex-colega. Wellington escolheu o alvo, buscou em cada rosto bonito a vingança adiada. Em cada tiro depositou a esperança da redenção, alívio do ressentimento guardado há anos. O psicótico armado representa perigo, assim como um coração magoado, ferido em sua mínima dignidade, pode se transformar em arsenal de revolta. Sabe-se que uma das garotas que mais molestava Wellington se sentia excluída entre as bonitas por ser gordinha. Agredir Wellington era uma forma de adesão ao grupo dos bem nascidos. Na verdade, “Narciso acha feio o que lhe é espelho”. A escola e a família espelham a sociedade e dividem o mesmo tecido social. Portanto, são agenciadoras de violência. Bullying é instrumento de desforra, demonstração de poder utilizado, muitas vezes, para destilar o fel acumulado em ambientes competitivos, sórdidos e desrespeitosos. A instituição escolar, com suas mazelas humanas, provocou em Wellington o desejo de acabar com seu inferno - fogo que dilacera almas desamparadas e solitárias. Do lugar de dejeto, Wellington delirou o momento de notoriedade - por bem ou por mal, vão me reconhecer e admitir minha existência. Há muito os jovens estão anestesiando a solidão na internet, instrumento de sobrevivência das sociedades de massa. A imprensa se mobiliza em busca de saídas - todos anseiam por receitas na tentativa de se evitar outras tragédias. Vítimas de abandono e bullying, alunos feridos em sua dignidade e molestados na alma merecem escuta cuidadosa. Como dar ouvidos às diferentes formas de clamor por carinho e atenção? Como evitar que o colega escancare ainda mais a dor do diferente? Não é hora de a instituição escolar abrir espaço em sua agenda e debater com a comunidade escolar em que sociedade gostariam viver? Ao incluir em seus conteúdos os sintomas que rondam a vida de seus alunos, a escola dá provas de que educa para a vida, de que seu compromisso é com a ética do bem viver. E não apenas com os resultados apregoados pelo mercado – garantia de futuro financeiro promissor. Podemos confundir prioridades ao dar relevância a ações que fogem ao papel de uma escola. Sabemos que, hoje, estudar é festa. A garotada, geralmente, vai munida de gadgets para exibir aos colegas, enquanto os pais desfilam carrões na porta e disputam, de forma arrogante, a fila dupla. Melhor não seria a escola debater o consumo e suas vicissitudes, investigando as implicações para um adolescente de valorizarmos tanto os objetos? Estaríamos gostando mais de coisas que de gente? Podemos ajudar a minimizar a violência entre os jovens, basta sermos mais atenciosos e delicados com o diferente, o outro, que, sutilmente, excluímos de nosso convívio. Poucos perdem tempo com rebotalhos, os olhos da maioria se voltam para os jovens, bonitos e saudáveis. Chega de hipocrisia. A violência diminuirá quando gentileza, respeito e tolerância ocuparem o lugar da arrogância e da maledicência. Quando tivermos olhos dignos para os gordos, velhos, feios e pobres. Basta priorizarmos mais as pessoas, promovendo-as a gente. A beleza da vida está na forma espontânea e natural com que crianças são educadas. Bartolomeu Campos Queirós, em Por parte de pai, lembra-nos da infância e da vida escolar no interior de Minas. Uma ode aos bons sentimentos, reverenciando a emoção que brotava da terra bruta, nos quintais e fogões a lenha. Do convívio com os avós, das relações de amizades e confiança. Bem diferente do convívio com disputas, competições e estratégias de poder. “Filhos de muitos ofícios – pedreiros, lavadeiras, professores, médicos, motoristas, órfãos – e sem inquietações pelas diferenças, nós nos gostávamos em silêncio, vencendo o destino sonhado, um a um. E o recreio era o lugar das trocas: bolo por araticum, maça por manga, goiabada por chocolate, banana por doce cristalizado. E assim experimentávamos o gosto da vida do outro, sem reservas. A nossa diferença era a nossa alegria”. Acredito que Bartolomeu, em seu belo livro, toca na ferida que, provavelmente, motivou o ex-aluno a voltar ao local do crime, uma vez que ele saiu da escola com a alma machucada, violentada, destroçada. Vivemos numa sociedade que ensina às crianças, desde cedo, não trocar, não perder. Nosso filho deve ser o melhor da classe, o mais bem vestido e preparado para ganhar o futuro. A infância, no espírito da colaboração (e não da competição) estimula o bem e o belo, como foi a de Bartolomeu. Desde menino, era provocado pelo avô, que cultuava palavras. E as conservava nas paredes de casa, tal como conservamos jóias. Conservar, guardar o que nos toca, emociona e diz ao coração. “Todo acontecimento da cidade, da casa, da casa do vizinho, meu avô escrevia nas paredes...As paredes eram o caderno do meu avô. Cada quarto, cada sala, cada cômodo, uma página”. Do reino das palavras nasce o escritor - alguém que rompe a solidão com pensamentos, transforma a vida simples em personagem de várias histórias. Somos movidos por aquilo que nos toca fundo. Bartolomeu foi cutucado pelo amor do avô, e com ele fez ouro. Na cultura do “bateu-levou” todos querem ganhar a parada, ninguém aceita perder. Se um indivíduo esbarra no carro ou olha para a namorada do outro, corre o risco de levar bala na testa. O clima de faroeste já se instalou. Não é de hoje que julgamos normal a violência – homofobia, eugenia, misoginia. Enquanto procurarmos fora de nós os responsáveis pelas tragédias que nos envolvem, dificilmente iniciaremos o processo de mudança. Wellington é fruto da cultura da beleza. Narcísica e consumista, celebra a boa aparência e desmoraliza a fealdade e a velhice. Enquanto ensinarmos os filhos a passar a perna no outro, furar fila, não assumir compromissos, a não respeitar serviçais e esquisitos, corremos o risco de, cinicamente e estarrecidos em poltronas, assistir a massacres e chacinas. A banalidade da vida é conseqüência do desprezo pela alteridade. Não seria melhor repensar escolhas, revendo opções, conceitos e posturas? Confinamos os jovens diante de máquinas, oferecendo-lhes uma vida fria, empobrecida de gente, de trocas e amizades. A pior solidão é não ter densidade interior para se envolver – ser incapaz de povoar a vida com a própria mente. A carta do assassino, o monstro solitário, revela o desespero de quem vive isolado e sonha em ser lembrado, reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inez Lemos é psicanalista e autora de: Pedagogia do consumo: família, mídia e educação (Autêntica). Vive em BH e é colaboradora do caderno Pensar do jornal EM. &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=6622628954509418807&amp;amp;postID=3836958950283725500#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Artigo publicado em 18/04/20011 no Caderno Pensar do EM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3836958950283725500?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3836958950283725500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3836958950283725500&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3836958950283725500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3836958950283725500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2011/04/cronica-do-desespero-anunciado.html' title='CRÔNICA DO DESESPERO ANUNCIADO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3539529217256760145</id><published>2011-03-16T22:37:00.001-03:00</published><updated>2011-03-16T22:38:51.957-03:00</updated><title type='text'>FELICIDADE E TRANSCENDÊNCIA</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme Lixo extraordinário narra a trajetória do artista plástico Vik Muniz entre os catadores do aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ). Muniz resolveu pintar a vida dos trabalhadores do lixão - personagens de um cotidiano entre urubus e a sujeira que os urbanos industrializados produzem e descartam, sem sequer se dar ao trabalho de separá-la. O documentário nos fala de uma outra vertente de felicidade, pois saímos do cinema com uma inveja danada de Vik Muniz e de Sebastião Carlos dos Santos, o Tião,  ex-catador e presidente da Associação dos Catadores de Gramacho. Não digo isso apenas pelo sucesso do filme, prêmios e indicação ao Oscar, mas pela emoção de algumas cenas, como o abraço sincero, comovido e pleno de gratidão que Tião dá em Vik depois do leilão de uma das obras. Esse abraço metaforiza o momento de suprema felicidade, a aliança com o outro que possibilitou o instante em que, emocionados, ambos expressem alegria pela parceria que ultrapassa a marginalidade e se consolida no reconhecimento. A alegria dos catadores chega sob luzes e holofotes, tal como sonham as garotas candidatas a modelo e artista. Alegria gestada entre mosquitos e pobreza, frustrações e humilhações. O laço social foi moldado no sofrimento. Emergiu de um trabalho de parceria, cooperação e amizade – o elo com o feio que se fez bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nada agradável trabalhar na fedentina do lixo. Entretanto, a tristeza se transforma quando analisada na plenitude, sem descartar sentimentos e angústias de seus atores sociais - quando incluímos no olhar a dimensão humana que cerca a vida dos trabalhadores. Vik Muniz reverteu lixo em arte, sujeira em brilho, dor em alegria, desesperança em felicidade. Captou a história que cochilava entre vísceras, restos e dejetos que jogamos fora - resíduos que dispensamos sem ciência e consciência. Como cuidar da podridão que descartamos se recusamos saber sobre o lixo nosso de cada dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhamos apenas com o brilho do sucesso, mesmo que esse se sustente na infelicidade do outro, no fracasso e na vergonha. A tristeza não é fashion. Contudo, a sociedade produz gente que se sente fracassada e infeliz. Muniz e Tião são personagens do enredo de uma felicidade engendrada na lama que cerca todos nós. Juntos, desviaram os trabalhadores da escuridão do ostracismo. Mergulharam na esperança de conquistar o mundo exibindo a porcariada que a humanidade produz. Da lama fez-se o ouro. A felicidade deixa de ser ilusão quando orquestrada na interioridade e nos acordes da transcendência. Vik Muniz transcendeu o feio, atravessou o fedor e atingiu a beleza das entranhas, almas que padeciam entre urubus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto de felicidade delineado na modernidade se tornou um bem subjetivo,  capital psicológico. O novo sujeito circula livre das tradições - a trajetória existencial é marcada mais por escolhas individuais do que por um repertório de cunho social e filiações. Onde se encontra a chave desse estado que muitos perseguem com avidez? Há o caminho seguro que garantirá ao indivíduo a suprema felicidade como apregoam as biotecnologias? É possível conquistar o apaziguamento seguindo a biociência - apostar apenas na felicidade sintética? Como desvencilhar da ordem de felicidade como dever e não como aspiração, projeto que associa vida pessoal e social - indivíduo e comunidade? Qual a origem do individualismo como gestor da felicidade contemporânea?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A transição do mundo medieval, teocêntrico, para o mundo moderno, coloca em cena o hedonismo e desloca o conceito de felicidade para o registro do corpo. O cristianismo, que apregoa a felicidade por meio da purificação da carne e da salvação da alma – verdadeira comunhão com Deus, entra em declínio. O corpo vai ocupar o lugar primordial, agora não basta apenas confiar a Deus nossas aspirações e desejos, temos que buscá-los no real do corpo. Em decorrência dessas transformações, Niezsche teceu sua crítica ao cristianismo: “Deus está morto”. Significa que, para se atingir o prazer, vale tudo.    A hipótese de que a felicidade é um bem subjetivo, capital passível de ser investido e acumulado materialmente, torna-se aterrorizante e perturbadora. A profecia niezschiana metaforiza a dissociação do mundo com a transcendência. A morte da ordem simbólica marca o advento do individualismo desgarrado das narrativas que orientavam a existência social - significantes que vetorizavam respeito, dignidade, honestidade, dever e ética. O sujeito da atualidade, livres das interdições, é instado a agir segundo suas convicções. Jogado à própria sorte, autônomo, busca o máximo das fruições e dos prazeres da vida. O que antes era reivindicação e meta a ser conquistada se tornou imperativo. Todos perseguem, sob os mesmos parâmetros, o mesmo estilo de vida - ideal de felicidade iniciado com o racionalismo científico e aprofundado pela biotecnologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Que felicidade, se o homem, desamparado da providência divina, agora é o único responsável pela condução da vida? A experiência de felicidade não é mais financiada por Deus. Com a racionalização burocrática das instituições e com o discurso da ciência orientando as práticas sociais, dá-se o controle da vida cotidiana, sobretudo quando a imprevisibilidade e o acaso são banidos. Agora tudo é passível de ser avaliado, controlado e previsível. Viver se tornou um grande plano de metas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A vida humana se torna questão de cálculo e estratégia, incrementa-se o poder dos indivíduos sobre a natureza. Surge a idéia de perfectibilidade e a felicidade, sintética, é forjada em laboratórios e mediada por estratégias de discurso, numa articulação entre  ciência, poder e ploítica. A construção de um projeto de felicidade se caracteriza, desde então, pelo culto ao individualismo. É quando assistimos à desconstrução das práticas sociais nos espaços públicos. Com a emergência do “homem privatizado”, o cidadão narcísico da sociedade neoliberal dissemina o ethos que vai fundar o discurso sobre a felicidade. Atualmente, ser feliz é viver seguindo padrões estabelecidos pelo mercado, com total autonomia para ocupar e privatizar os espaços geográficos e humanos. Salve-se quem puder! É a ética a reboque da tecnociência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O indivíduo moderno, desprovido da proteção divina e do poder público, muitas vezes se desespera. Vulnerável e disponível aos mercadores da felicidade, acata os ditames da biotecnologia. Desamparado, trava a batalha diária pela sobrevivência. Deprime-se, distante da concepção de solidariedade e amizade. Como suportar as tragédias num mundo sem transcendência, sem sentido e desmagificado? A cultura narcísica se assegura ao disseminar o eu ideal. Cria-se, primeiro, um padrão de eu que vai garantir o modelo de felicidade centrado no individualismo e no consumismo, enquanto o outro é excluído, assim como qualquer imperativo de ética e alteridade. O sujeito é forjado sem se interrogar sobre suas convicções e fantasias – atavismos que transcendem a razão moderna. O homem racional, ao profanar o sagrado e desnudar o simbólico, se vê como único responsável pela sua salvação. A trajetória solitária de expansão do eu não inclui o outro no horizonte psíquico. Desvinculado de qualquer referência de alteridade, interioridade e espiritualidade, nos jogamos na arena com os leões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não há felicidade possível senão sob luzes e holofotes, como sobreviver ao medo, ao pânico pela não conquista do sucesso? Como controlar a ansiedade e nos desviarmos do tédio e do desencantamento pelo mundo frívolo, desprovido de transcendência e simbologia? Como escapar do deserto - opressão por uma vida sem sentido, forjada no repertório do eu sozinho? A felicidade é uma idéia, uma narrativa, o sonho que projetaram para nós e acabamos aceitando. Embora, muitas vezes, o modificamos e o ampliamos. Importa que o desejo esteja realmente ajustado à crença de que é ali que reside a salvação. Qual felicidade, a que nos deixa pressionados e estressados na competição pela busca da boa imagem, e desacreditados do amor?&lt;br /&gt;A música que nos encanta é composta em conjunto, cantada em parceria e harmonizada no coletivo. Diferente da minimalista, refúgio dos solitários. O samba do eu mínimo é um samba sem paixão, sem sangue e emoção. Diferente do abraço que Tião deu em Muniz por ter transformado feiúra em beleza! Aterro sanitário é feio, depósito de sucatas e dejetos. Mas feio também são a arrogância, a covardia e a alienação. É acreditar que seremos felizes sozinhos. No mundo dos sentimentos, há os nobres e os vulgares. Dizem que a inveja pertence aos vulgares. Mas, quando somos tocados em nossa vaidade, no orgulho de sermos reconhecidos e elogiados, geralmente produzimos algo de bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lixo extraordinário, além de ser uma aula de sociologia, questiona o narcisismo. Provoca o desejo de abandonar o individualismo e de experimentar a felicidade engendrada com o outro. Felicidade que transcende o aterro sanitário que expele podridão humana.    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Artigo publicado na caderno Pensar do jornal EM em 26/02/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3539529217256760145?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3539529217256760145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3539529217256760145&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3539529217256760145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3539529217256760145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2011/03/felicidade-e-transcendencia.html' title='FELICIDADE E TRANSCENDÊNCIA'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3910733002983674707</id><published>2011-03-16T22:33:00.000-03:00</published><updated>2011-03-16T22:35:20.254-03:00</updated><title type='text'>FAMÍLIA E FUNÇÃO SOCIAL</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Pais separados, lares monoparentais, recasamentos, filhos criados entre não irmãos. O estatuto da família mudou. O mundo moderno tornou-se o lugar em que narciso deita e rola. E dificulta a tarefa do pai e da mãe, que, diante de ofertas sedutoras e exigências de consumo, beleza e visibilidade, se desesperam. A luta hoje é por reconhecimento e prestígio social. As demandas dos pais por resultados imediatos geralmente os impedem de olhar para os filhos como seres de sentimentos - muitos se esquecem de que, quando envolvem filhos, os direitos individuais tornam-se suspensos e reduzidos.  &lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;A vida moderna também não é fácil para os homens. Muitos pais se sentem desqualificados diante dos filhos por não conseguirem atender suas exigências de consumo. Inicia-se o processo de culpabilização, atribuindo somente a eles a responsabilidade de fracasso, quando ela é também social - desemprego, crise econômica. Pressionados, os filhos são vistos mais como fardo que como fonte de prazer. Família é lugar de alegria e sofrimento. Não deve ser administrada na lógica empresarial - custo/benefício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Vários fatores contribuem para a separação dos casais. A insegurança nas relações se ampliou tanto no contexto afetivo como social. Que amanhã nos espera? O desafio está em descobrirmos saídas que não nos oprimam. No fundo da questão, há a idéia de felicidade, que, contaminada pela lógica economicista, vicia o olhar da família. A anatomia das relações afetivas, quando envolve pais e filhos, revela distorção nos valores e na forma de conceber o mundo. Outrora, filho representava orgulho, era visto como o herdeiro de um nome, alguém que daria continuidade ao legado familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A questão financeira era tratada de forma discreta e se restringia ao âmbito da família. Não era comum contabilizar os custos da educação da prole - hábito que hoje se tornou corriqueiro. Como podemos desejar jovens menos interesseiros se os educamos  mais voltados para a conta bancária que para a conta da satisfação? Se o sentimento que cultuamos é o da competição, do levar vantagem a qualquer custo, como podemos esperar posturas generosas e amigáveis na hora em que eles, já casados, resolvem se separar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A educação para o sucesso é um dilema ético para algumas famílias e instituições educacionais. Muitos pais exigem a educação patrimonialista calcada na desigualdade social e na prevalência do privado sobre o público. Algumas escolas justificam que aboliram do currículo o debate sobre cidadania por julgar relevante focar apenas nos conteúdos cobrados no vestibular. Espelhados no imaginário que circula na arena política, quando domina improbidade, e atentos aos rumos que a sociedade vem tomando, há pais confusos e questionando a educação embasada nos nobres princípios de honra e honestidade. Quando família e escola, imersos no dilema ético-pedagógico, colocam em cheque questões dessa ordem, algo na concepção de Nação fracassou. O ideal republicano, simbolizado na Declaração dos Direitos Humanos, ao operar no inconsciente do cidadão, requer sustentação nas práticas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na verdade, o dilema ético é falso, pois o sujeito que cresceu cultuando valores, como honestidade e respeito à coisa alheia, sabe que postura e caminho abraçar. Até que ponto as mudanças no contrato social e as condutas ético-políticas indicam transformações na subjetividade? Como repensar a família e a escola num contexto social e político esgarçado? Todo discurso necessita de um sujeito que o sustente. Não existe subjetividade avulsa, autônoma. A subjetividade, aquilo que expõe a conduta humana, constitui-se como efeito de discurso e de significantes. E, ao se promover no laço social, coloca o sujeito articulado aos pais e aos significantes. Família, escola e política - como desarticulá-las dos significantes de desonestidade e enriquecimento ilícito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lógica centrada na usura, no ideal de progresso material, no ganhar e vencer a qualquer custo respinga nas famílias. Assim posto, é de se esperar que alguns casais, ao se separar, tenham condutas de revanchismo e vingança, cada qual marcando território e  poder. O Estado, por meio da justiça, só é convocado quando fracassa a ética na família – casais em que impera o espírito de competição e não de cumplicidade e colaboração. Resistente e ressentido com a separação, o parceiro inicia o processo de chantagem e manipulação. Sem escrúpulo, usa o filho em sua jornada de vingança, colocando-o contra aquele que pediu a separação. Nesse momento, os adultos, seja o pai ou a mãe, agem de forma infantil e inconseqüente. Pais magoados e rancorosos destilam ressentimentos sobre os filhos. Quando envolvem vinganças e condutas perversas, separações provocam sofrimento psíquico nos filhos, comprometendo seu futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A questão não está na separação, mas no despreparo do indivíduo para enfrentar perdas e frustrações. Ninguém gosta de perder. A sensação de desvantagem, embora avassaladora, é da condição humana. O sentimento de preterido pelo outro é cruel. Essa dor nos derruba, deixando-nos com gosto de morte na boca. Com a alma seca, mendigamos afeto e amparo. Perder é se ver cara a cara com os limites da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrar que, para a criança, não existe pai ou mãe ruim, ambos são queridos e devem continuar sendo merecedores de um lugar no coração do filho. Cabe à mãe instituir o pai ao filho, é ela que o apresenta a ele, portanto, a imagem que o filho tem do pai é constituída enquanto tal pela palavra da mãe. Contudo, muitos pais não poupam os filhos e os envolvem na pletora de brigas e revanchismos. A separação de casais, por envolver crianças no conflito, é questão que o direito de família trabalha na interface com a psicanálise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao reforçar a importância do direito na defesa dos interesses das famílias e na proteção dos direitos dos filhos, aplaudimos a Lei da Alienação Parental, que pune os responsáveis pelas crianças – mãe, pai, avós – que agirem desqualificando e dificultando o contato do menor com um dos responsáveis. Lembramos que o direito do filho ao carinho dos pais é inalienável.&lt;br /&gt;            A partir do século 18, com o iluminismo, o direito passa a ser identificado com a lei. A proposta, embora retome aspectos do direito natural e defenda a liberdade individual, acaba por privilegiar a razão, reduzindo o viver em sociedade num governo de leis, e não num governo de homens. Portanto, se a lei é injusta, se ela favorece os interesses dos pais e não da criança - se o que ela reza compromete o desenvolvimento cognitivo e psíquico, pouco importa. Essa é a vontade da lei, da razão científica. O racionalismo científico, em sua vertente positivista e não dialética, revela a face cínica - manipula e defende interesses escusos. E deve ser enfrentado numa perspectiva multidisciplinar. A questão é interrogar o sujeito que, imerso num rancor perverso, julga natural prejudicar o filho comprometendo sua saúde psíquica. Muitos, enlaçados num narcisismo patológico e mergulhados num gozo eterno, julgam-se donos da verdade.&lt;br /&gt;            O princípio de liberdade individual preserva a família e os filhos numa ordem ética e jurídica, independente dos caprichos de esposas e maridos. Talvez o deslocamento do familismo para o individualismo explique os conflitos nos processos de separação – momento em que modernidade pode representar mais perigo que salvação. A família é muito mais que organização biológica, transcende o grupo doméstico e penetra no campo simbólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do que somos é efeito da convivência familiar. Nos lares monoparentais, geralmente, há excesso ou falta de mãe. Mães que não são barradas em seu desejo em relação ao filho ou que o abandona nas mãos de babás e escolinhas. Como diferenciar o impulso de se ter um filho do desejo de cuidar e se dedicar à criança? Maternidade e paternidade são escolhas. A sociedade, muitas vezes, por ainda conservar um viés antropocêntrico, incentiva e desobriga o pai de exercer o papel de educador. Toda criança exige cuidados - alguém tem que assumir a responsabilidade de educá-la e cumprir com o dever paterno e materno. Quando algo falha, quando um dos dois deixa de cumprir tal função, entra em cena o direito, cobrando dos pais o direito que o filho tem em ser acolhido, acariciado e educado. São funções irrevogáveis que o direito se encarrega de impor quando a obrigação ética fracassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O Código Civil alemão, de 1900, diz: “O direito matrimonial não deve dominar o princípio de liberdade individual, mas se deve considerar o casamento como uma ordem ética e jurídica independente da vontade dos esposos”. Com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, é comum casais se separarem e os filhos ficarem meses sem se encontrar com o pai ou com a mãe. Prevalece a idéia subjetiva e individualista dos direitos. O individualismo e o consumismo comprometem a função social dos pais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;InezLemos – Graduada em história/UFMG, mestre em educação pela FAE/UFMG e psicanalista. Autora de Pedagogia do consumo: família, mídia e educação (Autêntica).&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Artigo publicado no caderno Pensar em 19/02/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3910733002983674707?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3910733002983674707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3910733002983674707&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3910733002983674707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3910733002983674707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2011/03/familia-e-funcao-social.html' title='FAMÍLIA E FUNÇÃO SOCIAL'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-217405754001277690</id><published>2011-01-07T21:26:00.000-02:00</published><updated>2011-01-07T21:27:34.779-02:00</updated><title type='text'>Tempo e desejo</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;             Maconha, crack, Rivotril, anfetamina, ecstasy, tabaco, cerveja e cachaça. A mercadoria existe por que há demanda. A demanda aumenta porque produtores e comerciantes querem vender cada vez mais. Os interesses se entrelaçam. Ninguém está sozinho nesta rede de vícios e obsessões. Se ninguém nasce traficante, viciado, corrupto, obeso ou criminoso, quem os produz? A demanda por mercadoria existe por que tentamos tamponar nossa incompletude com objetos de consumo - os obscuros objetos de desejo. Deslocamos a insatisfação e nos posicionamos como reféns dessa senhora midiática que gosta de conduzir nossas vidas. Ela é a mentora existencial - autora do enredo que seguimos sem questionar. Somos guiados por mensagens, significantes que zumbem nos nossos ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma diferença enorme entre demanda e desejo, interesse e ideal, alegria e sucesso. Hoje, ser bem sucedido significa atender a demandas impostas pelo mercado de forma rápida, objetiva e prática. Sem titubear. A dúvida é coisa de frouxo. Esquecem que o mecanismo de funcionamento do ser humano é diferente do computador. Não basta clicar: somos intermitentes, confusos - a subjetividade embaça o olhar dos sentimentos.  O ideal de vida focado na operacionalidade embaralha, confunde desejo com busca incessante por benefícios. A mania de querer transformar gente em mercadoria - produto perecível, efêmero e descartável, provoca no sujeito sentimento de impotência. Frustrado, ele se revolta por não dominar as emoções, os incômodos que bolem por dentro. Geralmente, caímos em depressão e recorremos aos psicofármacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            “Naquele tempo, se uma mulher de destino burguês se entediasse, ela não jogava cartas, não corria para o cinema, mas escolhia um livro e lia. Também assim passava as noites meu pai, com um livro nas mãos. Posso afirmar, sem exagero, que na nossa região, para o burguês do fim do século, o livro era necessidade real, como o pão diário”. O húngaro Sándor Márai, em Confissões de um burguês, abre o coração ao narrar a angústia do homem que cresce junto às duas guerras mundiais, ao mundo que se orquestrava nas batutas do capital. Márai nasce com o século 20. É testemunha ocular das transformações – transição da produção artesanal para o mundo em que as relações de trabalho assalariado obedeciam às orientações capitalistas. A atenção voltava-se para a produção em série, industrial. O trabalhador despia-se de sua vontade e seguia o operariado. O trabalho individual acabou. Poucos produzem o que deseja. A lógica não é mais a dos homens, mas a dos donos dos meios de produção – tecnociência. É quando o livro, o pão da alma, é substituído pelo circo virtual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O principal efeito deste modelo de sociedade é o menosprezo pelo ser humano. A linha de montagem é o monstro que suprime o sujeito e sua via desejante. Ao repetir movimentos, ele perde sua substância, deixa a alma junto à mercadoria. Na fábrica, é comum o operário entrar gente e sair cadáver. O capital, ao roubar seu saber, apropria-se de sua vida – corpo e alma, mente e coração. O mundo industrial alterou os conceitos de felicidade, amor, desejo, tempo, sofrimento, tristeza, alegria, saúde, doença, família, ética e bem-estar. Felicidade é uma televisão de 50 polegadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Para nós, antigos, felicidade era cultivar a esperança no grande encontro, momento em que colocaríamos os pés nos trilhos do trem que nos conduziria a nós mesmos.  Como reverter o olhar contaminado e embrutecido? Ao transpor a neblina, descobrimos que podemos recusar modismos, pois precisamos de muito pouco para viver. O pouco é muito. Muito em consistência e transcendência - suficiente para domar as inquietações, o tormento abrasador que não cessa em demandar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Vivemos ungidos pela falsa crença na felicidade industrializada. O homem moderno não gosta de perder tempo, quer a poesia e a alegria sem amargura. Felicidade não é percurso, suor e peleja na arquitetura da existência? O suor metaforiza a condição humana,  somos muitos mais que matéria. Somos um corpo erótico que berra, por transcendência, na multidão dos shoppings. Como superar a posição do herói trágico – sabedor da tragédia que é viver o desamparo que a modernidade o condenou? Como enfrentar o isolamento fundado em ilusões identitárias - ilusão imaginária de filiação, amizade e amor? “O homem “feliz” não cria; o homem feliz é, simplesmente, feliz. A “felicidade” numa me atraiu como um objetivo de vida de que pudesse me aproximar de alguma forma”. Assim Márai testemunha sua desconfiança em relação ao pacote de felicidade que o mundo das mercadorias nos oferece – apaziguamento calcado em aquisições desnecessárias e irrelevantes.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato de comprar se tornou sinônimo de felicidade – nós nos identificamos com as imagens das mercadorias, em detrimento das identificações com nossas raízes e atavismos. O indivíduo, ao cunhar sua felicidade distante da porção que lhe cabe na trama subjetiva, ao se curvar diante dos imperativos de consumo e se aliar aos ordenadores do laço social, é invadido por um sentimento de fracasso. Impotente e se culpando pela condução equivocada de sua vida, ele ou se entrega ao trabalho ou sucumbe - desmorona e se deprime. Desgarrado das referências paternas que o sustentariam, é convocado a negociar o desejo em troca de ofertas sedutoras de consumo. Fetiche, feitiço, fantasia - ninguém vive sem. Vamos às compras com a mesma fé com que íamos à Igreja. Contudo, se a sedução fugaz se desfaz, nós nos sentimos desamparados, dessubstancializados. Temos perda de satisfação. Abrir mão do desejo é uma forma eficaz de autopunição e autodesprezo – masoquismo mortífero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O capitalismo é o senhor do tempo. Mas tempo não é dinheiro. Isso é uma monstruosidade. O tempo é o tecido da nossa vida”. Aqui, Antonio Candido coloca o dedo na ferida. A forma como lidamos com o tempo é a mesma que lidamos com o desejo: equivocada. Mais um sintoma do homem industrializado. O principal efeito dessa estratégia de controle existencial é o menosprezo pelo sujeito e sua via desejante. Estamos administrando o ser humano como administramos tabelas e cronogramas, com o olho no resultado - custo e benefício. O tempo é mais um pré-texto, é efeito, e não causa. Devemos investigar o que nos deixa “tão sem tempo” para reivindicações da alma. Se seguirmos essa lógica, descobriremos que falta de tempo é um falso problema. Outra justificativa para as neuroses. Uma recusa em assumir posição diferente diante da concepção atual de temporalidade, que suprime o tempo duração - tempo comandado pelo coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o sujeito da relação que estabelecemos com os objetos de consumo? O consumidor ou o produtor? O mercado existe em função da produção, ele precisa esvaziar prateleiras. Com isso, nós nos tornamos alvo dos mercadores. Se não há mais vontade própria, só interesse controlado por estratégias de marketing, como fica o desejo da criança meio a tanta manipulação? Muitos pais julgam que a melhor forma de educar um filho é construindo fortuna para ele. “O dinheiro do meu pai não me satisfaz, eu não sou ele, ele não é parte de mim. Ele pouco resolve, só me angustia e me paralisa, aí busco refúgio na droga para esquecer minha insignificância” - desabafa um jovem em análise. Como repensar a condução dos jovens no mundo da tecnocultura? Muito tempo para manipular mouse e pouco tempo para investigar o desejo. Normopatas? O normopata congela os sentimentos e, num automatismo, só transita com desenvoltura em normas estabelecidas. Robotizado, circula no mundo de forma operacional e instrumental. O tempo é ferramenta que opera com os interesses do momento. Que momento? Do tempo reduzido das relações afetivas, do olho no olho? Tempo escasso do pai com o filho? Tempo insuficiente para desvendar tramas e fantasias que nos emperram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma luz no fundo do túnel se anuncia. “Minha profissão hoje é ser pai. Quero me dedicar totalmente a isso. Nada paga o prazer de acompanhar o crescimento de minha filha, ver a menina aprender uma palavra. É fascinante”. Eis o depoimento de um pai em reportagem sobre o desejo dos pais em cuidar dos filhos. Alguns deles estão descobrindo o prazer em desempenhar tarefas valiosas e deliciosas que antes eram do domínio feminino. Estão desafiando o imaginário perverso de que filho é obrigação. E assumindo a opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo é intervalo sempre em aberto que pulsa entre o tempo do sujeito e o tempo urgente do outro, esse terceiro irredutível que se interpõe entre o homem de negócios e a criança. Para que essa distorção se rompa, temos que ser mais forte que o usurpador de tempo. Devemos assumir a autoria do nosso tempo e do nosso desejo. Pais, nos próximos Natais, que tal darem aos filhos este presente precioso: uma cesta recheada de tempo?    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 18/12/2010 no C. Pensar do EM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-217405754001277690?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/217405754001277690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=217405754001277690&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/217405754001277690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/217405754001277690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2011/01/tempo-e-desejo.html' title='Tempo e desejo'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-4938943051563520990</id><published>2010-11-21T20:22:00.000-02:00</published><updated>2010-11-21T20:23:17.783-02:00</updated><title type='text'>FUNDAMENTALISMO EXISTENCIAL</title><content type='html'>&lt;p&gt;Inez Lemos&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;             O totalitarismo suprime a liberdade de pensamento. E a política não pode ser permeada de preconceitos. O cenário predominante das eleições deste ano violentou o pensamento. O que subjaz nas concepções conservadoras que obscurecem o debate com a sociedade, como o que se estabeleceu em torno da descriminalização do aborto e do casamento gay? Convocar o evangelho em questões seculares, questões de saúde pública e insistir na vertente fundamentalista é negar emancipação e voltar ao tempo da inquisição, que se arrogava ao direito de legislar sobre o corpo do outro. E tratar, de forma moralista, questões políticas. É assistir a um festival de manipulações criadas por religiosos que se utilizam de prerrogativas do cargo para convencer incautos fiéis. Fazer uso da Bíblia em debates políticos soa como blasfêmia, apelação. Nessa dança de aproveitadores, quem toca a música é o interesse político - a bancada religiosa, longe de querer salvar almas pecadoras, se ocupa em garantir espaço no congresso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            Debater questões sociais com moralidade é esperteza. Quem acusa o outro de pecador se atribui o direito de julgar e controlar. A Igreja medieval usou e abusou de dispositivos de poder. Em nome de Deus, condenou, prendeu, torturou, abusou sexualmente, queimou muita gente e enriqueceu. A forma mais eficaz de controlar um povo é tirar dele a capacidade de escolher com lucidez. Fundar uma concepção em cima de dogmas e tabus é obscurantismo, é retorno às trevas.&lt;br /&gt;            A internet tornou-se a tribuna dos jovens. Nela, por meio de sites de relacionamento como o Twitter e o facebook, muitos registram opiniões, protestos. A tecnologia, por meio da internet, atua como valioso meio de comunicação. E os jovens que nasceram pilotando os botões da modernidade virtual, se esbaldam. É o mundo acessado em minutos. Acredito que, se soubermos usá-la, as vantagens superam os perigos. Como tudo na vida, a qualidade da internet dependerá da capacidade do usuário de escolher e discernir o que é lixo e produção descartável, do que é sério e merece conferir.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            A estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, puxou a fila de jovens preconceituosos e que, pelo que demonstraram, desconheciam o rigor da lei 7.716, de 1989, que reza punir os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. Impulsionados pela onda de preconceito instaurado na campanha do segundo turno para presidente da República, Mayara postou vários comentários expressando sua ira contra a vitória da candidata do PT, Dilma Rousseff, e foi respaldada por uma enxurrada de textos de outros jovens, cidadãos do eixo Sul-Sudeste. O alvo era os nordestinos. Avaliaram os votos do Nordeste decisivos no resultado da eleição. Entre as pérolas registradas, temos: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”. “Só Hitler acaba com a raça dos petistas construindo câmara de gás no nordeste matando geral”. “O #nordeste é um lugar onde nós, pessoas brancas de classe média alta, vamos fazer turismo sexual comendo umas baianinhas vagabundas”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            A Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) processa a estudante por discriminação contra os nordestinos. Mayara não está sozinha na empreitada em destilar o ódio xenófobo contra os irmãos de cima. O site Diga não à Xenofobia! denunciou 110 mensagens de ódio aos nordestinos e apoio à estudante. Resta aguardar os desdobramentos, contudo, se depender de Janice Ascari, procuradora regional da República em São Paulo, os intolerantes que compactuaram com a discriminação podem receber a mesma punição: “É um absurdo e incompatível com os preceitos da Constituição”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            Contudo, esse é mais um crime anunciado. Todo profissional que atua no campo da formação humana, e que acompanha a forma como os jovens estão sendo inseridos na cultura, recebe notícias como estas sem surpresa. Intolerância e posturas fundamentalistas intensificaram com a globalização e o fim dos movimentos sociais. A sociedade foi substituída pelo mercado. Interesse e desejo tornaram-se a mesma coisa. As escolas, ao julgarem mais relevante se ater aos conteúdos do vestibular, priorizando uma educação enxuta e focada, descartam a reflexão e o debate. A morte de Deus, proclamada por Nietzsche, aponta a morte da transcendência, o fim da capacidade de recusar o pensamento positivo e único. Enterra, junto à metáfora divina, a dialética, a lucidez e o discernimento. Assistimos ao funeral da tradição do pensamento iluminista - a razão moderna cai por terra. É o declínio do ato de refletir sobre conceitos preestabelecidos, quando a possibilidade de conferir significado à ação é anulada e desprezada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            Família e escola são fortes aliados na formação do cidadão. Embora de lugares diferentes e com atribuições e graus distintos, ambas são responsáveis em apontar os limites fundantes da vida na sociedade. Os códigos de ética e boa conduta operam como vetores. Contudo, quando a violência prevalece entre jovens de classes abastadas, acreditamos que algo está fora do lugar. Ninguém nasce racista, preconceituoso. Onde que eles estão aprendendo a desrespeitar o diferente – o feio, homossexual, negro, pobre e cabeça chata? O discurso predominante enaltece o papel da biologia, atribuindo à hereditariedade, genética, DNA, o destino da criança. É confortável vivermos numa sociedade que desresponsabiliza os pais pela conduta dos filhos, atribuindo tudo aos genes. Todo comportamento é avaliado sob critérios objetivos, desconsiderando o viés subjetivo. Esquece que é a linguagem, que permeia as relações sociais, quem estrutura o sujeito. Uma questão política e cultural torna-se genética. A criança que presencia os adultos desqualificarem um subalterno, cresce convicta que ela é um ser superior a esse outro e desrespeitá-lo é um direito e não uma violência ou crime. Em São Paulo, geralmente os serviços de porteiros e domésticos são realizados por nordestinos.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            O preconceito é a crença em um conceito falado, o significante que chega como  dispositivo de verdade. O preconceito contra uma determinada raça, ou população, é uma estratégia de poder. A crença de que os paulistas são superiores aos nordestinos produz uma ilusão identitária - tanto nos que se arrogam superiores, como aos que se veem como inferiores. O racismo surge como forma de justificar a exploração de um povo sobre outro,  revelando sempre interesses econômicos. Assim foi com os africanos e judeus - sempre haverá um alvo para justificar ações de desrespeito e violência. Criam-se dispositivos que produzem ilusões identitárias, ofertas imaginárias de pertencimento. Os jovens, ao se aliarem aos significantes de classe e ordenadores sociais oferecidos pelos defensores da desigualdade racial e social, são contaminados por mensagens de intolerância. Enquanto a plebe, envergonhada e excluída do banquete, se adapta ao lugar de negativo social. É o fundamentalismo colonizando o inconsciente e a existência. Muitos recusam o debate e, de forma dogmática, seguem os messias da contemporaneidade – mercado, sociedade de consumo, religiões espetáculos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            O espírito iluminista emergiu com o Renascimento, Deus já não exercia tanto poder sobre os homens, e a humanidade, desamparada, via-se responsável por seu destino. Propagava-se o pensamento crítico ao obscurantismo religioso. De Espinosa a Voltaire, Kant a Marx, Freud a Foucault, o que temos é o alerta aos falsos profetas e falsos saberes, convocando o homem a usar o juízo e o pensamento livremente. A maior contribuição do iluminismo foi desmistificar falácias, libertando o indivíduo de qualquer forma de soberania, seja religiosa, geográfica, racial. A questão era subtrair o ser humano de todo particularismo identitário, religioso ou sexual. Contudo, sem o benefício da dúvida e da dialética, recusamos a diversidade, o avanço social, e investimos contra a lucidez. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;            Camus, em O mito de Sísifo, analisa a tragédia que é viver segundo as ordens de um outro e alheio aos nossos interesses.  Camus chamou de homem absurdo o que sabe de sua tragédia. O mito trágico e seu herói, que tem consciência do absurdo que é o trabalho alienante e repetitivo. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, sabe de sua condição de miserável, que não pode fazer nada de eterno, como conferir sentido profundo às coisas e ao trabalho. Sísifo metaforiza a alienação a que muitos se submetem ao viver subjugados. Sempre haverá uma classe disposta a usar de estratégias discursivas para imprimir no outro o sentimento de inferioridade. Há os convictos da existência de uma super-raça - os eleitos por Deus. Oliver Cromwell, militar e político britânico, líder da Revolução Inglesa, no auge do delírio escreve o livro O eleito por Deus. Como os jovens do Twitter que, num momento de alucinação, se julgaram acima do bem e do mal. Espero que não falte gente séria em avisá-los que racismo é crime, no Brasil, desde 1989.    &lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6622628954509418807#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Artigo publicado em 20/11/2010 no caderno Pensar do EM. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-4938943051563520990?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/4938943051563520990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=4938943051563520990&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4938943051563520990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4938943051563520990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/11/fundamentalismo-existencial.html' title='FUNDAMENTALISMO EXISTENCIAL'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-4974612961915045199</id><published>2010-11-04T19:16:00.001-02:00</published><updated>2010-11-04T19:17:59.954-02:00</updated><title type='text'>A LOUCURA DE MACHADO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;No mês das comemorações do Dia do Médico (18 de outubro), recorro ao escritor maior, Machado de Assis. Vale lembrar o que esse visionário da literatura já prenunciava: em O Alienista, ele metaforiza a sociedade que vê patologia em tudo, a crença cega na ciência e seus arautos. O médico Simão Bacamarte representa a obsessão pela reclusão ao atribuir aos métodos científicos a responsabilidade pela cura dos cidadãos que apresentavam sintomas psíquicos.&lt;br /&gt;A ciência do século 19, com seu olhar frio e instrumentalizado sobre o sujeito, submete-o ao saber médico – saber/poder. Essa lógica está na contramão do que podemos chamar de tratamento psíquico ético. Tratamento diz da forma como médico e paciente  interagem, implica participação no processo. O sujeito interroga o sintoma e, ao se envolver, toma para si a responsabilidade dele. A postura de se implicar no sintoma é diferente de delegar ao outro a responsabilidade pela condução do processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alienista representa a ciência que se coloca como absoluta, julgando-se capaz de tratar o sujeito apenas por meio da medicação. Uma ciência sem brechas para ouvir o sujeito e seu sofrimento, suas angústias e delírios. Machado, já naquela época, lança sua profecia contra o discurso da ciência encarnado em Simão Bacamarte. Crença que atua no sujeito como dogma: “A ciência contentou-se em estender a mão à teologia, - com tal segurança, que a teologia não soube enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o universo ficavam à beira de uma revolução”. &lt;br /&gt;A maioria da população de Itaguaí se submeteu ao poder de Bacamarte como  alusão ao pensamento único, tão em voga no mundo contemporâneo. Vivemos o despotismo científico - hegemonia do discurso da ciência, que vê cada sujeito como objeto a ser manipulado, avaliado e diagnosticado. O viés biológico, que associa cada sintoma ao potencial de medicação, nos remete à idéia de cárcere e terror que domina Itaguaí: “A Casa Verde é um cárcere privado”. Que lugar a indústria farmacêutica ocupa nessa história? Trocamos as grades dos hospícios pelos efeitos deletérios das drogas lícitas, inibidoras e amortecedoras do sujeito desejante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão não é denunciar a ganância das indústrias de medicamento, mas refletir sobre o conjunto de medidas no sentido de calar as vozes discordantes, apaziguando o sujeito de forma sutil, branda e limpa. A quem interessa o apagamento do sujeito? Uma vez diagnosticado, cria-se o estigma, o preconceito, a vergonha e a inibição. Ter um diagnóstico de bipolar é como ser premiado pela profecia de doença, sofrimento que poderia ser evitado. “Ao me separar de minha mulher, fiquei deprimido, me sentindo frágil, desvitalizado. Procurei um psiquiatra e ele me medicou, dizendo que eu era bipolar”, testemunha G, que chegou para a análise fazendo uso de lítio - medicação controlada. Hoje, G tenta superar as marcas do diagnóstico equivocado. Contando apenas com a coragem moral, ele busca investigar, ao deslizar sobre as dores guardadas, um novo sentido para a vida.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser alienado é se demitir da condução da vida, submeter-se à pragmática prescritiva e, sem interrogar, consumir tudo o que ela determina. Sem questionar os diagnósticos, sem querer saber mais de si, o sujeito se entrega à estratégia publicitária dos laboratórios, que insistem em ensinar a ele como se portar diante dos sentimentos. O que se modifica é a posição subjetiva do usuário, que se comporta como refém da psicofarmacologia. O principal desastre dessa estratégia discursiva e mercadológica é a patologização dos sentimentos e da existência, pois qualquer mal-estar se torna doença. Curar-se significa decifrar o sofrimento. Cura é mais que bem-estar, é mais que se sentir feliz. É se sentir livre, dono de seu corpo, sua vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Foucault já havia nos alertado sobre abusos dos dispositivos de poder - saber que, mal empregado, mais oprime que liberta. É mais fácil intervir na doença que no sujeito e seu sintoma, excluindo-o e rotulando-o. A reclusão moderna é diferente, não se dá pela força, mas pelo convencimento, pela submissão e pelo autoengano. A única sanidade disponível é recusa ao afã da nova ciência. Quem é o louco da neociência? Os laboratórios, os médicos ou o paciente, que se submete, sem questionar, aos diagnósticos? Há algum tempo, seria impensável a criança ser diagnosticada, apressadamente e de forma pouco criteriosa, de psicótica ou hiperativa. &lt;br /&gt;A sanidade que desejamos lembra refúgio, apaziguamento. Lugar a duras penas conquistado para viver os sonhos. A insanidade do homem moderno é não saber de seu  desejo. O conceito atual de sanidade nos lembra obediência. São é aquele que cumpre as ordens médicas, que cobra do doutor fórmula mágica para o transtorno. Eis o paradoxo: ao nos submetermos aos investimentos do capital contra a subjetividade, disponibilizamo-nos a seus interesses e o elegemos dono de nosso corpo. A loucura machadiana fez literatura e pôs em xeque o poder da ciência. Denunciou a sordidez da sociedade, rejeitando crenças petrificadas, mitos perversos, valores e comportamentos elitistas e excludentes.  Deflagrou a barbárie conduzida pelos barões. &lt;br /&gt;Quando tememos a insanidade, revelamos ódio aos projetos com os quais nos envolvemos de forma contrariada. A busca de sucesso financeiro a qualquer custo revela ódio à felicidade - medo da satisfação primordial, o encontro com o primeiro objeto amado e perdido. Temer a insanidade significa temer a infelicidade. Como levar à frente o projeto de vida que escolhemos sem nos deixar invadir por uma força transbordante e arrebatadora, que nos joga do outro lado da vida, sem autodomínio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loucura é vista como perda de controle - o sujeito rompe com o proibido e assume escolhas descabidas, fora da ordem social. Se sanidade é assumir projeto próprio de vida, descobrir a autoexpressão, tal postura se aproxima do conceito de loucura. Se, por um lado, sanidade diz da coragem de ludibriar e escapar dos despropósitos oferecidos pelo mercado, por outro, isso inclui uniformidade - todos se encaixam no mesmo padrão, apagando diferenças e subjetividades.&lt;br /&gt;É difícil debater sanidade numa cultura que não incentiva o pensar e a criatividade. Desejamos, na sanidade, exatamente o que ela exclui: paixão e excentricidade. Se a loucura está relacionada ao excesso, o são é uma pessoa limitada em sua “loucura”. Falsa sanidade é nos assujeitar à pressão social que nos dificulta assumir a responsabilidade por nossa vida, vivendo-a tal como nos agrada. A retórica da sanidade e da loucura esbarra na busca do sentido da vida. Ou de como se escapa da falta de sentido. A sanidade aparece como conquista: algo que adquirimos ao longo da vida, e não como algo com que nascemos. A luta pela lucidez inclui não se contentar com explicações simplistas, atribuindo tudo à genética. Muitos atos de insanidade não resultam da ausência de lucidez, mas do uso perverso dela. Para os superficialmente sãos, sanidade significa vida sem dor e tormento, totalmente integrada ao modus vivendi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sanidade passa pela capacidade de enfrentar a própria turbulência. O que sentimos e desejamos depende do lugar de onde partimos – vivências e raízes. Viver implica conflitos, e a realidade não coincide com o que idealizamos. É salutar saber lidar com as dificuldades que o querer envolve. Viver é diferente de vencer - significa fazer escolhas e se aventurar na dimensão humana. O percurso interessa mais que a chegada – quão chato seria trilhar caminhos já sabidos. A sanidade que interessa é construída no contínuo ganhar e perder, amar e sofrer - longe do fundamentalismo burguês de sucesso, poder e segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche, em Sobre a genealogia da moral, nos lembra Platão: “Foi graças à loucura que as coisas mais excelentes surgiram na Grécia”. Loucura necessária é ousar, esticar o fio da existência, transcender paixões. Como testemunha o velho pensamento: “Se o louco persistir em sua loucura, torna-se sábio”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado é um escritor que faz jus a seu tempo e a seu país. Com elegância e nobreza, lançou ironia sobre burgueses que não economizavam desfaçatez - elite tacanha e pouco ilustrada. Com certo fel de classe, ilustrou e representou os que usavam o moralismo para se defender. Não poupou as mulheres e os casamentos por interesse: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”. Eis a grande loucura de Machado: com coragem e lucidez, denunciou extravagâncias da sociedade conservadora, patrimonialista e reacionária do Rio de Janeiro no século 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Talvez por tudo isso o Brasil não produza mais loucos como Machado. Vivemos tempos de aberrações, perversões, crimes e violência. Os excessos se deslocaram - na ausência de lei, a arte é dispensada. A loucura rentável prejudica, agride e faz a roda do consumo girar. A libido foi cooptada pelo mal. O demônio da modernidade se alastrou junto à massa, banalizando o sentido da vida e nos encerrando na miséria existencial. Barbárie é vida sem utopia, sem coragem para transgredir palavras de ordem: goza, compra! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado no C. Pensar do EM em 30/10/2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-4974612961915045199?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/4974612961915045199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=4974612961915045199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4974612961915045199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4974612961915045199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/11/loucura-de-machado.html' title='A LOUCURA DE MACHADO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5888520677706429881</id><published>2010-10-19T07:50:00.002-02:00</published><updated>2010-10-19T07:56:57.589-02:00</updated><title type='text'>Fantasiar,brincar e cozinhar</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, o marketing direcionado para crianças não é regulamentado -regulamentar é diferente que censurar. Muitos países proíbem veicular propagandas nos intervalos de programação infantil. Aqui, as tentativas governamentais que ocorreram nesse sentido fracassaram. Essa é uma briga que deve ser travada com o envolvimento da sociedade civil. Se vamos às ruas para defender outros interesses, por que não denunciamos mais esse abuso? Conscientes do desastre que as propagandas provocam nas crianças - ao induzir neurônios a pensar o mundo pela lógica do consumo -, pais e educadores deveriam iniciar um movimento exigindo ética das autoridades e agências de publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem contemporânea que estrutura o sujeito do inconsciente é a do adquirir, exibir e ostentar. A idéia de felicidade na qual inserimos as crianças se distancia do ideal de família, quando essas conservavam valores e traços identificatórios – a lasanha da avó e a feijoada da mãe. Predomina o ideal disseminado por Ronald McDonald - que gosta de afirmar que não vende sanduíches, mas alegria, fraternidade, diversão e confiança. Susan Linn em Crianças do consumo: a infância roubada informa: “Em 1990, uma pesquisa com crianças de oito anos mostrou que, quando lhes perguntava: “com quem vocês gostariam de sair para comer”? Pais, professores e avós ficavam todos atrás de Ronald McDonald e do Tigre Tony. Mais da metade das crianças que participaram da pesquisa na Austrália achava que era Ronald quem mais sabia o que as crianças deveriam comer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessa ao mundo da publicidade explorar a infância. Bebês não protestam e crianças são influenciadas e exigem o que determina a propaganda - molestam os pais por um McLanche Feliz. Encurtar a infância é conferir a ela o estatuto de consumidor. Muitas famílias acabam confundindo precocidade com maturidade ou inteligência. Não percebem a diferença entre demandar produtos já viciados com escolhas maduras e direcionadas pelo desejo. Muitas mães, diante da criança intransigente e bombardeada pela mídia, exclamam: “meu filho já sabe o que quer”. A trajetória do desejo iniciava-se nas refeições familiares - a convivência entre galinhada e couve fundou imagens que nos prepararam para os saltos do mundo. Diferente de ser marcado por mensagens carregadas por emoções duvidosas. Um cenário enfeitiçado de guloseimas e colesteróis, em caixinhas de surpresas, embala a garantia do retorno. O fetiche da mercadoria, na moderna insanidade mercenária, tornou-se uma obsessão. Sem uma rígida regulamentação de marketing, provocamos nas crianças o deslocamento do desejo e comprometemos o futuro do país. Qual o ideal de mundo que prevalecerá nas cabeças dos futuros homens e mulheres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincar com brinquedos que transporta para o mundo lúdico, de fadas e mistérios, desenvolve a fantasia e prepara a criança para as adversidades da vida. Inteligência é capacidade de criar saídas em situações difíceis e desafiantes. Brincar e fantasiar - ambos defendem a criança da loucura do mundo. Sem fantasiar, nos expomos ao real de forma desprotegida. Os verdadeiros pensadores foram vetorizados por um imaginário de fantasia. A grande razão da vida, a única loucura que nos redime, é a da criação. Sublimar, provocar o atravessamento pela arte. O encontro do sujeito com a interioridade é fruto do mergulho em fantasias originárias - raízes fiduciárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais as conseqüências de passar a infância operando botões, guerreando com monstros virtuais? A guerra travada na tecnologia não provoca medo, não coloca a criança em situações de apuro, tampouco a prepara para a verdadeira guerra da vida. A guerra que travamos com os fantasmas que nos emperram. E bloqueiam os voos da existência humana. Ao construir e manipular brinquedos construídos para si e por si, a criança de outrora vivenciava oportunidades de encetar o processo de subjetivação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manoel de Barros, em Memórias inventadas, nos fala da importância de escovar osso, trabalho de arqueólogo. A arqueologia da vida começa na infância, quando devemos escovar tudo – fuçar buraquinhos, enfiar dedos nas covas da vida. Viver é desvendar furos, alisar pêlos, desvelar sentidos. “Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras”. Se seguirmos as pecadas do poeta, descobrimos que é na infância que aprendemos a remontar sentimentos – destampar oralidades sonolentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que leio Manuel de Barros, me lembro de minha infância no sertão paulista. E me assusto com a diferença da infância das crianças urbanas. A maioria cresce trancada dentro de caixotes e confinadas diante de aparelhos. Antigamente, cada criança era responsável pelo seu brincar, cabia a cada uma inventar o seu espaço lúdico. Eu gostava de fazer casinhas debaixo de árvores. Varria o chão de terra, tirava as folhas secas - tudo lisinho, limpinho. Fazia o fogão com pedras e nele cozinhava arroz e abobrinha. E sonhava com uma vida de “casa de verdade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender a gostar de casa é uma coisa muito boa. Casa, culto, cultura. Morar, namorar. Gostar de habitar, abrigar e hospedar. Cultivar lembranças e manias que nos posicionam na vida. Acho que é assim que nasce, na pessoa, o desejo de casar - brincar na casinha. Amar é demorar no coração do outro. Bom para quem gosta de casa e de cozinha. Quanto mais o cozido demora a ficar pronto, mais dá tempo para a gente pensar na vida e nos segredos. Fantasiar, brincar e cozinhar devem ser irmãos. Como saber e sabor. Verbos de muita personalidade. Se a gente souber conjugá-los, nos transportarão para mundos muito interessantes. Gostar de descobrir palavras, pessoas e comidas, se aprende de pequeno, brincando de graça, na natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincar de graça é extrair graça com graveto, folhas secas, rios e animais. Assim é que, antigamente, as crianças se preparavam para as coisas sérias da vida. Aprendiam a ter esperança no futuro – pois tudo era custoso e gostoso. Tudo que nos chega muito fácil é sem graça. Toda infância brinca igual e sofre pelas mesmas coisas. Lá no sertão, o sofrimento nos chegava devagar. A dor andava a cavalo, hoje ela anda de carro importado. É sofrimento apressado para ser sanado. A gente cozinhava, na mesma panela, as tristezas e as alegrias. E temperava com paixão, dignidade e paciência. Hoje é tudo comida pronta. A gente, da cidade, não sabe cozinhar comida que alimenta a alma. Só comida sem emoção que mata a fome da pressa. Comida congelada não tem sabor – é comida sem personalidade. Comer sem vontade faz mal, deixa a pessoa desentusiasmada e desapaixonada. Foi assim que a vida da cidade transformou tristeza em depressão - falta de paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A humanidade busca, desesperadamente, a felicidade - um abrigo no coração do outro. A questão é que, muitas vezes, a buscamos de forma errada. Ao direcionarmos o desejo, o camuflamos. Com a abundância de opções de entretenimento, o desejo humano deslocou das instâncias afetivas para as instâncias de consumo - sofisticamos nas aquisições. A economia do Brasil vai bem, mas a educação vai mal. No item consumo de bens materiais, somos campeões, mas no de bens culturais somos pífios. Desdobramo-nos para suprir os filhos de celulares, jogos eletrônicos, mas não gostamos de investir em livros e cursos. O país carece de mão de obra qualificada, inclusive no alto escalão das grandes empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como adquirir objetos de desejo não satisfaz a demanda interna, não obtura a falta ôntica - incompletude originária -, acabamos nos embreando em mata escura. O bem-estar prometido pelo mundo financeiro, ao vincular conforto interno com mercadoria, fracassa. Ir às compras não hidrata a alma, tampouco nos torna melhores profissionalmente. O otimismo apenas no consumo é mais uma falácia que querem nos vender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que metafísica pode existir numa refeição fast food? Em que transcendência os objetos nos transportam? A genialidade do marketing consiste em transformar coisas banais e corriqueiras em grandes acontecimentos. Que fantasia há numa ida ao shopping, num big mac? Ao consumir os representantes do capitalismo globalizado, as crianças se sentem integradas. Como se os objetos garantissem uma filiação - lugar de pertencimento e posição de prestígio. Os objetos operam com a sensação de acolhimento - aquisições com efeito de reconhecimento. Criar filhos na cartilha do consumo frio e desidratado é padecer no deserto e expô-los às mazelas da hipermodernidade. Muito barulho por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida mercadorizada destrói esperanças e personalidades. Ao perder o desejo de lutar por outras concepções de vida, atolamo-nos na desavergonhada crença no consumo como solução da insatisfação humana. Como suportar a dor de se ver no limbo do comum, do ordinário? Cultuar a si próprio, brincar com lembranças e explorar fantasias é recusa aos fragmentos de um reinado que ruiu - palco sem espetáculo e praça sem coreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 16/10/2010 no caderno Pensar do jornal EM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5888520677706429881?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5888520677706429881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5888520677706429881&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5888520677706429881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5888520677706429881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/10/fantasiarbrincar-e-cozinhar.html' title='Fantasiar,brincar e cozinhar'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-1288125709774802733</id><published>2010-10-08T07:38:00.003-03:00</published><updated>2010-10-08T07:47:22.843-03:00</updated><title type='text'>Cordialidade cínica</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senado surge no Império Romano como assembléia de patrícios, constituída por magistrados, senhores senis e experientes que primavam pela felicidade coletiva da pólis. Para Aristóteles, a política é o desdobramento natural da ética, quando cabe aos políticos se ocuparem com a felicidade da pólis, quando a virtude está no meio-termo - condição ideal para se viver bem, evitando os extremos. O vício é efeito da falta ou do excesso. República é um sistema de governo que visa democratizar o Estado, tornando-o público e priorizando os interesses dos cidadãos que elegem seus representantes. Aristocracia é um governo monopolizado e controlado por um grupo de privilegiados, representantes de uma casta, fidalguia com foros de nobreza. Cordialidade cínica é o comportamento que prevalece hoje na política brasileira, quando políticos, temendo a lei, preferem absolver alguns corruptos a serem também fiscalizados e condenados, livrando os colegas das acusações. Cordialidade - traço que Sérgio Buarque de Holanda apontou como do brasileiro, é aqui identificado como permissividade perversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roriz, Arruda, Maluf, Collor, Calheiros. Todos já foram processados em suas trajetórias políticas, e alguns desejam se reeleger nas eleições de 2010. Pelo visto, vão encontrar uma brecha na Lei do Ficha Limpa que impede a candidatura de políticos condenados por decisão colegiada. É comum, no Brasil, os políticos darem um jeitinho e escorregarem, escapulir e continuar livres para roubalheiras e falcatruas. Calheiros é senador pelo estado de Alagoas (PMDB). Cresceu em Murici entre pobres e ricos, usineiros e bóias-frias, coronéis e retirantes. Ali fez escola para assumir o senado, lugar privilegiado, no Brasil, para se construir impérios. Entre estratégias e artifícios escusos, tapinhas nas costas, propinas, o moço alçou vôo. Collor e Calheiros representam o atraso implantado pelos coronéis do nordeste. Deflagra o Brasil arcaico e faz inveja aos que temem a lei - somente o perverso e destemido que desafia a lei, esbanja cinismo e hipocrisia. Do outro lado, as vítimas, ora das enchentes, ora da seca, afundam na miséria. Alagoas é o nosso Haiti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seca tem poderes ambíguos - ao provocar a miséria, abre espaço para os espertos explorarem a população e sua condição de miserável. Contudo, a seca gera riqueza e cria mecanismos de desvio de dinheiro público. É uma indústria que sangra anos lama do subdesenvolvimento político do qual Alagoas é apenas mais um exemplo. O Brasil tornou-se refém da ambição e da mentalidade atrasada que se alastrou pelos latifúndios e usinas de açúcar. A desfaçatez da elite agrária deixa herdeiros. Muitos políticos conservam traços do escravismo e do latifúndio: casa grande &amp;amp; senzala, coronelismo, voto de cabresto, currais eleitorais. O voto era garantido pelo fazendeiro em troca de favores. Foi nessa escola que muitos políticos se diplomaram. Um povo que permite tanta descompostura e perversão de seus políticos, ou está com a autoestima em frangalhos, ou perdeu as forças para lutar. O Brasil é hoje uma nação desesperançada - cansada de esperar dos homens que ocupam o poder, ética. Acontece que política exige mais que esperança, exige uma opinião pública forte, participativa e atuante, tudo que só agora estamos construindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Brasil não combater a desigualdade social de forma efetiva, com educação de qualidade, escolas técnicas, emprego e oportunidades, não banir o foro privilegiado, riscando de nossa Constituição o tratamento desigual e perverso, sobretudo a imunidade parlamentar, nunca iremos mudar de posição. Sempre seremos um país violento, inseguro e injusto. País cujo Senado, além de pouco operante, é um dos mais caros do mundo. Enquanto o garoto da favela ligar a televisão e for incentivado por deputados e senadores a roubar e matar, dificilmente a violência vai diminuir no Brasil. Eles apenas colocam em prática o que os poderosos realizam há anos. O alvo será sempre o indefeso, o mais fraco – pobre, negro, mulher e homossexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os governantes sempre trataram o povo com desdém e descaso. A imagem do Brasil é de uma mãe que, sem escrúpulos, discrimina uns filhos e privilegiam outros - rapagões que só sugam o leite dos menores. Os nordestinos, cuja vida sempre foi severina, não mereciam assistir à espetacularização dos bandidos, heróis da desfaçatez e da arrogância. Muitos devem se envergonhar de seus patrícios emplumados em seus conservadorismos. Aos retirantes, resta desbravar outros sertões, pois Passárgada só existe para os amigos do Rei. Os políticos há muito vem vendendo a alma aos demônios. Demônio é aquele que, na falta, viciou-se no excesso. Excesso de riquezas, cinismo e desonestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que denunciar e chamar a nossa atenção, devemos fazer uma revisão nas posturas cínicas e antiéticas que temos demonstrado. Cinismo é isso, além de não assumirmos os erros, ainda queremos deles tirar alguma vantagem. No Brasil do “jeitinho”, está cada dia mais difícil cobrar da moçada ética e cidadania. Se a melhor forma de educar é por meio de exemplos, onde que os jovens irão encontrar disponíveis posturas que os deixem honrados e orgulhosos? As atitudes que dominam a cena política são as piores – senadores e deputados envolvidos em crimes se elegendo. A questão está na impunidade aos infratores. Errar é humano, contudo, quando deixamos de submeter o sujeito em correções e punições, eternizamo-lo na anomia - atos perversos, fora da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o Brasil foi se tornando um país frouxo no cumprimento das leis? Quando os políticos autorizam um colega envolvido em corrupção a continuar legislando, sem sofrer sanção, eles estão formando uma nação de corruptos e criminosos. Não existe autoridade desvinculada da figura paterna ou de quem a exerce – presidente, senador, pai, professor. Ela resulta de mecanismos eficazes na regulamentação do excesso de gozo. A lei, para ter eficácia, tem que valer para todos. Quando não oferecemos aos jovens exemplos de honestidade e respeito ao outro, convidamo-los a usar a violência e o poder para atingir seus objetivos. Como transmitir aos jovens a lei simbólica, exigindo que caminhem na legalidade? Sabemos que a força é insuficiente para impor respeito e cobrar ética, cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética passa pela alteridade, quando o outro entra em cena. Para que a ética prevaleça numa comunidade, ela tem que lhe conferir sentido. Onde está o sentido de se viver num fundamentalismo consumista e competitivo, em que a maioria quer vencer a qualquer custo? Quais os valores fundantes de nossa sociedade? Educamos os filhos em valores que não estão relacionados ao espaço público. Os interesses privados sufocam interesses como solidariedade e amizade, colocando em risco a vida na comunidade. O dia em que perdermos o elo que une uma nação, perderemos também a autoridade necessária na condução de um país. Mergulho na desordem absoluta, no desrespeito ao outro. Ética é a arte do bem viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lógica da cidadania deslocou-se para a ótica do consumidor. Se o sujeito for endinheirado será bem recebido, querido e respeitado nos estabelecimentos comerciais. O Brasil sempre dispensou tratamento diferenciado aos colarinhos brancos, corruptos ou não. É quando o garoto descobre que, para se dar bem, basta ser rico, poderoso e famoso – valores que certamente vão lhe garantir mulheres bonitas, reconhecimento e deferência. Estamos ensinando ética como se fosse algo que, junto a direitos e privilégios, se compra. O Brasil vive uma esquizofrenia social - de um lado as classes abastadas reivindicam privilégios, de outro o Estado não garante os direitos às classes de menor poder aquisitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criminalidade envolvendo jovens deflagra a cultura perversa que sustenta o imaginário do brasileiro - as contravenções sociais dos políticos e dos pais os desobrigam a respeitar as regras da boa convivência. A autoridade sustenta-se no imaginário que os filhos (cidadãos) constroem do pai privado e do pai social. O pacto social só se opera por meio do pacto edípico. O outro não pode ser visto como possibilidade de ganho e desfrute, alguém que porta objeto ou possui algo que nos provoca inveja e desejo. Reivindicar respeito é recusar privilégios. É não disseminar revolta, é saber conquistar bens materiais sem provocar inveja, frustração. A riqueza é pernóstica quando persiste no meu próximo o sentimento de abuso, de ganho indevido, desonesto. Como não implantar no próximo o desejo de ocupar o lugar de privilegiado, daquele que se deu bem e, sem constrangimento, circula na ilegalidade? Na selva cínica, salve-se quem puder, a menos que os pais incluam, na mamadeira do filho, ética todo dia. Cinismo cordial é veneno que corrói a alma social.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-1288125709774802733?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/1288125709774802733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=1288125709774802733&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1288125709774802733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1288125709774802733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/10/cordialidade-cinica.html' title='Cordialidade cínica'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-1841536440065653852</id><published>2010-09-27T21:43:00.000-03:00</published><updated>2010-09-27T21:45:02.086-03:00</updated><title type='text'>AMOR E BRILHO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme O brilho de uma paixão relata o romance ocorrido em 1819, entre o poeta John Keats e sua vizinha, a estudante de moda Fanny Brawne. Os dois jovens, embevecidos pela sedução, se entregam à paixão. O amor arrebatador e obsessivo é interrompido pela morte prematura de Keats, aos 25 anos. O filme prima pela forma delicada e sutil com que trata o sentimento entre os amantes. O amor é o personagem - o casal apenas se submete à ordem amorosa, que comanda o roteiro fiel às regras do coração. Nada soa como inverdade, simulação. Um amor que se inicia pelas entranhas da alma e segue invadindo tudo. Sentimento autoritário, que não deixa dúvida, tampouco escolha. Ou nos submetemos a ele ou somos por ele sucumbidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, O brilho de uma paixão nos carrega: mergulhamos na dor e nos tornamos cúmplices do sofrimento que se arrasta com a doença do poeta. Não é o sofrimento que nos tocou, incomodou, mas a beleza em conseguir retratar a intensidade que se apossa de Fanny, ao saber da morte do amado. Extasiados, trememos. O mundo, junto a ela, paralisou. Cenas como essas nos enchem de prazer. Toda vez que a arte é fiel à realidade e retrata o sentimento humano de forma aguda, deslumbramos. Significa que o grande personagem da vida é o sentimento. E a felicidade, essa coisa gostosa que nos transporta para as nuvens, passa pela sabedoria - saber provocar a densidade luminosa que cochila em todos nós.   &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Abandonamos a atmosfera idílica do século 19 e aterrissamos na era do amor instrumentalizado, desbotado. A ética amorosa que nos orienta é a da permissividade. Ela nos lança aos modismos descabidos e invade o campo antes reservado às intermitências do coração. Amor é coisa séria, vulcão que cospe - cão que vocifera e esbraveja de dor. O amor sempre foi tema que arrastou multidões. Sentimento universal, contraditório e imprevisível, impossível de ser planejado, instrumentalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais broxante do que o discurso amoroso articulado pela ciência, propondo o apagamento do sujeito, controlando e determinando a emoção: “A ciência já sabe explicar por que alguns casais mantêm a atração sexual durante décadas” - frase veiculada por uma revista semanal. Outrora, o roteiro amoroso respeitava os mistérios da paixão. Segredos, fantasias e carícias vivenciadas na alcova. A alegria entre os enamorados estava na coragem de se despirem um diante do outro, em enfrentar temores e fracassos. Prazer por se sentirem únicos na construção de um enredo íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou-se lugar comum depararmos com reportagens insistindo em ensinar como devemos nos portar na conquista afetiva. Os “workshops de paquera” ganharam adeptos. A ciência, ao invadir campos da vida humana, denuncia a fragilidade do sujeito diante de estratégias mercadológicas, que, de forma arrogante, lança seu discurso absoluto, infalível. A narrativa da ciência, ao se colocar como perfeita, denuncia autoritarismo e se compromete. A condição humana é esburacada, cheia de fendas. Somos muitos, habitamos uma legião complexa de dúvidas, culpas. Ao excluirmos o sujeito de sua história amorosa, “atribuindo à ativação de um circuito na área tegmentar ventral ao mesencéfalo”, desqualificamos os segredos da sedução. Impossível negar a importância da genética e da neurociência em tratamentos antes impensados. Contudo, permitir que ela mapeie o coração, como se fosse cérebro, classificando impulsos e desconsiderando o que, em cada um, mobiliza-se pelo outro, é admitir que nos transformemos em robôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escolhas amorosas são de outra ordem, profetizou Drummond: “Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija”. O amor nos reserva nulidades, sentimentos despretensiosos e fantasias sem sentido. O amor é para ser vivido; e não explicado, classificado. Uma noite de amor não é uma aula de anatomia. Sensações que, antes de serem elucidadas, vulgarizadas, merecem ser contempladas. A ciência, ao intervir no corpo humano de forma absoluta, disseca a psiquê como um fóssil e despreza a dimensão erótica. Desafetar - subtrair o afeto que nos une ao outro. Como explicar o processo de assepsia e higienização das pulsões? O corpo vivente não é coisa para ser detetizado, estratificado, cientificizado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os sem desejos – assexuados começam a sair do armário e, com a ajuda da internet, assumem a indiferença pelo sexo”. Eis outro sintoma registrado pela mídia e que merece reflexão. Jovens revelam não sentir desejo por sexo e trocam confidências por meio da Comunidade dos Assexuados. “Acho que sexo pode até ser legal, mas não é o principal. Se eu encontrasse caras que se contentassem apenas com afetos e carinhos, ficaria feliz para o resto da vida, porque, hoje em dia, está tudo tão sexualizado, tão carnal” - confessa um integrante da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos traçar paralelo entre o excesso de permissividade e a perda de libido? O fastio pelo sexo, acusado por alguns jovens, reflete cansaço, certo enjôo. O recato, a dúvida e o desconcerto que envolvem a experiência sexual intensa e sedutora devem ser sacramentados. É o sublime da vida - néctar que os deuses nos proporcionaram. Ao instrumentalizar o sexo, retiramos dele a substância que hidrata a alma. Quando comemos em demasia, sentimos aversão pelo alimento ingerido em excesso. A falta de entusiasmo e emoção dos jovens não é decorrente da troca de olhares sedutores, convites carinhosos, mas do lugar antropofágico que o sexo vem ocupando. Lembramos que o desejo se sustenta na ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inconsciente é aquilo que, na linguagem, surpreende, não mente - sai desavergonhadamente. Em que mundo o inconsciente se sustentará quando a sociedade exclui o sujeito de seus enunciados? Pobreza simbólica, empobrecimento do inconsciente. O objeto que causa desejo deve ser investigado quando queremos saber mais sobre as pessoas – sonhos, devaneios, fantasias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência se dirige ao consumidor para que ele demande objetos a serem consumidos. Este, ao consumir, encarna o escravo, aquele que obedece e se anula na obediência e submissão. Quando o objeto que causa desejo é destacado do sujeito, há o processo de assexualização. Todo sujeito é marcado por objetos – voz, olhar, gestos, seios. Rastros que cochilam no inconsciente e que orientam a sexualidade. Objetos perdidos que mobilizam o sujeito na busca por experiências de satisfação. Sem isso, o sujeito circula desprovido de referências amorosas - traços que vetorizam as escolhas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito, quando aniquilado em sua particularidade e moldado pela lógica externa, opera uma demanda. Exilado de sua subjetividade, circula oco e disponível. Presa fácil a ser capturada pelos piratas da contemporaneidade. As novas formas de subjetivação agenciam o sujeito inserido nos novos conceitos de tempo, memória, distância, afeto, sexo, família e espaço. No ciberespaço, ele é estruturado na linguagem da tecnociência. Espaço virtual e preciso, comandado por autoridades invisíveis. Autoridade a que, atualmente, os jovens obedecem com sucesso. É aos comandos das máquinas que eles se submetem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito cultuado pela tecnocultura opera e executa tarefas. Performático, gasta a libido diante de telas e se delicia entre mulheres virtuais. Os comandos são enunciados e deles se espera resultado, o produto. Já a enunciação se relaciona com o processo. O ato contínuo de manipular aparelhos provoca esvaziamento. O jovem que mergulha em experiências amorosas sem contato com o outro, sem retorno interior, é forte candidato ao estresse e à depressão. Exilado dos laços afetivos e desvinculados da enunciação, desconhece as intermitências do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor é surpresa, algo que começa onde menos esperamos. Sentimento que irrompe, atravessa o escuro e nos encanta. Sabedoria no amor é treino, demanda habilidade, tramas e artimanhas. Entranhas que causam estranhamento. Sentimento desobediente, uterino, visceral. Amor e Eros não devem servir para muito mais senão iludir e encantar a alma mendiga. Ao reconhecer no outro fragmentos que nos são familiares, vislumbramos a possibilidade de um encontro fecundo, pleno. “Para me interpretar e formular-me preciso de novos sinais e articulações novas em formas que se localizem aquém e além de minha história humana. Transfiguro a realidade e então, outra realidade, sonhadora e sonâmbula, me cria”, atesta Clarice Lispector.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor que satisfaz é o que cria, inventa, seduz, faz poesia e faz chorar. Entope-nos de ternura, nos tira do sério - mas nos deixa livres para voar e aterrissar. De posse da terra, conduzimos as contradições do coração. Tormento que ora dói, ora nos derrete de alegria. E nos enche de brilho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 25/09/2010 no C. Pensar do EM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-1841536440065653852?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/1841536440065653852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=1841536440065653852&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1841536440065653852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1841536440065653852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/09/amor-e-brilho.html' title='AMOR E BRILHO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-2722364729930767997</id><published>2010-08-26T08:10:00.001-03:00</published><updated>2010-08-26T08:10:52.413-03:00</updated><title type='text'>DEVASTAÇÃO NA WEB</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil exibe imaginário social de país idílico onde aportaram Baco e Dionísio, expondo fragilidade e ineficácia na interdição paterna. Nesta terra, samba, mulata e sexo soam como palavras de ordem. Cenário que promete gozo para os que aqui aterrisam. Concordando ou não com os significantes que definem o Brasil pelo mundo afora, resta-nos investigar a nossa participação na construção de tal imaginário - e como, ao longo de nossa história, ele foi se solidificando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa herança de país onde tudo é permitido – paraíso do turismo sexual, terra sem interditos paternos para barrar os excessos – merece reflexão. Ao analisar a falta de interdição capaz de regulamentar o apetite pelo gozo, os excessos pulsionais, deparamos com atavismos e fantasias que fundam nossa mitologia. A tradição das mulheres, no carnaval ou fora dele, em escancararem o corpo, expondo intimidades, associa-nos à “abertura dos portos às nações amigas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permissividade, corrupção, usurpação, exploração, desrespeito e servidão. Revisitando determinações históricas dos processos de subjetivação, deparamo-nos com o descaso pelo outro, pela res-pública (coisa pública). A subjetividade do brasileiro nos remete à era colonial, cuja construção se realizou com a função precípua de servir à metrópole - atender a desejos e pulsões sexuais da corte que aqui desembarcava. O ethos que nos funda é o da submissão escravocrata. Como explicar a disponibilidade feminina, a falta de escrúpulos em atender aos desejos e caprichos masculinos? Ou a loja de lingerie que lança sua liquidação com a frase: “Abaixamos as calças”? Como nos desculpar pelas mães que incentivam as filhas, ainda muito jovens, a fazerem intervenções no corpo  como cirurgias plástica e lipoaspirações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel que a sedução do corpo perfeito exerce em nossa sociedade revela traços de  filiação e submissão aos imperativos do gozo. Filhos bastardos do colonizador - o explorador que aqui aportou e fez fortuna, engravidando índias e africanas. Frutos da relação falaciosa, pérfida - vítimas da própria sedução, beleza e charme. Agimos como mulher fácil que entrega o ouro para o primeiro bandido. Como num dos hits de carnaval - “Quem vai querer minha piriquita/ que há muito tempo estou doida para dar?” Promiscuidade, leviandade, autodesvalorização - significantes que atravessaram nossa história. Não é por outro motivo que os americanos estão de olho na Amazônia - floresta, ouro, sexo. Como explicar a dificuldade em interditar o desejo do outro? A recusa em mudar de posição e abandonar a senzala revela gozo em servir – relação senhor e escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As campanhas de carnaval veiculadas pelo Ministério da Saúde gostam de espalhar pelo país outdoors com mensagem recomendando o uso de camisinhas: “Quem é bom de cama usa camisinha. Qual é a sua atitude na luta contra a Aids”? Será essa a melhor forma de prevenção da Aids? Incentivar o sexo, precocemente, tornou-se palavra de ordem. O que esperar de um país que convoca jovens e adolescentes à cama? O carnaval não deveria ser divulgado mais como festa nacional - apoteose ao samba e à nossa identidade musical - e menos como incentivo a vivências sexuais, antecipando impulsos e desejos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trabalho sério de prevenção ocupa, durante todo o ano, agenda familiar, escolar e governamental, e não bombardeia cabeças apenas em época de festa. Ou o Brasil prefere se eternizar na posição de bordel do mundo - prostíbulo tropical que esbanja, além de violência, noitadas e orgias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da música que oferece a “piriquita”, assistimos a meninas dançando  coreografias eróticas em que jogam a virilha para frente, a bunda para trás, abrem as coxas e cantam: “créééu! créééu!” E seguem se oferecendo. Como esperar que o mundo tenha  outro olhar sobre o país, com país aplaudindo a filha em danças sexualizadas e fantasiando os filhos de Bope – com direito coletes à prova de balas e caveira cruzada nas costas,  símbolos do Batalhão de Operações Policiais Especiais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sexualidade humana é suporte e opera como escudo - pano de fundo para  emoções e decepções afetivas. Ela expressa a nossa singularidade. Se a antecipamos e vulgarizamos, abrimos caminho para a devastação. Viver sobre o imperativo do gozo é disponibilizar a alma para o demônio – tentação sem freio. A vida humana não pode ser conduzida e influenciada por frases, músicas e fantasias descabidas. As palavras, como as imagens, contaminam o inconsciente e produzem efeito. Provocar a mente de crianças com mensagens e coreografias que banalizam o sexo, expô-las a questões inadequadas à idade são atos que trazem conseqüências negativas, desencadeando estímulos e provocando erotização precoce. Isso culmina em distúrbios hormonais e favorece a gravidez precoce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sexualidade humana se inicia quando nascemos. É processo longo, percurso que, outrora, era cheio de rituais e magias. Os encontros se iniciavam entre olhares cobiçosos que geralmente culminavam em namoro. Namorar, demorar - deixar a alma morar no outro. Amar é se desembrulhar para o outro. No meu tempo, as moças demoravam a se desembrulhar. A cada encontro, entregavam mais um pedacinho – segredos, temores e fracassos.  A pressa moderna simplifica gestos e rituais que reverenciam o encontro sexual, banalizando emoções, sentimentos, sonhos e ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pouca coisa deve ser pior para uma adolescente do que se ver grávida. A experiência da maternidade exige preparo de mulher madura - implica dedicação e muito trabalho. Contudo, não podemos cobrar isso de uma garota. A gravidez precoce evidencia a dificuldade dos pais em orientar e impor limites a filhas e filhos. A permissividade está solta - lan House, TV, internet, web, videolocadora. Estamos deseducando quando não regulamentamos o cotidiano que cerca a criançada. De propagandas que estimulam consumos e excessos aos telejornais, que exibem práticas de violência, corrupção, criminalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgamos naturais as práticas sexuais precoces. Poucos conseguem segurar a turminha que cresceu se erotizando em programas televisivos, conversas com bonecas que namoram e freqüentam baladas. É comum depararmos com mães indagando se devem oferecer pílulas e preservativos à filha de 13 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, ao embarcar na lógica da tirania do prazer, ao julgar que todo desejo deve ser consumado, esquece que viver implica limites, frustrações. Educar implica vigilância constante. Os pais não podem atender os filhos em tudo. Permitir tudo é convocar o inferno, instalar o caos, a barbárie. Somente poderemos aspirar a um outro imaginário social quando não mais confundirmos liberdade com permissividade, alegria com leviandade, tesão com promiscuidade e inteligência com precocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Educar exige firmeza, o que é diferente de rigidez. A sociedade que nos convoca ao gozo eterno coloca desafios aos pais o tempo todo. Como inserir o filho nos limites da lei? Muitos adolescentes que se exibem nos Twitcam não sabem que estão cometendo crimes informáticos, desconhecem o que está dentro ou fora da lei e revelam a forma ingênua e despreparada em que são educados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais desavisados, pouco informados, mãos à obra. A condução de uma vida é tarefa para lá de difícil, função que requer determinação, disposição e coragem. A garota que experimenta muitas emoções de uma vez, sem processá-las, esquece-se de que sexualidade é devir, fardo a ser debulhado. Devastação é pular etapas e se despir sem cerimônia, parcimônia. Como as adolescentes que se exibem diante de webcams. Despreparadas e de forma despretensiosa, as meninas oferecem os seios e outras partes do corpo. Partes que eram íntimas agora se tornaram públicas. Publicizamos o privado e privatizamos o público. O carnaval inundou o país. O ano todo tem striptease na web.  Banalizar, colonizar, se deixar usar e explorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Educar exige renúncia. Será a sexualidade feminina igual à masculina? Liberdade sexual significa transar com qualquer um? E a igualdade entre os sexos, é factível? A sexualidade feminina, decididamente, não é igual à masculina. A modernidade é conduzida, cada vez menos, por mitos, tradições e fantasias. Difunde saber científico que transforma desejo em imposições descabidas e insanas. As novas modalidades de gozo, os exageros no vivenciar a sexualidade nivelam as formas de usufruir do corpo e estabelecer laços sociais. O mercado não pode devastar sexualidades, impor formas de expressar sentimentos, unificar linguagens e suspiros que brotam de dentro. Isso, sim, é devastação. O que temos é adolescente desiludida com a possibilidade de ser agasalhada no amor. Entristecida, despe-se entre leões e gladiadores, como no colizeu romano.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 21/08/2010 no EM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-2722364729930767997?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/2722364729930767997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=2722364729930767997&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/2722364729930767997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/2722364729930767997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/08/devastacao-na-web.html' title='DEVASTAÇÃO NA WEB'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5443008613850157055</id><published>2010-08-09T22:03:00.000-03:00</published><updated>2010-08-09T22:04:13.626-03:00</updated><title type='text'>AMOR NO MASCULINO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O filme Vida de casado conta histórias de infidelidade. Harry, o marido, apaixona-se por Kay e procura Richard, seu melhor amigo para comunicar a decisão de se separar. Harry se considera bem casado com Pat. Supondo que Pat não suportaria a separação, e por não querer vê-la infeliz, sofrendo e solitária, resolve matá-la. Pat, por sua vez, está apaixonada por um outro. Enquanto Harry arquiteta a morte da esposa, Richard resolve cortejar Kay, traindo o amigo apaixonado. Eles iniciam um romance e Kay comunica a Harry a decisão de encerrar o caso, atribuindo ao fato dele ser casado. Harry, desesperado, sai da casa da amante e corre para sua casa. Precisava impedir que a esposa ingerisse o veneno que lhe preparara. Chegando, a encontra viva, olha-a com compaixão e diz que a ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O filme é ode ao amor e ao casamento. Ele não perdoa, joga na tela toda a dificuldade que envolve sentimentos e tomada de decisões – assumir-se frente ao outro que o amor acabou. Numa análise simplista julgamos que o mote é a infidelidade. Fidelidade é conceito dialético. A quem devemos ser fiéis, ao nosso sentimento ou ao sentimento do outro? Contrariar o outro, deixar de corresponder aos sentimentos que ele nos dedica, não significa que estamos traindo, mas deixando de amá-lo. Não há nenhuma vantagem em mantermos um casamento infeliz. Compaixão é sentimento ambíguo e nos conduz a encruzilhadas. Ninguém permanece numa relação que não garante retorno, algum ganho. Muitas vezes, esse ganho é secundário, mantemos uma situação de compromisso com as neuroses. Uma forma de permanecer na mesmice, nos poupando de assumir escolhas, arcar com decisões e responsabilidades. A repetição revela parceria com a morte, um fundo de culpa. A culpa cristã de não “fazer o mal ao outro”. Se agirmos em desacordo com nossa dignidade, fazendo concessões, ficamos mal conosco e infligimos a ética do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Embora o filme coloque ambos os gêneros na mesma situação, a experiência clínica revela que, quando se trata de assumir posições, os homens apresentam maior dificuldade. Geralmente, quando um casal se separa, é a mulher que pede a separação. Historicamente, a infidelidade conjugal é maior do lado masculino, o que reforça a ‘cultura do escape’ ao qual o masculino está submetido. O imaginário masculino do amor é mais sexo e menos carinho. Muitos buscam no casamento mais que sexo, eles também querem aconchego e proteção - casa organizada, funcionando a todo vapor. Acredito que a maioria das mães, no Brasil, educa os filhos homens para dependerem da mulher. Primeiro, dependem das mães, depois, muitos contam com a boa vontade e paciência das esposas. É comum ver homens inteligentes, grandes profissionais em enrascadas, se atrapalhando quando necessitam desempenhar trabalhos domésticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se recorrermos à história do Brasil, ao passado colonial, escravista e patriarcal, encontramos explicações para a cultura antropocêntrica. É o Brasil arcaico que insiste em não crescer, evoluir. Nos países avançados, quando o profissional de serviços domésticos são raros e caros, os homens assumem participação nos afazeres domésticos. Que vantagem há em educar os filhos totalmente dependentes? Não se trata de convocar homens e mulheres ao tanque e à cozinha, mas debater o quanto equivocamos ao não inseri-los na vida de dentro, intimidades e especificidades - sentido de parceria e companheirismo. O ambiente doméstico é um bom espaço para iniciar a criança no respeito pelo trabalho alheio, desalienando-o. Fora da cama, em casa, muitos homens agem como analfabetos. “Analfabetos funcionais do lar”. Gostam de permanecer na posição do “eterno filho da mamãe”. Nesse particular, Freud nos confirma: “não há amor mais intenso que o de uma mãe pelo filho homem”. Grosso modo, sem entrar em questões edipianas, constatamos que muitas mães não educam o filho para a vida amorosa. Pelo contrário, ela não vê com bons olhos a intrusa, essa ladra que roubará o filho querido – rivalidade feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa separação, o que mais dói é a sensação de perda - sentimento difuso. Não temos consciência do que perdemos no “objeto perdido”. Entristecemos por nos ver privados da sensação de protegidos - ungidos pela promessa de amor que tanto nos confortava. Sofremos por perder a afeição pela pessoa amada, por ela não mais ocupar o lugar de prevalência em nosso coração. Por não sentirmos desejados, tampouco desejantes. Constatar que o amor acabou é se ver no deserto, jogado à própria sorte. Gostamos de nos iludir, criando justificativas para conservar algo que já se foi. Preferimos adoecer a abandonar o mesmo. O filme se debruça diante da recusa de nos  destrincharmos para o outro. Muitos fogem, partem sem elaborar e acumulam repertórios de relações abortadas. Vão e carregam o mal-estar de se sentir órfão de um amor “que tanto amava”. Poucos, à vontade, deslizam na esteira de sentimentos. O que fracassa não é a relação, mas nós ao deixarmos de olhar para não nos ver lá, onde, junto ao amor, deixamos de fluir. Interrompemos uma história de amor, mas não interrompemos velhas neuroses - a obsessão da boa imagem, o gozo em escapar de críticas e restrições. Amar é desatar nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Fidelidade, medo de ficar só, culpa ou dificuldade de elaborar o que nos bole por dentro? Como escapar da miserabilidade humana que banaliza os sentimentos e prega o amor mercenário? Por que poucos se empenham na manutenção do encantamento? Atribuir apenas ao outro a responsabilidade pela felicidade é injusto. É muita pretensão julgar que, sozinhos, somos capazes de fazer o outro feliz. Antigamente, diante do altar, um prometia ao outro fazê-lo feliz. A melhor forma de acabar com o encanto é entrar numa relação e aceitar tamanha carga. A chance da felicidade a dois é tramada na cumplicidade. Sem disputas e competições, podemos até tocar um pedacinho do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Saramago, escritor português e prêmio Nobel, viveu amor intenso com Pilar del Rio, jornalista espanhola. Na época, Saramago vivia só. Embora atormentado com os rumos do mundo atual, exemplificava “o homem bem em sua própria pele”. Expressão que ilustra o sujeito apaziguado, em harmonia com seus demônios. Geralmente, os escritores são pessoas inquietas com o jogo do poder, a lama oculta nos subterrâneos das instituições. Fedor sufocado em frascos dourados. Saramago escancarou feridas - sacras e profanas. Contudo, soube realizar a conexão entre  vida de fora e vida de dentro. Debruçado sobre o mundo, reverenciou o amor. Não estabeleceu dicotomia, construiu a ponte da felicidade enlaçando escrita e vida íntima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago registrou nos relógios da casa a hora em que conheceu Pilar. Todos paralisados na “hora do amor” - quatro da tarde! Artifício que eternizou a emoção do primeiro encontro - instante mágico, misterioso, delicioso! Inscrever a sensação de felicidade, prolongar, ao máximo, a condição de feliz. É quando, sob o sentimento de grandeza, potenciamos o belo, o contentamento por gostar. “Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter; ter deve ser a pior maneira de gostar”. Em linguagem poética, nos lembra o quão ridículo é confundir “gostar” com “possuir”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lamentar pela relação e pelo tempo em que, juntos, poderiam promover coisas valiosas. A  sensação de que “algo se esvai sem justa causa” nos arrasa. Quando cada qual caminha díspares nas  fantasias, é sofrimento que se espera. Saramago encontra em Pilar um lugar em que pudesse “ser”. A carne sente forte impulso em ser penetrada quando tocada fundo - algo cutuca o coração, mexe com as entranhas e desequilibra a libido. É a danação do desejo que chega e bota tudo de perna pro ar. O amor é a única tirania aceitável. Uma mulher de 35 anos se apaixona por um senhor de 63 anos. O que representa 28 anos de diferença quando os interesses são da mesma idade? Não existe amor desencontrado pela idade, existe amor que não se descobriu nas afinidades. Todos deveriam percorrer o caminho de dentro, ele oculta fiordes. Amor gestado no cimento das cidades, articulado e consumido no imediatismo do mercado, é amor frouxo e pouco suporta os trancos do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago metaforiza o homem que, embora idoso, não se envergonhou de continuar perseguindo o amor. Não se contentou com as migalhas de afeto que a vida lhe reservava. Lutou por muito mais. A grandiosidade do amor exige humildade e sabedoria. Como entrelaçar palavras e conjugar verbos de uma outra boca? Penetrar em sentimentos estrangeiros, diferentes concepções de vida e prazer? É o jogo do decifrar - debulhar o rosário da existência. Contentamento e alegria encontram um lugar no desejo. Saramago fez valer o desejo de felicidade, abandonou a arrogância e pediu ajuda a Pilar. Queria pular, com ela, os tocos da caminhada. Desvelar entraves, traumas e neuroses é preparar o caminho para o amor. Encontro sonhado e, muitas vezes, mal tratado.&lt;br /&gt;Ocupamo-nos com os cabelos, o celular e o futebol, mas poucos se dedicam à aprendizagem. Como transitar melhor na vida intima e manejar as intermitências do coração? Amar, verbo intransitivo. Com Mário de Andrade descobrimos que “o amor deve nascer de correspondências, de excelências interiores. Espirituais, pensava...De noite uma ópera de Wagner, Brahms”. Quão profundo e sério é convidar uma pessoa para o amor! Compartilhar uma trajetória, tecer um tempo, destilar emoções. Se nos bastamos e não queremos dividir o pão da vida com o outro, evitemos o verbo amar. Amor mísero é o que nos espera quando mergulhamos na cultura do escape. Quando o parceiro, desencantado, escolhe o benefício da morte ao desimpedir-se para outro amor. Forma pouco sábia de se iniciar um novo romance. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado no C. Pensar em 7/8/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5443008613850157055?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5443008613850157055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5443008613850157055&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5443008613850157055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5443008613850157055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/08/amor-no-masculino.html' title='AMOR NO MASCULINO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-8774020244497631829</id><published>2010-07-28T21:04:00.000-03:00</published><updated>2010-07-28T21:06:45.159-03:00</updated><title type='text'>FUTEBOL, PODER E MULHER</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliza e Waris. Duas mulheres unidas pela violência. O filme A flor do deserto é a autobiografia da somali Waris Dirie, que, aos 3 anos foi circuncidada. Waris, infeliz com o que o futuro lhe reservava, foge após ser vendida, aos 13 anos, para um marido. Sob pele e osso, atravessa o deserto por dias e chega à Morgadishu, capital da Somália, onde passou a adolescência sem ser alfabetizada. Seguiu para Londres, onde trabalhou alguns anos como faxineira na embaixada da Somália e, posteriormente, num restaurante fast food, foi descoberta pelo fotógrafo Terry Donaldson, que a transforma numa modelo internacional. Essa é a história de uma mulher que passa grande parte de sua vida em busca de dignidade, afeto e amor. Waris ansiava em ser reconhecida como ser humano, merecedor de carinho e respeito. Construir uma história diferente das mulheres somalianas, quando é proibido ter prazer com o corpo, não escolhem seus maridos, tampouco podem deles discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Waris e Eliza Samudio, duas mulheres marcadas pela violência. Waris sofreu uma intervenção radical no sexo impedindo-a de se sentir mulher. Eliza é punida até a morte pelo ex-amante por desejar ser mãe, criar o filho e construir um lar que nunca teve. Ambas foram feridas na sexualidade, no que o feminino tem de mais sagrado. A violência contra a mulher, aqui e no mundo, aponta para o quanto temos que caminhar na luta pela dignidade de se ter um corpo aberto para o amor. Um corpo que muitos homens confundem com buraco lúdico - lugar em que podem chegar e abusar. Como entender, na nossa cultura, o desrespeito e a violência contra a mulher, onde a cada duas horas uma é assassinada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, aprofunda os motivos que levam o brasileiro ser tão boa praça, cordial e permissivo. A cultura que nos define é a do “deixa disso”. A herança ibérica e o legado de uma ausência de organização social e de luta pelos direitos, exigindo respeito e solidariedade dos compatriotas e governantes, criaram uma mentalidade nos patrões de descaso, abuso e descompromisso para com aqueles que julgam inferiores. O brasileiro sofre de autoestima baixa, age como ressentido e se julga um fracassado quando não é rico e poderoso. E esquece que o fracasso, muitas vezes, não é do indivíduo e sim da sociedade. Vivemos a violência por sermos geradores de violência. A violência é o lixo que mais fede em nosso aterro sanitário.&lt;br /&gt;Esperteza, cinismo, transgressão, imoralidade consentida, intimidade nas relações sociais, perversão. O que leva um jogador de futebol a se julgar no direito de matar a ex-amante? Qual a relação que existe entre a forma como fomos colonizados e a falta de pudor do brasileiro? Vivemos num mar de permissividade - as garotas adoram se despir e os homens, agredir. O caso do goleiro Bruno que, de acordo com a polícia, seqüestrou Eliza Samudio e mandou matá-la, exemplifica o imaginário masculino que se julga no direito de usar de violência para resolver questões pessoais com as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca pelo gozo sem limites é um traço da vida social brasileira e que se evidencia em vários setores por meio do “jeitinho” - na educação permissiva quando pais e escolas condenam as crianças ao gozo, ao não imporem limites às crianças, na forma em que são praticados atos de corrupção e outros crimes, ostentando o uso indevido do poder. Nascemos da falta de um significante que simbolize interdição, uma ordem à qual todo o país estaria submetido, e que funcionasse como um organizador eficiente da vida em sociedade. As relações de amizade e favor, prestígio e poder, iniciaram-se nas capitanias hereditárias. E assim prosseguimos. Dinheiro, poder, sexo e violência sempre andaram juntos no paraíso tropical. Violência em sua forma mais ampla. Transgressão permitida - cinismo disfarçando privilégios consolidados no imaginário de uma elite poderosa. As relações de trabalho se misturam com as pessoais num clima de intimidade. A intimidade brasileira é um traço extremamente forte nas relações sociais, o que, por sua vez, acaba facilitando a violência. A aproximação precoce abre espaço para a agressão, quando todos se sentem à vontade para intervir na vida do outro, corpo e desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subjacente à sua fundação, o Brasil carrega a fantasia do mito de paraíso terrestre - filho bastardo de pai que nunca cumpriu com a função paterna e não interditou o gozo. O Éden que os europeus sonhavam - lugar para depredar sem culpa. Reserva libidinal do mundo. Todo o imaginário de praias, mulheres, sexo fácil e malandragem fixa-se na nossa identidade. A crise de valores éticos resulta do fato de os ideais morais não serem respeitados, colocando a transgressão no centro da dinâmica social. Vivemos a síndrome dos explorados e injustiçados, transgredimos normas e leis. Agimos como eternos ressentidos, insatisfeitos com o pai cruel e injusto, que nos deixou na “carência”. Somos o filho abandonado que tenta compensar os maus tratos. Enquanto não mudarmos a postura diante do pai abandônico e usurpador, enquanto não abandonarmos o lugar do filho desrespeitado e em desvantagem, vamos sempre criar mecanismos de compensação. Para que o quadro de violência mude, temos que sair da posição de inferior e recusar situações de privilégio. A ética na convivência social exige que o bem-estar individual transforme-se em um ideal coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a história se repete. Eliza Samudio (sem julgar o fato), foi abandonada pela mãe aos 5 meses de idade, indo morar com o pai. Segundo uma amiga, Eliza sofria de carência. Carência aponta falta, falha na forma em que foi amamentada, acolhida no amor primordial - primeiras experiências de satisfação. Eliza é filha do Brasil que vemos na TV. Mulheres incentivando a negociar o corpo, ganhar a vida de forma fácil e rápida. Bruno, órfão de pais vivos, também não desfrutou do carinho dos pais, que o entregaram para a avó aos 3 meses. As histórias de violência geralmente acusam ruído na base afetiva – esgarçamento do quadro familiar. Histórias de abandono, maus tratos e abusos - geralmente, quem apanha, bate. E quem é abandonado pela mãe, se sente no direito de reproduzir situações de violência. Se uma mãe é capaz de abandonar um bebê, como esse, no futuro, não terá coragem de fazer igual ou pior? Pelo que consta, Bruno também entregou o filho a terceiros, à própria sorte. Eliza usou o corpo para conquistar Bruno, que representava garantia de amor. Eliza demandava mais que uma pensão, um lar - afeto e carinho para ela e o filho. Pouco lhe interessava se de forma inadequada. O objetivo era tentar compensar a dívida que a vida tinha para com ela, ao privá-la do amor materno. A busca incessante de amor na fantasia sexual feminina. Em sua obsessão, amou mais o amor que a realidade. Pouco lhe interessava se Bruno era casado ou se desejava, com ela, ter um filho. Busca no filho confirmação de que nunca mais sofreria de solidão. Filho representa companhia, casa cheia. Alguém que chega e rompe o sentimento de se saber só. Promessa de lua cheia e fim nas noites de trevas. Holofotes na vida e na alma. Eliza, ao recusar invisibilidade, reivindicava espetáculo.&lt;br /&gt;Bruno se encaixa também no imaginário do transgressor, aquele que transgride a lei, desrespeita-a por se colocar acima dela. Num ato de volubilidade caprichosa, atua como perverso. Do lugar do poderoso e privilegiado pela fama e pelo dinheiro, se julga no direito de eliminar aquela que o incomodava. A postura de Bruno pode ser analisada dentro da subjetividade do futebol no Brasil, que exibe um comportamento chauvinista masculino, exemplificado na “lei da transgressão”. Muitos casos de violência e crime envolvendo o mundo do futebol reforçam a distância entre o judiciário e as práticas sociais. São as contradições entre o arcaico e o moderno. As ‘regras de exceção’ são parte integrante de nossa cultura e implica diversas estratégias. Essas práticas sociais, das quais o “jeitinho” faz parte, confrontam-se com as leis formais. O jeitinho que Bruno escolheu para resolver sua questão com Eliza acabou se confrontando com a lei. Deu azar, dessa vez ele falhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sociedades injustas e desiguais, vários são os motivos que leva o indivíduo a transgredir a lei – como resposta ao desamparo, quando o cidadão não vê seus direitos básicos assegurados, como objeto de punição legítima ao crime, ou de forma perversa, sobretudo pela elite. Mais que exigir punição aos que transgridem a lei, devemos protestar e exigir um código de ética. Ética, primeiro, se aprende em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil da contradição, arcaico, racista e moderno, reflete na cabeça dos jogadores. Muitos são negros, oriundos de classe pobre e escolaridade precária. De repente, de garotos de periferia transformam-se em ídolos e se descontrolam meio a tanto poder, dinheiro e mulheres. É o país da corrupção e da contravenção, da desigualdade e do descrédito em que crueldade e violência se confundem com virtuosismo. O país dos salários baixos é o território que a elite do futebol pisa ao buscar parte de seus craques. Violência expressa revolta. Metaforiza o sentimento de abandono que o Brasil exerce em seu povo. Um povo que clama por atenção dos políticos despóticos - coronéis, empresários, gente que não conhece sua gente, nada sabe de pobre e vida miserável. Vida tramada na tristeza de todo dia. De nada resolve querer tampar o sol com a peneira. Modernizamos, mas continuamos atrasados, velhos na concepção de nação. Retrógrados no olhar sobre as mulheres - macheza e ignorância. Esporte e educação, uma dupla que rende bons frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado no C. Pensar do jornal EM em 17/07/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-8774020244497631829?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/8774020244497631829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=8774020244497631829&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8774020244497631829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8774020244497631829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/07/futebol-poder-e-mulher.html' title='FUTEBOL, PODER E MULHER'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6008590481614220108</id><published>2010-06-29T19:46:00.001-03:00</published><updated>2010-06-29T19:48:01.285-03:00</updated><title type='text'>A SOLIDÃO DOS INTERNAUTAS</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            “Minha vida era só tristeza, eu era rejeitada na escola, os colegas zoavam, e, por não ser bonita, me chamavam de canhão. Um dia resolvi me produzir, fiz umas fotos sensuais e coloquei na internet. Consegui amigos, muitos interessados em me conhecer. Depois meus pais descobriram, e eu tive que apagar tudo, minha alegria acabou”. A fala de M, de 15 anos, nos ajuda a interrogar o que leva os jovens a aderirem, de forma cabal, aos sites de relacionamento. O mundo virtual funciona como um cabaré para os jovens e adolescentes. É onde eles se refugiam em conversas, confissões, expõem desejos - encontram os pares, se sentem amados, reconhecidos, notados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O desabafo de muitos jovens e adolescentes giram em torno do quanto a vida dos adultos é, para eles, desinteressante. Muitos reclamam da falta de empenho dos pais em tentar compreendê-los. Mesmo sabendo que essa é uma tarefa difícil, muitos julgam um absurdo os pais não se esforçarem em ajudá-los a enfrentar as ciladas do mundo atual. A maioria acredita que a internet funciona como um oásis no deserto, ajudando-os a suportar a solidão e o isolamento. “Meu pai senta-se à mesa e só fala de negócios com minha mãe. Os papos deles são só coisas que envolvem dinheiro, ele nem percebe que eu estou ao seu lado nem pergunta o que estou estudando, se estou gostando da escola, é por isso que eu não falo mais nada de mim em casa, converso só com meus amigos”, confessa R, 17.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A sensação que tive, ao investigar o fascínio que o mundo virtual exerce entre os jovens e adolescentes, é que a internet opera como um reduto. Espaço onde eles se sentem vivos e importantes. E expressam revolta por se sentirem rejeitados pelos mais velhos. Alguns consideram a vida atual imprópria para educar filhos, uma vez que muitos pais julgam qualquer coisa mais empolgante que se dedicar aos jovens. “Eu sei que o meu papai podia ficar comigo, sair, jogar bola, mas ele sempre preferia os amigos. E minha mãe não largava as novelas dela por nada”, desabafa L, 16. Será por isso que agora eles abominam a companhia dos pais?  Significa que cumprir com a função paterna e materna, há muito tempo deixou de ocupar um lugar no desejo dos pais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O jovem se move num mundo que não quer saber dele senão como consumidor. Não o quer enquanto sujeito de desejo e conflitos, frustrações e sofrimento. São alvos de atenção quando se submetem às seduções de consumo – cordeiros que seguem o cortejo triunfal dos bem-sucedidos. Quando não nos responsabilizamos pelo nosso desejo, nos transformamos num corpo morto, sem voz e vontade própria. Muitos têm consciência que habitam um mundo de vozes inaudíveis e olhares congelados numa só direção. A harmonia interior se expressa sobre um fundo de discordância, é conquista que implica superar confrontos. Discordar é visto como briga, desavença. Muitos pais cobram uma educação focada, operacional - não querem perder tempo com debates sobre ética, cidadania. Tudo deve ser acordado de forma rápida, sem elaborações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Vivemos a sociedade da voracidade - que se pauta muito mais por valores privados que por valores públicos. Na escola, o filho tem que produzir e responder às expectativas de aprendizagem. Caso esteja destoando da turma, deve ser logo diagnosticado, medicado. Compactuamos com as regras da era cibernética. Aderimos aos modismos e julgamos mais fácil aceitar que contestar. “Crianças de 2 anos já usam computadores em escolas”. A mídia nos avisa que algumas escolas de São Paulo, no intuito de ganhar pontos em relação às outras, estão antecipando o ensino de informática. Alguns pais, por necessidade de participar da horda, sem interrogar, mergulham na obediência voluntária e aderem às insanidades da tecnocultura. Abrem mão da autonomia e do direito de defender convicções. Lembramos que a passividade circula no campo da pulsão de morte. Há uma moral fundamentada na razão humana que está se esvaindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Permissividade rima com preguiça - permitir é mais fácil que lutar e exigir. Submeter-se às necessidades criadas pelo mercado, aceitando que imponha hábitos e rituais. Concordar que os objetos adquiram dimensão bem maior que as relações inter-humanas - que o cachorro ocupe lugar de prevalência em relação ao filho. Defender que o período que gasto com vaidades legitime o tempo que falta à minha família. Estamos todos justificados diante das exigências do momento. Está tudo certo, apenas estamos roubando da criança o direito de ser inserida em mediações criativas, que estimulam o fazer por si e a autonomia. Brincar com os filhos implica envolvimento, interação e contribui no amadurecimento da relação, fortalecendo o laço afetivo. Enquanto a submissão às determinações de fora produz sentimento de inutilidade e abandono - base doentia para a vida. A modernidade põe em cena o desamparo. É desumano, mas é fashion.  &lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;            A solidão dos jovens deve ser investigada dentro do rol de exigências que o mundo atual cobra deles. Mal a criança nasce, o empanturramos de expectativas, palavras de ordem. Tornou-se comum ouvir que os profissionais devem atender às expectativas do mercado. Será que os profissionais competentes deveriam se submeter ao mercado tal qual ele exige? Muitos, embora bem sucedidos profissionalmente, são imaturos e despreparados diante dos sofrimentos e desafios da vida. Vida íntima, vida afetiva. Muitas são as vidas que nos enlaçam. Viver é também se aventurar pelos chamados da alma e debruçar sobre os apelos do coração, imprimindo nossa marca no mundo - do trabalho e das relações afetivas. Senão é seguir plano de metas e cumprir agenda externa e estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ao preservar a singularidade, devemos colocar um ponto de basta na voracidade do mercado, que, sem pudor, invade os espaços privados, determina e define nossos passos. Não há mais lugar para o espontâneo - o cerimonial decide! Vida planejada, sentimentos controlados e desencontrados. Outrora éramos mais avacalhados, mas havia naturalidade nos gestos e espontaneidade nas relações. Viver era mais verdadeiro. Bebíamos mais da fonte bruta, autêntica. Na medida em que nos tornarmos prisioneiros de demandas alheias, nos alienamos da condição humana. É a mercadoria que se revela na figura do destino inexorável, é ter ou ter. Ambicionar, adquirir, acumular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O indivíduo tributário do sentimento de despertencimento, autocentrado, cresce na valorização narcísica e na negação de símbolos e atavismos. A trajetória do individualista difere da trajetória do sujeito que cultua raízes e valoriza vínculos e sentimentos como fundamento do sentido da vida. Autonomia é diferente de independência. O sujeito autônomo constrói o seu percurso na interação com o outro e com o mundo que o cerca. O individualista segue um roteiro independente do outro, seu compromisso é apenas com ele. O outro é apenas um serviçal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A maioria dos jovens não acredita que possa criar alternativas distantes do mal-estar  reproduzido na lógica da linha montagem industrial, existência coisificada e marginalizada.   Crueldade sempre existiu, mas há uma crueldade refinada no mundo ultraliberal que enfatiza a técnica pela técnica. Falo da servidão sutil e disfarçada às quais muitos jovens estão se submetendo. Confinados diante de uma máquina, passam horas entretidos numa inclusão virtual e imaginária. Será que as novas formas de sociabilidade geram novas sensibilidades? Será que os amigos virtuais vão se interessar pelos nossos problemas e nos fazer companhia nas horas difíceis? Podemos confiar nas amizades que nascem na tela, tal qual as que brotam numa mesa de bar, no olho a olho, tendo como parceira o desejo da companhia - testemunho da paixão que habita os homens ávidos por ligações viscerais? Amizade é algo que não se propõe, acontece. Percebemos uma paranóia, uma obsessão em vasculhar a vida do outro (amigo ou namorado), aproveitar do mecanismo tecnológico e por em cena a maledicência. Gozo em invadir privacidades. Avançamos em relação às fofoqueiras, que se debruçavam nas janelas para se deliciar com a vida alheia? Esse lamento não passa de um delírio saudosista ou o mundo que estamos construindo para os jovens está mesmo estranho?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como acreditar mais nos sentimentos que nos signos de poder, fazendo-se merecedor da dedicação dos pais na difícil travessia para o mundo adulto? Crescer longe da mistificação criada pela publicidade, da fascinação pela ostentação que garante ao sujeito respeito? Fugir às determinações: “Escolha uma profissão que dá dinheiro, esse papo de fazer o que gosta é furado”. Lançados na fogueira narcísica dos pais, submetem-se aos mecanismos de compensação de insatisfações e ressentimentos. Pressionados, se demitem da família e buscam abrigo nas tribos virtuais - antídoto contra a solidão.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6622628954509418807#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Artigo publicado no C. Pensar em 26/06/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6008590481614220108?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6008590481614220108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6008590481614220108&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6008590481614220108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6008590481614220108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/06/solidao-dos-internautas.html' title='A SOLIDÃO DOS INTERNAUTAS'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-4084062092467779641</id><published>2010-06-17T18:26:00.003-03:00</published><updated>2010-06-17T18:29:09.547-03:00</updated><title type='text'>QUAL O VALOR DO CONHECIMENTO?</title><content type='html'>Eliane Dantas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fixe o pensamento apenas nos escritos, pois já vi pessoas serem salvas por seu trabalho. Entenda, não há nada mais genial que os escritos. São como um barco sobre a água. Deixe-me fazê-lo amar a escrita mais que a sua mãe. Permita-me introduzir sua beleza a seus olhos, pois ela é mais importante que qualquer outro trabalho. Não há o que se compare em todo o mundo”. Esta fala ocorreu 4 mil anos atrás, entre o burocrata egípcio Dua-Queti e seu filho quando navegavam pelo Nilo em direção a uma escola de escribas, segundo o livro A História da Leitura, de Steven Roger Fischer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que mães e pais fiquem bravos e desistam de continuar esta leitura, não quero entrar na discussão sobre amar a palavra mais do que a uma mãe. O que disse o burocrata pode ter sido uma força de expressão. De todo modo, é importante lembrar que, naquela época, a comunicação se dava principalmente pela oralidade, a escrita era privilégio de poucos, principalmente dos homens, e era um fator que definia poder e status.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me interessa na fala daquele burocrata é a oportunidade de pensarmos na relação das pessoas com o conhecimento. Até que ponto seriam as falas e ações de adultos também responsáveis pelo desinteresse de crianças e jovens pelo saber? De que forma pais definem escola para seus filhos? O que esperam dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrarmos que escola existe para o indivíduo aprender a servir-se de seu próprio intelecto, colocar à prova seu pensamento, construir a liberdade que vem com o conhecimento. Quanto mais conhecemos, mais livres somos, mais agiremos por escolhas e não porque os “oráculos da verdade” – que podem ser um professor, um pastor, um governante, um militar – nos dizem o que fazer. A multidão que não pensa, alerta Kant, fica como animais domésticos confinados em seus currais com medo dos riscos do caminhar. “Mas ao preço de alguma queda, o indivíduo pode aprender a caminhar”, alerta o filósofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, no Brasil, o conhecimento não está entre os artigos de primeira necessidade. A média de leitura dos brasileiros é de dois livros por ano, sintoma de quem não quer sair da menoridade (termo cunhado por Kant), ou seja, pensar por si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na história do Brasil, o conhecimento jamais foi considerado prioridade. A primeira universidade do país só chegou com Dom João VI. Na Europa, séculos antes. Nos EUA, ainda no século XVII. É comum ouvir que tal sujeito pode ficar tranqüilo porque tem QI, ou seja, “quem indica”. Se preferirem rude clareza, tem pistolão! E onde fica o mérito? Aqui, muitas vezes, prevalece a lei de Gerson, que prega como desejável “levar vantagem em tudo, certo?”. Então para que estudar? Também se pode traçar um caminho mais curto, ir à Europa e tomar um banho de cultura! Não é assim que alguns pensam que irão conquistar conhecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A socióloga Silvana Seabra, falando de sua experiência como professora nos EUA, diz nunca ter sido tão respeitada. Caso o aluno não fosse à aula, mandava email justificando a falta e pedindo desculpas. Em Belo Horizonte, um aluno agrediu uma professora e foi ela quem mudou de escola.&lt;br /&gt;Então, o que podemos fazer para colocar o conhecimento no lugar de importância que ele merece e precisa? Os desafios são muitos, a resposta não é única, a trajetória é longa. Mas todos temos de buscar esse caminho ou a escola não encontrará o sentido que precisa. O discurso público e privado da “escola de qualidade” passa necessariamente pela reverência ao conhecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-4084062092467779641?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/4084062092467779641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=4084062092467779641&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4084062092467779641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4084062092467779641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/06/qual-o-valor-do-conhecimento.html' title='QUAL O VALOR DO CONHECIMENTO?'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3201485029283505545</id><published>2010-06-06T21:11:00.002-03:00</published><updated>2010-06-06T21:12:30.206-03:00</updated><title type='text'>DESESPERANÇA E DOMINAÇÃO</title><content type='html'>Inez lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo estado do capitalismo ao qual nos submetemos desconstrói as possibilidades de simbolização. As relações sociais e mercadológicas se estabelecem fora do campo simbólico. Quais as conseqüências de se viver num mundo cujo valor simbólico é desmantelado em função do simples e neutro valor monetário? Quais os efeitos de dessimbolizar a vida e desvincular o dinheiro da dimensão subjetiva, simbólica e afetiva? Quando nada mais interessa, quando desconsideramos questões que ordenam a moral e a tradição e conferem às relações e aos objetos transcendência, abrimos espaço para a livre circulação da mercadoria. As trocas mercadológicas provocam a dessimbolização do mundo. Com isso, nos parafusamos numa rede de dominação, circunscrita não mais ao simbólico, mas ao real. É quando a vida passa a ser regida pela lógica do custo/benefício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo sujeito, o homem que está se estruturando dentro da nova economia psíquica, sem recalque e desprezando o passado, mergulha na cultura da perversão. É a partir desse novo estatuto do objeto, da supervalorização da mercadoria, que devemos analisar episódios de violência envolvendo jovens e adolescentes. O novo sujeito se distancia cada vez mais do sujeito engendrado no sentido filosófico e psíquico do termo. A morte do simbólico enterra o sujeito kantiano junto ao sujeito freudiano. Distanciar da dimensão transcendental, desconsiderar as multiplicidades de sensações e sentimentos, negar as experiências, é acreditar num projeto existencial estruturado apenas no real da mercadoria, no real da vida. A filosofia que se estabeleceu na síntese da experiência e do entendimento refundava uma nova metafísica crítica. Vencido o sono dogmático, caímos na ilusão do racionalismo puro e simplista. Hoje, padecemos de excesso de técnica, de espírito funcional, operacional. O mundo que se apresenta às crianças é desprovido de sentido transcendental - repertório objetivo e científico arquitetado na razão mercadológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lógica que orienta o novo sujeito é a do homem biológico. Vivemos a supervalorização do diagnóstico. Ao tratarmos o sofrimento humano, melhor ainda é provocar no sujeito o desejo de investigar o que o faz sofrer – jogar luz nos incômodos. Deixar falar o corpo erótico, vivente e vivido, que hoje emudeceu, desapareceu! Quando experiência e desejo seguem dissociados e a técnica reina absoluta, destruímos as possibilidades de explorar fracassos e conflitos. Ilusão acreditar que, castrando a palavra, conquistamos o apaziguamento. Assistimos à morte do sujeito forjado nos pressupostos da filosofia moderna e nas teorias orientadas nas manifestações do inconsciente – sonhos, atos falhos, chistes. É no espaço deixado pela morte do simbólico – dos totens e dos ideais do eu - que se embrenhou o mercado. A ausência de interdição favorece e expande as passagens ao ato. O que freia as pulsões é o recalque. Sem Pai e sem recalque, o que temos é um sujeito sem culpa, livre pra agir acima do bem e do mal. É quando vale tudo - de pedofilia a estrupos em série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade que opera no real recusa o sujeito crítico e funda o sujeito do ato, que manifesta a insatisfação atuando - batendo, matando, chutando, zoando. Cyberbullying, prostituição virtual, esses e outros sintomas revelam um vazio de referência, um futuro morto. O Pai, lugar simbólico, funciona como vetor, é princípio de anterioridade. É ele que funda, no sujeito, a lei e o prepara para viver em sociedade. O que chamamos de Pai é um lugar que simboliza, para a criança, interdição. É quem educa ou cumpre a função paterna – mãe, tios, avós. À escola cabe reforçar os princípios educativos. Quando a criança chega à escola sem os princípios de anterioridade, estabelece-se o caos – violência, agressões, bullying. É um engodo acreditar que podemos prescindir da repressão ao educar filhos. Hoje, multiplicam-se os espaços em que a criança reina livre de modelos (ideal de eu). Mundo sem referencia e sem lei engendra sujeito sem supereu, auto-referencial. É quando o filho não escuta os pais e o aluno não dá a mínima para a escola e professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como analisar os crimes cometidos por alunos, nas escolas, contra professores e colegas? As crianças, quando chegam à escola, chegam atravessadas de cultura midiática, empanturradas de mensagens televisivas. O tempo que era da família é despendido diante de uma tela em que a criança é contaminada por imagens de violência e inserida no mundo do consumo. A violência na TV é diferente da violência das histórias infantis, que chegavam aos ouvidos dos bebês pela voz das mães ou das avós. Há uma diferença significativa do imaginário de maldade enunciado pelo lobo mau e o universo realista dos seriados infantis, ou dos jornais e novelas – lixo televisivo ao qual muitas crianças são expostas. O resultado é uma geração forjada mais na cultura do consumo que na família, lugar por excelência de transmissão de valores.&lt;br /&gt;A autoridade é transmitida no processo geracional. Instituir o jovem responsável, consciente de deus deveres e direitos, eis o desafio de uma sociedade que se institui na negação geracional, na auto-referencia. Os pós-identitários, sem antecedentes,  desamparados e erigidos como “donos da verdade”, inudam as escolas de problemas, dificultando o processo educativo e comprometendo o bom funcionamento das instituições públicas e privadas. Como uma geração vai garantir a educação da outra? Várias identidades num mesmo corpo, pluralidade de opções, campo aberto para desejar tudo - é o mundo do excesso no qual estamos confinando os jovens. Muita mensagem e pouca metáfora paterna. Quando a metáfora de autoridade fracassa, emerge a selvageria - pulsões destrutivas e de morte. A ausência de interdição é pior que a ausência de escolaridade - esta ainda pode ser adquirida posteriormente, enquanto a delinqüência dificilmente é corrigida quando a lei não é internalizada desde cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens estão sendo produzidos para resistir à relação de sentido, para escapar à elaboração discursiva e crítica. Sem Outro, eles se estruturam numa liberdade falsa, inconsistente - escravos que aceitam a servidão a que o mundo da homogeneidade vazia os condenou. A dominação atual revela o desprezo dos dominadores pela massa obediente. Só é possível dominar o outro quando desprezamos aquele que deverá se submeter a nós. A ausência de resistência, de pensamento crítico, compromete o laço social, o mundo das relações afetivas e a qualidade de vida – amigos, profissão, relações amorosas. Quando não somos nós que orientamos nossas ações, agimos dessubstancializados e dessimbolizados - distantes do lugar que confere pertencimento e filiação. A violência pode ser vista como efeito do descaso - emancipação do Outro, auto-gestão do eu. É da ordem do insuportável, para um adolescente, se sentir solto, desvinculado de uma rede de referencias e significantes que lhe conferem direção. O desespero de muitos jovens exprime impotência diante dos desafios da vida, dificuldade de tomar decisões, desejo de reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resistir à paixão triste, ao sentimento de impotência ao enfrentar os inimigos que nos afastam de nosso eixo identitário? Toda intervenção que nos chega de fora e que não exige de nós posicionamento, que dispensa nossa participação no processo, representa perigo! Cautela diante dos tratamentos que prescindem da palavra e oferecem resultados imediatos. Mediar, não adiar, elaborar. Enfrentar, desvelar - tirar o véu da dissimulação, do escape. Não querer ouvir o sofrimento do outro, não se interessar por seu grito interno é um dos maiores pecados que a modernidade já engendrou. Ao tratarmos depressão, bipolaridade ou outros transtornos somente com medicamentos, compactuamos com o apagamento do corpo erótico - que chora, berra e protesta contra o deserto ao qual está submetido. É mais rentável apostar na manutenção da doença do que na saúde dos portadores de sofrimento psíquico. Quando a química provoca no sujeito a ilusão de onipotência, ela o enreda na impotência. O jovem deprimido não enfrenta o Outro. Nada mais desesperador, para quem deveria ser encorajado a acreditar em seus sonhos, que se render enfraquecido e desacreditado de si. Desalento é se sentir vivo num corpo morto, desprezado, isolado e dominado pelo discurso absoluto da ciência.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se nomear e se subjetivar - agir segundo as próprias convicções? Elaborar perguntas como quem eu sou, o que desejo da vida, tornou-se despropósito! A singularidade é tramada entre amores, desamores e fracassos. Como enfrentar a peleja da vida? Sem antecedência, sem que os adultos assumam a responsabilidade do mundo no qual colocaram os filhos, dificilmente avançaremos no combate à violência. Primeiro, devemos saber que filhos queremos deixar no mundo, para, então, repensar que mundo queremos deixar aos filhos. Desesperança queima o tecido da vida - esperança de cumplicidade. Parceira mortífera. &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Artigo publicado no Caderno Pensar em 29/05/2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3201485029283505545?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3201485029283505545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3201485029283505545&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3201485029283505545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3201485029283505545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/06/desesperanca-e-dominacao_06.html' title='DESESPERANÇA E DOMINAÇÃO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-8823367455822410129</id><published>2010-06-06T21:11:00.001-03:00</published><updated>2010-06-06T21:11:50.674-03:00</updated><title type='text'>DESESPERANÇA E DOMINAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-8823367455822410129?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/8823367455822410129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=8823367455822410129&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8823367455822410129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8823367455822410129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/06/desesperanca-e-dominacao.html' title='DESESPERANÇA E DOMINAÇÃO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-8825735179466989875</id><published>2010-04-05T20:03:00.000-03:00</published><updated>2010-04-05T20:04:19.182-03:00</updated><title type='text'>A POÉTICA DO SAMBA</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Tornou-se lugar comum nos estarrecermos diante de notícias como: “estudo inédito da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) revela que a família brasileira oferece alimentos ricos em gordura, açúcar, sal, corantes e outros aditivos alimentares para bebês com quatro meses de idade”.  “Magreza excessiva domina passarelas”. “Para as muito vaidosas que ainda não completaram 12 anos, a ida semanal ao salão é só o básico. Elas também mudam o formato dos dentes, fazem drenagem linfática e até se internam em spa para perder peso”. “No limite do consumo: adolescentes das classes C, D, e E têm obsessão por roupas de marca e celulares. Pais se endividam e de desdobram para atender os filhos, que fazem de tudo pelo objeto de desejo”. “Anabolizantes põem vida dos jovens em risco”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O movimento histórico que radicaliza na tendência de transformar o ser humano em objeto, nos assusta. O declínio da perspectiva subjetiva e filosófica da condição humana nos conduz a buscar abrigo nos objetos fetiches – modismos, consumo, medicação, estética.  O “homem novo” evita paixões. Desencantado, comemora o triunfo da vida artificial. Alienado no espírito científico que orienta sua vida, esquece de questionar seu tempo e suas narrativas. O triunfo do banal e do pensamento único engendra novas alienações e novas formas de opressão, atrofiando iniciativas revolucionárias. O retrocesso das matrizes teóricas, como filosofia e psicanálise, reforça a crença de que toda revolta, toda voz discordante seria impossível. Contudo, como não aderir aos fetiches que triunfam – grande senhor que nos cega e emburrece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Como explicar posturas insanas como as de mães que alimentam seus bebês com lasanha congelada, miojo, refrigerante, batata chips e chocolate? Outras que se submetem aos rompantes de vaidade das filhas, vestindo-as como mulheres e concordando que freqüentem salões de beleza? É comum ouvir mães, diante de filhos sem limites e indisciplinados: “eu não sei mais o que fazer com ele, me esforço e dou tudo que ele pede e nem assim ele me obedece”.&lt;br /&gt;   Como repensar essa pletora consumista que nos encurrala e nos afasta da essência da vida? Onde estão os corações puros habitados pelo gosto das coisas simples e espontâneas? Almas poéticas que brotam das conversas despretensiosas? Há um enredo da vida que surge do trivial - puro prazer de cantar a emoção do mundo. Aonde se esconderam os filósofos das madrugadas, sem diploma e cheios de sabedoria? Esse ano, Adoniran Barbosa e Noel Rosa completariam 100 anos. Adoniram foi um sambista fundamental na formação da identidade musical de São Paulo e do Brasil. Fez poesia com a pobreza - interpretava a miséria com o coração. Suas músicas revelam, numa melancolia disfarçada, a realidade e os sintomas da vida humana - o amor materno pelo filho único “que não pode perder o trem das onze, pois a mãe não dorme enquanto ele não chegar”. Comicidade e tragédia, juntas, enfrentavam ressentimentos e decepções. Éramos conduzidos, junto aos poetas das madrugadas, pela filosofia do samba - verdade que se escondia na alma de gente comum interpretando o sentimento do mundo. Hoje, a juventude é comandada por falsos profetas, fetiches e feitiços devastadores, os Big Brothers que cantam o silicone, a barriga tanquinho e a bundinha rígida. Adoniran musicou a vida do Brás e do Bexiga e que não seduz mais ninguém. Quem se interessa pela saudade da maloca, pelo torresmo à milanesa ou pelo viaduto Santa Ifigênia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ao desprezarmos a simplicidade e sua riqueza simbólica, esquecemos que não se aprende samba na escola. Noel Rosa cantou o feitiço da vida - rivalidades, ciúmes, solidão e saudade. Mergulhou nas entrelinhas do dia a dia de Vila Izabel. Lamento ou saudosismo? O que nos faz escrever sobre eles, poetas do acaso? Pesar por ver a vida se escorrendo como enxurrada, banalizada e mercadorizada? O mundo que desconsidera a magia dos poetas da noite se perde na ausência de emoção. Noel, ao ver o sucesso de Festa no Céu, atesta: “Havia emoção – havia originalidade. Fiquei alegre, sentindo um feliz alvoroço dentro de mim”.  Noel reverenciou a poética das ruas, o lirismo e a alma da cidade. Queria que seus ritmos eletrizassem os músculos e influíssem decisivamente no movimento das multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Adoniran e Noel morreram pobres, não construíram fortuna, mas deixaram um legado cultural digno de ser comemorado 100 anos depois. Quais as conseqüências de afastarmos os filhos dos sentimentos que regem a vida? Qual a implicação em desprezar a lógica do coração em função da lógica da mídia e do mercado - tratar sofrimento e tristeza apenas com remédios, desprezando o desejo de seguir um roteiro próprio? Adoniran, um andarilho que percorria a cidade com seu violão. Sua espada era a música e com ela venceria a batalha da sobrevivência. Não se envergonhava da infância pobre, das dificuldades enfrentadas para impor sua música e estilo e conquistar autonomia sobre seu percurso. Viver era bem mais que pagar contas e ter o que comer. Era se lambuzar de versos e metáforas - significantes que contornavam emoções e frustrações. Nada se compara ao prazer de poder forjar a vida com a própria mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Como investigar a depressão e o tédio dos que se atolam nas drogas ou buscam na ilusão do corpo perfeito saídas para suas vidas? Atribuir a compreensão do mundo à lógica racional, recusar o trabalho de desvendar misterios e desatar nós, acreditar apenas na lógica químico-biológica, é mergulho no desespero e na insatisfação. Reduzir as tragédias da vida numa simples molécula, desconsiderar os trabalhos dos sociólogos, antropólogos e historiadores, é perpetuar no obscurantismo. Consideramos retrógrados os que mergulham nos incômodos e investiga o fracasso, aquilo que não vai bem. A gênese do comportamento humano é analisada numa perspectiva positivista e neurocientífica. Reduzimos tudo à genética e à biologia: depressão, bipolaridade, homossexualidade. O legado de Freud, junto à filosofia kantiana, é descartado – ambos oriundos do pensamento crítico e libertário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Qual a importância de visitarmos teorias que inauguraram o primado do sujeito habitado pelo saber de seu inconsciente, pela consciência dos sintomas – medos, fracassos, inibições e angústias? Os sucessos da farmacologia enterram o homem freudiano em sua dimensão intersubjetiva e histórica. O boêmio transformou-se no drogadito. O repertório do sujeito social, o inconsciente do poeta, sambista que cantava os sintomas circundantes reduziu-se à “genéticabiofisiológica”. Sabemos que não se aprende samba nas drogarias e nos shoppings - tampouco assistindo Big Brother e se extasiando com o gozo dos medíocres.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Qual o sentido de evocar Noel e Adoniram 100 anos depois? Talvez busquemos na densidade emocional da poética do samba um sinal de esperança, algo que nos entusiasme e restitua a crença no amanhã. E nos aponte luz, possibilidades de saídas do túnel - noite de trevas que nos espreita e amedronta. O terror é filho do desconhecido – descrença e desesperança. Vivemos aterrorizados quando, sem perspectivas, desacreditamos de nossa capacidade de resistir, de contrapor. Tragédia é se submeter por falta de opção e proposta. Opressão é aceitar as ordens impostas por um estranho poderoso que chega e nos sufoca - ilude e cega. Cegueira é quando vemos o que não existe e acreditamos na inconsistência. A vida forjada na razão moderna prefere robô à gente - qualquer máscara lhe cai bem. Quem somos nessa noite de mascarados? Qual face nos representa? Qual roupa nos veste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  “Fiz de mim o que não soube/E o que podia fazer de mim não o fiz/ O dominó que vesti era errado/ Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me./Quando quis tirar a máscara/Estava pegada à cara/Quando a tirei e me vi no espelho/Já tinha envelhecido”. Fernando Pessoa escancara a hipocrisia dos tempos modernos, que, ao fazer das tripas seduções, nos enoda de ilusão. A máscara da moda são os escapes pelo corpo. Subterfúgios que nos aprisionam em castelos virtuais. Importa o gozo da imagem eternizada no vídeo, longe do espírito que perfumava os instantes de poesia, que para Noel, constituía numa verdadeira fonte de beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Com que corpo eu vou, se tudo em mim me desagrada? Nada irá nos agradar quando circulamos no discurso da perfeição. Nunca vislumbraremos saídas se não enfrentarmos o próprio corpo. Sem os poetas, nos resta vasculharmos entranhas e descobrir verdades que religião nenhuma nos ensina. Tampouco as encontraremos nas drogarias. E olha que boemia revela mais que academias. Samba é epifania, fantasia que acolhe e cumplicidade que consola. Revisitar os velhos sambistas é resistir ao feitiço banal. Perversão é usar a competência para desiludir almas famintas - existência desprovida de sentido. Ilusão vazia.   &lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;Artigo publicado em 3/04/2010 no caderno Pensar do jornal Estado de Minas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-8825735179466989875?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/8825735179466989875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=8825735179466989875&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8825735179466989875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8825735179466989875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/04/poetica-do-samba.html' title='A POÉTICA DO SAMBA'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-4497009144831813413</id><published>2010-03-28T21:19:00.001-03:00</published><updated>2010-03-28T21:22:05.962-03:00</updated><title type='text'>O AMOR NO FEMININO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A artista plástica e escritora francesa Sophie Calle, revoltada com o escritor e namorado G. Bouiller por ter encerrado a relação por e-mail, resolve revidar a indelicadeza do rapaz. Num gesto de cumplicidade feminina, envia a carta a 107 mulheres. Com o pretexto de pedir sugestão sobre como proceder à deselegância do rapaz, arquiteta uma fogueira pós-moderna ao ex-namorado. Não é de agora que Sophie transforma fragmentos de sua vida  em arte. A artista conceitual chega ao Rio em primeira pessoa com a exposição Cuide de Você - exibindo a imagem da carta projetada sobre uma foto de seu corpo. A inquisição feminina condena o rapaz de infantil e despreparado para o amor. Todas foram unânimes em reprová-lo, julgando seu comportamento covarde e insensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não nos interessa julgar o caso e a conduta do rapaz, mas tentar desvendar os fatores que ocultam os mistérios reservados às mulheres. Vale investigar a facilidade com que as mulheres aderiram ao coro das descontentes, condenando tal postura de egoísmo e macheza. Como questionar o tribunal feminino que, de forma fervorosa, aponta a guilhotina para a falta de habilidade de um namorado? Talvez seu maior pecado tenha sido não levar a sério as singularidades da sexualidade feminina. Bouiller esqueceu que navegava num continente negro, obscuro e sujeito a tempestades e fúrias. O feminino não gosta de resoluções burocráticas. É campo imprevisível, abissal e cavernoso, onde nada é transparente, matemático. É sentimento que não cabe no computador - a linguagem do Word é insuficiente para interpretar as lacunas entranhadas no corpo de uma mulher.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O feminino é um corpo que traz as marcas da incompletude e que luta para descobrir sua instância fálica. A singularidade do feminino está no fato da mulher não ter um significante que a nomeie e defina. O registro do corpo imaginário completo é uma inscrição original e nele está contida a inscrição psíquica do pênis (representante universal do falo). Para Freud, a falta do pênis denuncia a castração - quando a menina se defronta com a tarefa de se haver com um corpo que registra uma ausência. O que explica porque as mulheres precisam  mais de palavras - requer dos homens ouvir algo que recobre o vazio. O sentimento de “não-toda”, longe de ser um problema, é salvação. É ele que mobiliza nas mulheres o desejo e o interesse diante da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mulher é plural, são muitas e não cabem numa gaiola cibernética. Impossível querer classificar a multidão que habita um corpo feminino. Uma legião, em vigília, cuida do desejo, controla reinos, funda países. Lacan chamou de mascarada ao arsenal de recursos utilizados pela mulher em busca de solução. Adélia Prado, com sua licença poética, atesta: “Mulher é desdobrável. Eu sou”. Na busca de compensação para repor a falta, a mulher saí pelo mundo arquitetando subjetivações, reinventando acordos. Diante de tanta insatisfação, tanta procura, Freud concluiu que o feminino não é destino, mas reinvenção: “não se nasce mulher, torna-se mulher”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ao contextualizar o caso Sophie, torna-se impossível imaginá-lo num outro século - o que o define como emblemático desse tempo. O que leva um rapaz escolher o cyberespaço para terminar um relacionamento afetivo? A internet é bem vista e cultuada entre as mulheres para iniciar relacionamentos. Muitas se utilizam de sites para encetar encontros amorosos. O culto à internet como agenciadora de namorados tornou-se comum. Se aprovam a informática como mediadora e facilitadora na realização de desejos - uma história de devaneios e fantasias -, era de se esperar que a mesma lógica se estendesse quando essa se encerrasse. O que subjaz a tanta ira, ironia, espírito raivoso? Há muito as mulheres abandonaram o lugar de arautos da moralidade, tornando-se cúmplices dos homens nos prazeres sexuais. Por eles lutaram, queimaram soutiens. Juntos, se jogam nas águas tirânicas do gozo - mar devorador da discrição e da privacidade. Bouiller não se pautou por uma conduta ética, agiu contaminado pela ética do cyberespaço em que tudo se tornou normal, natural, permitido.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Bouiller pecou ao privar Sophie de ouvir os motivos que o levaram a encerrar o namoro, ao não torná-la testemunha de sua decisão - parceira no sentimento de recusa e rejeição. Tudo que uma mulher quer é ouvir, arrancar de seu amado confissões. O sintoma feminino diz da necessidade das mulheres em ouvir do parceiro afetivo juras de amor. A mulher, para obter gozo, demanda que seu amado fale. O erotismo feminino inicia nos sussurros ao pé do ouvido, quando ela espera que ele revele a importância que ela tem para ele. Nessa relação, o homem entra como o sujeito de desejo e ela o objeto que vai completar esse desejo. Uma mulher quer ser o objeto de desejo no desejo de um homem. Que sua existência seja metáfora de desejo de um outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Se a feminilidade se funda na confissão de um homem, significa que a investidura de sua condição de desejada não reside em nenhum símbolo visível, objetivo (beleza, inteligência), mas na chancela do ‘eu te amo’. Ela quer ouvir o que é da ordem do indizível - algo que lhe confere reconhecimento e definição. Quando a mulher não se certifica do amor de um homem, um abismo se abre. Quando o namorado não a convoca para participar da decisão de interromper o namoro, ele a destitui do lugar sacralizado. Quando ela e sua palavra são excluídas, dispensadas, uma cratera se abre sobre seus pés. Sophie, ferida no narcisismo feminino, se sentindo rebotalho, declara guerra àquele que a destituiu de seu lugar de objeto fálico: ‘ele não me pertence, não tenho mais nenhum poder sobre ele’. Ressentida e magoada, prepara uma vingança para aquele que dispensou seu amor via on-line. Ironia pós-moderna - amor sólido também se encerra na tecnologia e se desmancha na internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Em Madame Freud a psicanalista Nicolle Rosen metaforiza, em forma de romance, o desabafo de Marta Bernays (esposa de Freud). O livro retrata de forma ficcional a vida íntima do casal, denunciando a falta de sensibilidade de Freud com a insatisfação de Marta. Em tom confessional, temos o retrato de uma mulher solitária que soterrou sua inteligência, sonhos e desejos para se dedicar ao marido e sua obra. Marta, ao fazer um balanço de sua vida conjugal, reconhece sua submissão - lugar secundário que a anulou como sujeito desejante: “Eu era suficientemente sensata para saber que a paixão é um sentimento efêmero. O que mais me fazia falta era a comunicação incessante que havíamos tido durante os quatro anos que precederam nosso casamento, aquelas cartas nas quais, dia após dia, nos contávamos tudo”. Marta prossegue em sua queixa, se recriminando por ter fingido ser uma dona de casa encantada com a função de velar pela felicidade do marido e dos filhos. Contudo, guardado as devidas proporções e os séculos que separam Madame Freud de Sophie Calle, temos um cenário de insatisfação feminina em relação ao comportamento de seus homens. Estariam as duas tentando se libertar do lugar de desejadas – dependentes do desejo de um homem para se sentirem realizadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A harmonia, a paz interior sonhada, a mulher vai encontrar quando fizer um acordo com o lugar de faltosa. Para tanto, ela precisa construir outras instâncias fálicas, outros nichos de interesse e se libertar do amor como única paixão. O amor deve operar como mais uma das instâncias que dão sustentação ao feminino. Como amar mais coisas além do amor? Muitas mulheres vivem bem tanto sozinhas ou quando estão amando. Outras ainda se atormentam com a falta do amor. Torturam-se com a idéia de não conseguirem uma forma de aplacar a tragédia do desamparo, se sentindo desamparadas, abandonadas, rejeitadas. O tormento feminino é a dificuldade de fazer as pazes com o falo – o representante da falta no ser humano. A parceria com um homem oferece à mulher a possibilidade de suplência à sua falta de definição. A definição de feminino depende da mediação de um homem. É sempre para um outro que a mulher quer ser o falo – conquistar um lugar de poder, ser admirada. A mulher procura suscitar olhares de reconhecimento. Querer ser desejada por um homem é querer que ele, sem ela, se sinta incompleto, na falta. Assim a mulher se oferece para obturar a falta daquele que ela lançou na posição de dividido, frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Entre o homem e a mulher há o falo - um mundo a ser desvendado, um muro a ser implodido. Ridículo não é desejar o amor, mas fingir que ele não nos faz falta. Objeto ultrapassado ou sentimento resistente que tampouco a internet conseguiu destruir? Amor serviçal, amor que sacrifica o outro e sua essência, amor vegetal, que não brilha. Amor informatizado, virtualizado e mercenário vira peça de museu, obra de exposição e merece ser deletado. Sophie e Marta nos ensinam que amar é experiência generosa que possibilita nos tornar melhores. Tanto a mulher como o homem precisam enfrentar a falta. Melhor seria que fosse de forma menos enganosa, dissimulada - o que exige humildade para reconhecer limitações, despreparos. Sem isso iremos sempre demonizar o outro que nos abandonou - atribuindo apenas a ele a responsabilidade pelas frustrações, insatisfações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 26/12/09 no caderno Pensar do E.M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-4497009144831813413?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/4497009144831813413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=4497009144831813413&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4497009144831813413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4497009144831813413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/03/o-amor-no-feminino.html' title='O AMOR NO FEMININO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3922073705438997637</id><published>2010-03-17T16:24:00.001-03:00</published><updated>2010-03-17T16:25:46.116-03:00</updated><title type='text'>A solidariedade é branca</title><content type='html'>Eliane Dantas&lt;br /&gt;O médico argentino Emiliano trabalha para os Médicos sem Fronteiras, a maior organização internacional e não governamental de ajuda humanitária do mundo. Ela atua em conflitos armados, catástrofes naturais, epidemias, fome e exclusão social. Recentemente, ele esteve de passagem por Belo Horizonte. Sua presença e suas experiências me fizeram querer entender melhor o significado de solidariedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, o que é a solidariedade que o mundo convoca e evoca e tem sido tão usada mercadologicamente? As palavras são elásticas. Os sinônimos são aproximações, portanto é bom investigar os significados para não ficar restrito ao senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem da palavra solidariedade encontra-se no latim, com as palavras solidum (totalidade, soma total, segurança) e solidus (sólido, maciço, inteiro). Na definição do dicionário Aurélio, é “sentimento que leva os homens a se auxiliarem mutuamente”.  Uma definição que julgo mais completa é de uma encíclica de João II : “Determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos”.  A solidariedade, portanto, é alternativa ao egoísmo, é responsabilizar-se coletivamente pelo presente e pelo futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, voltemos a Emiliano, que está nas missões “não para salvar a vida de alguém, apenas para dar outra oportunidade”. Na sua fala, percebe-se que não há vaidade, ele não se coloca como herói, não cria um mito em cima de si mesmo nem tão pouco da ONG. Pelo contrário, desmitifica o imaginário coletivo. Não nega que ele e os colegas arriscam suas vidas, mas afirma que o risco é menor do que imaginamos porque vários cuidados são tomados para protegê-los.&lt;br /&gt;A atuação de Emiliano é altruísta, mesmo que seja remunerada, e pode se dar na Etiópia, no Peru, na Colômbia, no Paraguai, em Angola.  É mais do que caridade e compaixão. É solidariedade larga, não restrita à sua  familia, ao seu bairro, ao seu país. É uma demonstração da  consciência de sentir-se também responsável pelo mundo e pelo bem-estar das pessoas que o habitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando melhor entendermos que a ausência da solidariedade é geradora de violência, além de nos vestirmos de branco e soltarmos pombas para pedir paz, nos envolveremos em ações que realmente são transformadoras. Além de participar de protestos para marcar um dia, um crime, um sonho, atuaremos com mais ética, delicadeza, sensibilidade, humanidade todos os dias. Seremos agentes e não expectadores de mudanças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo há pessoas que são ícones da solidariedade: Ghandi, Mandela, Paulo Freire, Mohamed Yunus. Este fundou o banco Grameen, em Bangladesh, para concessão de microcrédito a pessoas de baixa renda, principalmente mulheres, para financiar atividades produtivas, livrando essas pessoas da dependência de agiotas. Libertou milhões da miséria extrema e resgatou autoestimas. Categórico, afirma que não há paz duradoura com pobreza. Não por acaso, ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos outras pessoas não ganharam fama por seus feitos, mas conquistaram a admiração de pessoas próximas. Podemos nos inspirar em qualquer uma delas e indagar: Sou suficentemente solidário? O que posso fazer para humanizar o mundo? E a mim mesmo? Quem aprende, pode ensinar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3922073705438997637?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3922073705438997637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3922073705438997637&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3922073705438997637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3922073705438997637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/03/solidariedade-e-branca_1233.html' title='A solidariedade é branca'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3798454692399711950</id><published>2010-03-11T08:55:00.001-03:00</published><updated>2010-03-11T08:55:58.166-03:00</updated><title type='text'>MODERNIDADE E ESTRANHAMENTO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O filme Hanami - Cerejeiras em flor nos fala de saudade, modernidade, estranhamento, tempo e morte. Um casal vive sozinho numa pequena cidade na Alemanha. Trudi, a esposa, descobre que Rudi, o marido, está com uma doença terminal e lhe propõe viajar. Visitar os  filhos em Berlim e no Japão. Seu sonho era conhecer o Monte Fuji e apreciar as cerejeiras em flor. É o momento de aproveitar o tempo que ainda lhes restava para realizar os desejos adiados. O Japão despertava curiosidade em Trudi. Agressivo no progresso tecnológico e delicado em seus rituais e tradições. Da comida às danças, músicas e vestuário, tudo é cercado de detalhes e pequenos gestos. O ato de comer, o momento do alimento, para eles, é sagrado. Não combina com a pressa das metrópoles. Contudo, a modernidade os atravessa e rompe a cultura da leveza e da sutileza. Hábitos ocidentais convivem com orientais - ambos se adaptaram ao tempo que urge. O filme surpreende pela sabedoria de Trudi, que não se deixava contaminar pelo discurso da pressa - frieza e secura da vida in chips. Sempre encontrava uma forma de tocar a essência. Conquistar o carinho da neta que a olhava distante e interessada em seus bichinhos eletrônicos, suportar o mal-estar dos filhos causado pela visita inesperada dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Visitante inoportuno é o que chega e desequilibra o cotidiano de trabalho e obrigações. Sempre carregamos a agenda com afazeres prementes. Geralmente, essencializamos o banal e relegamos o essencial. No filme, o desconforto causado pela presença dos pais, nos filhos, nora e netos, é visível. Tudo incomoda - a cama cedida, as reivindicações aos passeios. Estranhamento e distanciamento se instalam. Pais que não conhecem os filhos e filhos que desconhecem os pais. Quem somos nesse mar de tarefas e cobranças? O mundo que nos cobra excelência e resultado é o mesmo que nos desconserta e atordoa. Já não sabemos mais como nos comportar diante de sentimentos e desejos íntimos. Como conciliar demandas tão desencontradas? Na tela vemos as contradições que cercam a existência humana. A impotência do homem pós - moderno, industrial, iluminista, capitalista. Que momento é esse que temos que ser bons em tudo - informática, dinheiro, cultura, corpo, sexo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Trudi e Rudi representam a última geração de pais que souberam priorizar o tempo do amor, da ternura e da comida. Trudi preparava, todo dia, o sanduíche que Rudi levava ao trabalho – pão e maça, alimentos bíblicos. O amor entre eles era profundo, havia conexão entre sentimentos e gestos. Os conflitos eram vivenciados com sabedoria e paciência. Companheiros no amor, nas alegrias e decepções. É quando sentimos que a união faz a força - um realmente se apoiava no outro. Lembrando-nos que a existência, quando compartilhada, se torna leve e gostosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ao ver os filhos distantes e inseridos no frenesi de um outro mundo, um tempo que eles desconheciam, com demandas que lhes eram estranhas, o casal se desconcerta. Uma frustração escapa da tela e nos bate fundo. Momento duro da interação: cinematografia e espectador, arte e realidade, sentimento e progresso. O mal-estar dos pais atravessa a dimensão artística e toca o real, o inominável. A morte nos espreita todo o tempo e nem assim desistimos de correr, fugir ou desprezar o essencial. Será que valorizamos o que, no fundo, não concordamos ou desejamos? Estamos todos no mesmo barco que se afunda. Somos todos passageiros de um só Titanic. Calados e resignados, assujeitamo-nos à tragédia que preparam para nós. Cúmplices aceitamos os minutos, as migalhas de tempo que nos é permitido no lazer e na vida em família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Trudi, diante de um marido irredutível, desiste de conhecer o Japão, mas o convence de ir à praia e matar a saudade do mar. E lá o jogo da vida se inverte. Trudi morre repentinamente. O destino e suas ironias sempre nos surpreendendo, sempre furando a fila e levando as pessoas trocadas. O filho que morre antes dos pais, o saudável que vai primeiro que o enfermo. Ainda assim não abandonamos a arrogância e a ilusão de que somos senhores do futuro. Desprezamos a superioridade do acaso, do indeterminado. Definitivamente, não somos donos do nosso tempo de vida, ele sempre nos escapará – faltará ou excederá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A questão central do filme é nos chamar a atenção para a sutileza da vida, um alerta aos que definem a agenda priorizando apenas negócios – não “negam o ócio”. Sempre sacrificando a convivência entre pais ou filhos, crianças ou idosos. Um alerta aos casais que, com o aval da modernidade, julgam comum desconsiderar o desejo do outro. Rudi, devastado com a morte de Trudi, descobre saídas honrosas para o seu luto. Sabedoria ao enfrentar a morte da pessoa amada. Viúvo, uma nova trajetória se inicia. Estratégias ao confrontar o real da morte, a dor de uma ausência imprescindível. Reinventar saídas para a solidão, para o tempo que ainda lhe restava. Conviver com a impermanência - lembranças ternas e eternas. O que fazer com a saudade, os resíduos do outro? De onde extrair forças para realizar, sem a pessoa amada, o que, com ela, se recusou a viver? Rudi se mune de coragem e não se acovarda. Peregrino do desejo do outro. Parte em busca de Trudi, do pouco que dela restava nos jardins, nas cerejeiras, na dança japonesa e no Monte Fuji. Articula uma companhia, alguém que, com ele, encarnaria os sonhos da esposa. Ao se cercar de Trudi, suas roupas e preferências, Rudi encontra paz e alívio. É a vida nos apontando infinitude e grandeza diante do abismo. Sempre nos reservando surpresas, saídas dignas quando não nos apequenamos. Rudi abriu a alma e aceitou os desígnios de vida - visitas inoportunas e indesejadas. Sempre desprezamos os indícios da morte. Sempre nos julgamos eternos - nossa permanência na terra sempre foi dada como certa e garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A vida que nos escapa das agendas e dos compromissos de trabalho nos cobra sabedoria. Como conciliar morte e eternidade, impermanência e memória, saudade e ternura, ausência e presença? Rudi, ao transformar fragmentos, ao debruçar sobre os vestígios de uma vida a dois, teceu uma parceria entre vida e morte. Parceiras fiéis, silenciosas e traiçoeiras. A esposa precisou morrer para que ele descobrisse uma outra vida. A que se escondia nas floradas das cerejeiras e no Monte Fuji. A montanha que, com sua cadência, nos ensina a conter a pressa, a aguardar os sinais visíveis - a luz só surge depois da neve e da neblina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Há algo escondido na morte que clama por nós, que requer de nosso olhar atenção e cuidado. A vida, por meio da morte, nos cobra grandeza de alma e serenidade no existir.  Quão de sutileza nos espreita? Quão de beleza há submerso na natureza e nas pessoas? Sempre olhamos a vida com olhos contaminados por uma falsa pressa. Geralmente, fazemos ouvidos moucos aos desejos alheios. Arrogantes, aderimos às escolhas convencionais, aos modismos infundados e esvaziados de sentido. Qual o sentido de conhecer Veneza sem antes conhecer os filhos, sem antes saber mais da pessoa amada? Desejo é manifestação interna, anseio inconsciente. É desordem, bicho que escapa furioso, sem rumo. Não há desejo comedido – visitar o Japão é descomunal, é loucura sábia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O rumo é a civilização, é ela quem norteia nossos passos, nossas pulsões. Nosso inconsciente é ganancioso, consumista e midiático. Contudo, como enfrentar os excessos, a forma descabida e insana com que os homens de negócios se apropriam do nosso desejo? Determinar o tempo do amor, das cerejeiras e das montanhas. Pouco sobra para apreciar a vida que brota das árvores e das pessoas. Até que ponto somos contaminados pela verdade do Outro - empresário que nos influencia com suas ofertas inúteis, suas quinquilharias desnecessárias e efêmeras. Muitos são os pecados cometidos em nome de um grande outro que nos comanda com seu discurso científico e tecnológico. Reverenciamos os senhores da mídia, dos laboratórios, os homens de ternos e pastas pretas - donos do dinheiro e da infelicidade. A vida submetida aos ditames do mercado é vida murcha, pobre e desvitalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Rudi se rejuvenesce quando abre os olhos para a natureza, essa senhora que aprendemos a desprezar e emporcalhar. E que acolhe Rudi sem cobranças e ressentimentos. A vida que ele desprezava e que, por fim, o salvou e lhe devolveu a alegria que Trudi levou. Beleza permanente é a que se esconde na natureza, eterniza a existência e recobre de dignidade a frágil experiência humana. Passagem faltosa que realizamos na terra. O filme nos ensina a respeitar a condição de finitos, a enfrentar estranhamentos. Desvelar a beleza dessa senhora grisalha, companheira crepuscular, visita indesejada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado no caderno Pensar em 6/3/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3798454692399711950?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3798454692399711950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3798454692399711950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3798454692399711950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3798454692399711950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/03/modernidade-e-estranhamento.html' title='MODERNIDADE E ESTRANHAMENTO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-2590908706566714081</id><published>2010-03-03T21:40:00.000-03:00</published><updated>2010-03-03T21:42:30.340-03:00</updated><title type='text'>FRACASSO DA LEI-DO-PAI</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Há muito que a droga entrou na sociedade como mercadoria fashion, consumo “obrigatório” entre os jovens, perdendo a dimensão onírica, utópica e sublimatória. A mania phármakon, atualizada no crack, é apenas a manifestação de questão que merece ser abordada no campo da prevenção. Freud chamou a atenção para algo que pulsa “além do princípio do prazer”. Poucos vão à festa sem de lá saírem entorpecidos por drogas lícitas ou ilícitas. Tornou-se chique embebedar-se. Há uma conotação de virilidade entre os cultuadores do álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Muitos pais se esquecem de que tudo pode começar com a cervejinha - excessos nos churrascos familiares. A moda é pais permissivos que levam a vida sem querer saber o que se passa com o filho, como ele chega em casa, de madrugada. Muitos começam a beber ainda na adolescência – em festas e baladas. Os hábitos mudaram, tornou-se normal os jovens freqüentarem, ainda pela manhã, bares que rodeiam as universidades. Café da manhã à base de cerveja e coxinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Toxicomania é prova cabal do efeito das propagandas que vinculam bebida ao sexo. Ao se intoxicar, o jovem apenas consome um produto de dois mercados: de bens e do gozo. No contexto da sociedade de consumo - não há saber que resista ao efeito corrosivo da atuação do mercado -, o toxicômano ocupa um lugar de fragilidade. O jovem é tido como presa fácil dos traficantes. Vulnerável, suas defesas são frágeis, pois, justamente nessa época, ele está elaborando escolhas. Ninguém nasce forte em suas convicções. A implicação dos pais na formação dos filhos requer vigilância constante. Sempre haverá um resto passível de ser orientado. Freud incluiu o ato de educar entre os ofícios impossíveis de serem concluídos - é tarefa interminável.  &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;   A ação espetacular da mídia sufoca qualquer produção de subjetividade que esteja fora de seu alvo. O discurso que permeia a juventude - de que bebida é sinônimo de potencia sexual, por exemplo - opera uma fratura no sentido da vida, um deslocamento de significação. Se antes os seduzíamos pelo esporte, pela música, pelas amizades ou pela profissão, agora os enlaçamos pelo gozo mortífero das drogas. Gozar com a droga é diferente que gozar com o sexo. Estamos vendendo aos jovens um gozo falso, traiçoeiro e falido.&lt;br /&gt;  Criado fora da lei, sem conviver com a falta e a frustração, o jovem não suporta as restrições pulsionais que a vida impõe. Provavelmente, vai sair atropelando, agredindo e atirando nos obstáculos ao gozo. As interdições devem ocorrer quando se é bebê. Geralmente, quem não é limitado desde pequeno em seus impulsos acabará, mais tarde, limitado pela pulsão de morte. O sujeito não acaba com a vida por que usa droga, mas, inconscientemente, procura a droga como mecanismo de autodestruição. Há dimensão erótica no encontro com a morte - resíduo de gozo masoquista. É quando devemos suspeitar de nós mesmos. Como afirmou Freud: “não somos senhores nem em nossa própria casa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Quando o pai entrega o filho à polícia por ele, sob o efeito do crack, ter estrangulado a namorada, temos o total fracasso da lei paterna - o pai assume a impotência em sua função. O fracasso das instituições (família, escola, polícia) nos aponta a anomia. O momento é de repensar os papéis das instituições na restauração da autoridade perdida. O que leva um jovem a subverter as leis que regem a vida em sociedade, a nada temer? Quando os pais não inserem o filho na cultura, quando ele não é barrado em seus excessos, quem o faz é o Estado - no caso, a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O toxicômano rompe com a lei paterna ao se posicionar fora da cadeia significante, da ordem simbólica. Vive o gozo que “curto-circuita” a fantasia, inviabiliza o laço social e impede a emergência de sentimentos como vergonha e culpa, por exemplo. Constrangimento, responsabilidade e respeito fazem parte da concepção de alteridade, são estruturantes do sujeito. Não é normal sairmos pelo mundo agredindo os outros, desrespeitando leis sem sentirmos desconforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O sujeito identificado com o objeto droga internalizou a imagem de dejeto, de pouco valor. Dentro de que significantes os jovens estão sendo estruturados? Muito do que somos resulta do que vimos e ouvimos em nossa infância. Se um pai se dirige ao filho de forma despreziva, ele vai atuar a partir desse registro. Se o filho sente que o pai não prioriza seu tempo para com ele, registra que o pai não gosta dele, ou lhe atribui pouca importância. Atitudes como essas são devastadoras para o sujeito, que, com o intuito de provocar a indiferença do pai, reage com atitudes antissociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A violência entre os jovens cresce proporcionalmente à forma despreziva com que são  tratados pela família ou pelo governo, por exemplo. A crise de autoridade que permeia as instituições reflete o fracasso do pacto edípico, quando o indivíduo recusa a ordem que sustenta a civilização – desejo de produzir e lutar por um futuro. O toxicômano é um demissionário do falo.&lt;br /&gt;  A única autoridade a que o toxicômano obedece é a morte. Somente ela é capaz de detê-lo em sua ensandecida via-crúcis de sofrimento. A vida sem fantasia e sem perspectivas é  parceria com a morte – amiga fiel que sempre surge para salvá-lo do inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A problemática das drogas se insere na mudança de lugar do pai na atualidade, quando este ocupa um espaço esvaziado de autoridade. Todo sujeito requer condições psíquicas para suportar as restrições que a cultura lhe impõe. É a lei do pai que garante ao sujeito  acesso à linguagem e à cultura - quando a família refreia o gozo, os excessos. A droga entra, muitas vezes, como suplência ao fracasso da função paterna, como arremedo à ausência da lei. De forma trágica, o toxicômano acaba se defrontando com alguma forma de limite – hospital, prisão ou cemitério. O toxicômano é um ressentido da ausência de falta, um frouxo de desejo. A falta, ao mesmo tempo em que incita o desejo, o limita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A agressividade ressituada não se inscreve apenas no campo pulsional. No deslocamento do campo pulsional para o campo do gozo, a agressividade se torna egóica na tentativa de fundar um espaço próprio. Não é o único caminho. Mas, tanto quanto menos simbolicamente um sujeito se sinta garantido, tanto mais vai apelar para outras formas de gozo. A droga é efeito do desamparo infantil frente à substituição da autoridade paterna. A questão é a relação do jovem com a ausência de lei. Por isso, muitos recorrem à religião. Como nos lembra Freud: “a relação pessoal com Deus depende da relação com o pai e que, no fundo, Deus nada mais é que um pai glorificado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Interessa investigar a raiz neurótica da “angústia do pai”. Muito da delinqüência remete ao desamparo original. Expressada na toxicomania, a delinqüência não reflete apenas questões subjetivas. Tornou-se um fenômeno social, uma forma de reação ao sofrimento, ao futuro morto – educação precária, desemprego, solidão. Estamos diante de verdadeira mutação cultural, de novo estatuto de ordenação do gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O gozo do toxicômano se dá inseparável do próprio corpo. Não passa pelo corpo do outro, o que o torna cínico. O cínico goza à revelia do outro. Lacan vai estabelecer  distinção essencial entre prazer e gozo, residindo este na tentativa permanente de ultrapassar os limites do princípio de prazer. Tal movimento, ligado à busca da coisa perdida que sempre vai faltar, é causa de sofrimento. E tal sofrimento nunca erradica por completo a busca do gozo. O gozo se sustenta pela obediência do sujeito a uma ordem, que o leva a abandonar o desejo e a se destruir na submissão ao outro. O conceito de gozo está relacionado com a lei. Essa pode ser uma relação de desafio, submissão ou de desdém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Vários são os Nomes-do-Pai - religião, arte, esportes, trabalho. Sempre haverá um lugar simbólico que sustente o sujeito em sua relação com o objeto de satisfação. A cultura hedonista quer suprimir qualquer dimensão de sacrifício. Os toxicômanos de hoje são filhos de uma geração que, preocupada em romper com os interditos morais, acabou criando as condições para uma apologia do monopólio do gozo. Um ideal de sociedade em que os jovens podem tudo realizar. Com isso criamos uma sociedade doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A realização harmoniosa do gozo é aposta de apaziguamento. Contudo, a toxicomania deve migrar da delinqüência para o campo da terapêutica. O toxicômano é um ser não castrado. Castração é perda, é limite à onipotência do desejo – enfrentar o gozo em seu pacto de morte. À psicanálise, diante do gozo do toxicômano, resta operar com fantasias. Apostar na identificação com outro lugar que não seja droga, dejeto. Restaurar o encanto, o desejo por belezuras e a esperança no amor – troca afetiva e construção de futuro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado em 16/01/2010 no caderno Pensar do E M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-2590908706566714081?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/2590908706566714081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=2590908706566714081&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/2590908706566714081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/2590908706566714081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/03/fracasso-da-lei-do-pai.html' title='FRACASSO DA LEI-DO-PAI'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-7122053208906259305</id><published>2010-02-09T10:58:00.004-02:00</published><updated>2010-02-09T11:06:10.727-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>ÉTICA DA FAMÍLIA&lt;br /&gt;Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que relação que podemos estabelecer entre família, ética, tempo e modernidade? Em que ética as crianças são educadas quando a lógica é do tempo-benefício? A pressa que aflige a vida moderna contribui para a solidão e depressão, nos esvaziando de sonhos, esperança e beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo! Quem é esse poderoso que comanda nossas vidas? A relação com ele se modificou ao longo da história. Antes, o relógio ordenador da vida social era o da torre da Igreja, depois migrou para a torre da fábrica, agora se disseminou entre valores e prioridades que comandam nossos passos. Quem é esse que tem a chave dos minutos e que, embora não o conhecemos, o obedecemos? Um “Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos...Por seres tão inventivo e pareceres contínuo...Que sejas ainda mais vivo no som do meu estribilho” - e que mereceu de Caetano uma oração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família contemporânea vive imersa na temporalidade urgente dos compromissos inadiáveis, uma prioridade regulamentada por um terceiro invisível, um grande outro que sutilmente decide qual o tempo que ela deve despender com os filhos. Convencionou-se que gastar parte do dia com os filhos é “perder tempo”. Tempo que foge à esfera econômica é tempo inútil. A tecnologia criou o tempo do computador, do celular, da TV. Parafernálias com representação social de valor, seriedade - gente ocupada que pensa e age com responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade pós-industrial expropria o sujeito de tudo que lhe é próprio – experiência, desejo, escolha. Na condição de consumidores de imagens e modelos, acabamos confundindo o sentido da vida com os interesses do mercado, pois é o fetiche da mercadoria que atribui aos objetos poder e erotismo. Hoje, vamos ao shopping com a mesma ânsia que íamos ao cabaré. Em busca de ilusão nós nos submetemos ao poder de sedução das mercadorias. Preocupante não é quando desejamos objetos de consumo, mas quando o laço social é organizado pelo consumo.&lt;br /&gt;Walter Benjamin, filósofo e crítico da modernidade, confessa: “para viver a modernidade, é preciso uma constituição heróica”. Se a modernidade exige coragem na recusa às seduções e no enfrentamento dos desafios, como nos preparar para resistir ao lixo moderno - televisivo, midiático, cibernético?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão moderna vincula tempo à obrigação, dinheiro. Contudo, há um tempo que nos acompanha - ora nos angustiando, ora nos alegrando. Qual existência queremos tecer ao longo da vida? Um tapete que bordamos exige tempo e entrega. Em cada ponto fincamos sonhos e esperança e tecemos a metáfora da vida - quando viver é desfazer pontos, desatar nós. Esse tempo nós podemos e devemos comandar, pois se foge ao nosso controle e é dirigido por um terceiro alheio ao nosso desejo, é devastação na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família moderna vive oprimida entre o desejo e os comandos do mundo do trabalho, da aparência e da ostentação. Se ceder em seu desejo, sente-se culpada por estar em desacordo com o que a sociedade estabeleceu como bem. Como apossar do tempo como algo próprio, decidindo quanto devemos despender com filhos, amores, livros e amigos? Como enfrentar esse déspota que nos tortura exigindo que façamos algo que detestamos ou em que não acreditamos? É preciso coragem moral para discordar das convicções estabilizadoras dos laços sociais. A tragédia do homem moderno é conciliar desejo, autonomia e liberdade. Conquistar uma temporalidade própria sem ser derrotado pela culpa - transcender padrões e instituir outra lógica temporal.&lt;br /&gt;Vivemos premidos por uma culpa neurótica que nos impede de usar o tempo como desejamos. Orientar-nos pelo que definimos como bem exige longa caminhada. Seguir pegadas alheias é mais fácil que inaugurar trajeto próprio. Muitas vezes criamos meios de fugir dos fantasmas que nos atormentam. Sem tempo justificamos tudo. Fugimos para não nos envolver com os demônios que urram, para não decifrar enigmas que nos cutucam. Corremos das oportunidades de nos questionar, nos investigar. Fugimos dos objetos perdidos, das marcas mnêmicas que nos afetaram. É confortante não ter que construir um sentido próprio para a existência. Se fomos programados para desejar o que não desejamos, pra comprar o que não necessitamos e para viver como não escolhemos, como garantir que gastaremos o tempo executando realmente o que acreditamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor de se saber só, de apalpar a precariedade e os limites da condição humana. Ao enfrentarmos os desafios que o mundo nos impõe, é natural ansiarmos por rotas de fuga. O tempo ocupado não pensa no futuro incerto, na velhice solitária. O tempo alienado não nos atormenta com questões íntimas. Indigentes de sentimentos, mendigos de nós mesmos, como ter tudo não nos tendo? Eis o paradoxo do mundo moderno: ao mesmo tempo em que ele controla tudo, não nos quer decifrando nossos incômodos, angústias. Quando o encontro entre as pulsões eróticas e o objeto que orienta as buscas afetivas fracassa, o sujeito vaga desvitalizado, deserotizado. Dos amores que orienta o filho, amores edípicos, restam apenas traços desbotados e imagens esmaecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O indivíduo moderno vive a individualidade como metáfora de progresso e avanço. Mergulha numa pletora de tarefas e prescinde do outro. Com agenda carregada não se deixa afetar pelos apelos do coração - filhos, família, amor. O indivíduo bem sucedido que a atualidade cultua não tem tempo para coisas miúdas, desconcertos internos. Sentimentos oscilam e contradizem a lógica de perfeição. Sem tempo para os chamados íntimos, a vida fica chata. Como superar o amor perdido? O tempo de luto implica a reconstrução de um novo ritmo - agora sem o objeto amado. Necessitamos, diante de uma perda afetiva, de tempo para nos reorganizar psiquicamente. Há o tempo do choro, da tristeza. Virou moda querer sanar as perdas somente com remédios, cobrando pressa no trato da dor. Hoje, é proibido curtir o que antes chamávamos de fossa - temos logo que partir para outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro adiado, tristeza tamponada. Sentimento sufocado produz ressentimento. Adiar raiva e agressividade faz mal. A paz sonhada não chega meio à fuga aos incômodos e desconfortos. Não podemos passar a vida apenas fotografando a felicidade, os momentos de alegria. O prazer de viver deve atravessar as entranhas e se instalar no cotidiano. Ao captarmos a alegria apenas por flashes, nos posicionamos como demissionários de nossa própria causa. O afã em registrar fragmentos que testemunham o bem viver deflagra nossa miséria existencial, nossa mendicância afetiva. A vida que queremos agarrar se esconde nas frestas da intimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renascer, rever, vivenciar, saborear. Sabor e sabedoria andam juntos, diz do desejo de querer saber mais de si. Segurança interna advém de saber fazer, saber sofrer, saber esperar. O renascimento de sentimentos novos exige apaziguamento na alma. Felicidade combina com morosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O belo tem o estatuto de algo perdido e que escapa à lógica do tempo mercadoria. Em O tempo e o cão, Maria Rita Kehl busca em Baudelaire elementos que confirmam a conexão entre modernidade e depressão: “A modernidade se apresenta a Baudelaire como um tempo disforme, em função da velocidade com que supera a si mesma e a tudo que a antecedeu a fim de se perpetuar”. Obsolescência das mercadorias, desvalorização da experiência e memória, cultura do efêmero. Tudo provoca antecipação do futuro e banalização do passado e do presente.&lt;br /&gt;O tempo homogêneo que todos usam de forma igual se apresenta num eterno presente, confundindo passado com futuro, como ilustrou R, jovem em análise: “Até há pouco tempo viver para mim era tudo igual, não tinha passado nem futuro, era só presente”. O que marca a duração é o tempo afetivo - as intermitências do coração que nos surpreendem e embelezam. O que executamos sem sentir é outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baudelaire faz uma relação entre melancolia e estética. E Maria Rita Kehl completa: “a beleza das velhas mulheres, das velhas coisas, das coisas perdidas, associa-se nessa passagem não apenas aos valores morais que elas preservam, mas à dor que elas evocam”.&lt;br /&gt;Na ditadura militar era proibido contrapor o autoritarismo. Muitos viviam na clandestinidade. Hoje, proibido é não seguir tendências, modismos. Muitos se envergonham por não aderir à permissividade ou não exibir uma bela plástica. São os clandestinos do desejo. Aos pais cabe decidir uma ética e estética para os filhos, ensinar o que é belo e relevante. A humanidade sem rosto e sem vigilância ética convida à desordem, à anomia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-7122053208906259305?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/7122053208906259305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=7122053208906259305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7122053208906259305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7122053208906259305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2010/02/etica-da-familia-inez-lemos-que-relacao.html' title=''/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-7865531929558161234</id><published>2009-12-13T22:59:00.001-02:00</published><updated>2009-12-13T23:01:09.215-02:00</updated><title type='text'>RECATO NECESSÁRIO</title><content type='html'>Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone e Sartre, dois monumentos do pensamento moderno, duas vidas que se cruzaram, dois sobreviventes de tempos de guerra. Qual o sentido de escrever sobre eles, filósofos existencialistas, numa época em que a filosofia é tão pouco cultuada, reverenciada? O que têm eles a nos dizer? Como buscar experiências que nos orientam - um estilo de vida que  apontam outras atmosferas, outras formas de sentir e expandir a vida? Diante de tantas notícias catastróficas, de uma juventude desesperançada, que, de forma descabida, desafia a vida no trânsito e nas drogas, onde vislumbrar saídas? Modelos de vida que nos descortinem esperança e desejo de lutar, transformar? A vida de Simone de Beauvoir está arrastando multidão ao teatro com a peça Viver sem tempos mortos. Fernanda Montenegro, ao encarnar Simone, metaforiza a época em que o pensamento encantava o mundo com sua pujança e júbilo. Época em que os jovens eram seduzidos pela emoção dos debates. Talvez nos filósofos encontremos passagens significativas que nos ensinem que “viver é melhor que morrer”. Como desafiar a pulsão de morte que contamina os jovens, quando muitos não respeitam leis e se entorpecem diante de uma tela? A transgressão vazia e o consumo catastrófico servem a interesses escusos que oferecem o supérfluo e afasta o transcendente. Na imanência, peregrinamos no escuro.     &lt;br /&gt;“Mamãe levava-me por vezes a uma pequena livraria próxima do curso para comprar romances ingleses; duravam porque eu os decifrava lentamente”. Em Memórias de uma moça bem-comportada, Simone descreve belos momentos de sua vida e revela seu estranhamento com o mundo adulto, que insiste em apresentar à criança um mundo já pronto, como se todos o sentisse igual, ou o desejava da mesma forma, quando a condescendência dos adultos transforma a infância numa espécie cujos indivíduos se equivalem: “as crianças adoram avelãs”. Ao que Simone responde “Meus gostos não me eram ditados pela idade; eu não era “uma criança”: era eu”. Desde pequena Simone se distinguia do senso comum, sentia o olhar de desprezo das outras crianças que se regozijavam triunfantes. A disputa na infância é cruel, aniquilante, mas Simone soube enfrentar os olhares de discórdia, de reprovação por suas escolhas singulares. É importante que os pais encorajem os filhos quando esses fazem escolhas que ressaltam aos olhos da maioria.&lt;br /&gt;Simone reivindicava um quarto só para ela, pois assim poderia estudar e ler em paz. Hoje,  muitos jovens desfrutam de espaço e tranqüilidade, mas poucos identificam na leitura um bem, meio precioso de sabedoria e formação: “Aprendi a fazer minhas lições e a estudar em meio ao ruído das conversações. Mas era-me penoso não poder isolar-me. Minha irmã e eu invejávamos ardentemente as meninas que tinham um quarto para si; o nosso não passava de um dormitório”. Uma forma interessante de inserir as crianças no mundo encantado dos livros é, quando ainda bebês, ler para eles ou lhes contar histórias. Criar o hábito da leitura, o amor por livros é um dos melhores presentes que os pais podem oferecer ao filho. Assim ele terá boa companhia para o resto de sua vida. Simone reconhecia, agradecida, o privilegio dessa descoberta, acontecimento grandioso - o contato que estabelecia com o mundo por meio da literatura. Encantava-se com as histórias, belo objeto que se bastava a si mesmo, como um espetáculo de fantoches. Era sensível às construções - roteiros em que as palavras adquiriam brilho próprio. Os livros a faziam refletir sobre o mundo que a cercava, como a sonhar, fantasiar e questionar convicções. “Andersen ensinou-me a melancolia; nos contos dele os objetos sofriam, quebravam-se, consumiam-se sem que merecessem a desgraça”. Somos um pouco de cada livro que lemos - uma trama de diversos autores, diferentes imagens que internalizamos e ricos devaneios nos quais mergulhamos.&lt;br /&gt;O mundo universitário explode meio à permissividade e à pobreza simbólica. Jovens ansiosos perambulam em busca de sentido. É visível a descrença dos jovens no estudo e no conhecimento como perspectiva de vida. Desesperançados, vagam pelo campus - espaço esvaziado de idéias que perdeu o papel de fomentador do pensamento. O debate, a contradição e o confronto operavam como formadores de opinião. Como explicar o fato da estudante que foi “quase estrupada” na universidade por portar um minivestido? Quando a universidade não propõe nada mais interessante, cabe aos alunos provocar um lugar para existirem, um acontecimento - apelar às pernas, à violência. Tudo vale para ocupar o vazio de utopia e esperança. Um jovem precisa encontrar algo a que se apegar - sem utopia, viver é pesadelo. Quando tiramos da juventude a esperança por um mundo melhor e resumimos a existência num shopping center 24 horas, não podemos cobrar dela elegância e sabedoria. Os crimes envolvendo os jovens denunciam empobrecimento simbólico. Ao cultuarmos aparência, espetáculo e sucesso instantâneo, denunciamos nossa opção ao narcisismo e ao hedonismo.&lt;br /&gt;Sartre reafirmou o valor da esperança na formação humana: “Acho que a esperança faz parte do homem; a ação humana é transcendente, visa sempre um objeto futuro a partir do presente onde a conhecemos e onde tentamos realizá-la”. Sartre não encarava a esperança como uma ilusão lírica, mas algo que norteava o pensamento e a ação, uma imagem lúcida da condição humana. A jovem que vai à faculdade vestida como se fosse a uma festa, denuncia desespero, confusão de papéis provocada por uma sociedade que não mais cultua o estudo como valor humanitário, condição de transcendência e consistência interior. A universidade perdeu a sedução pela produção de conhecimento - estudar, pensar, debater tornou-se supérfluo. O que vale é o espetáculo - seja por meio da agressão àquele que o provoca -, como fizeram os 700 alunos da Uniban.  É a violência metaforizando a vida. Vândalos esfomeados de sentido. Quem não se alimenta do belo (arte, filosofia), se alimenta da carne.&lt;br /&gt;Deliciamos-nos com uma mídia obscena e extravagante, que gosta de exibir mulheres nuas. Cultuamos o exagero, o sórdido e o estupor, divertimo-nos com a maledicência. Alardeamos o erotismo masoquista, a libidinagem em vídeo e a devassidão nas imagens. Somos a república da perversão, cujo entretenimento dos jovens é sair de madrugada espancando mendigos, índios, prostitutas e homossexuais. É a festa da impunidade que grassa no país do carnaval e da cerveja. Aqui vale tudo, desde que seja rentável. Os jovens apenas expressam o inconsciente brasileiro e obedecem ao discurso do mestre, quando agem convictos que o crime compensa - falta de respeito e constrangimento também. Somos uma fábrica de produzir heróis às avessas. Qualquer corpo de fora, fofoca e traição viram notícia, produz celebridades e revertem bons cachês na Playboy. Do cabaré de Brasília ao Big Brother, a ordem é arriscar alguns minutos de glória. Estamos sempre sendo convocados à falta de decoro e honradez. O Brasil é um convite à libertinagem?&lt;br /&gt;“Que venha a mídia, eu quero mais é ser desejada, virar artista, ganhar muito dinheiro, trabalhar pouco e ser respeitada, pois pobre nesse país não vale nada”. Eis o desabafo de uma aluna de escola pública, ao justificar por que não quer estudar - cujo sonho é ser modelo ou artista, como muitas que ela vê na TV. A cultura do espetáculo começa a ruir e as conseqüências alarmam as autoridades. Os crimes envolvendo jovens crescem dia a dia, quando assistimos tanto ao fracasso da lei paterna, como da que regulamenta a vida na sociedade. Focamos a aparência em detrimento à essência, o sucesso à felicidade, o gozo ao prazer, o automatismo à reflexão. Muitos pais se orgulham de ver o filho, ainda de menor, transitando de madrugada em alta velocidade. Sinônimo de virilidade, gente que sabe viver intensamente - os amantes da adrenalina que vivem matando inocentes. Ninguém nasce  desrespeitoso, violento. Se algum jovem assim se comporta, é por que os pais não conseguiram impor restrições aos filhos, limitá-los em suas pulsões ensandecidas. Nossa cultura só se dirige ao jovem enquanto cliente, só se interessa pelo seu potencial de consumidor - são alvos das propagandas de cervejas, moda, celulares e carros. Vender o corpo ou se entregar ao gozo mortífero do crack? Deseducamo-los o tempo todo. Se o desejamos sem limites no consumo, não podemos cobrar recato, dignidade, comedimento. Somos a própria falta de comedimento. Interrompemos os outros com celulares, desrespeitamo-los no transito, não assumimos responsabilidades. Dissimulamos. Valorizamos a elegância apenas no vestir. Se tivermos dinheiro, compramos tudo - de justiça a amor verdadeiro. No deserto - sem metáfora paterna e sem os filósofos, apodrecemos na lama da permissividade e da falta de recato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-7865531929558161234?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/7865531929558161234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=7865531929558161234&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7865531929558161234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7865531929558161234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2009/12/recato-necessario.html' title='RECATO NECESSÁRIO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5777216875373256742</id><published>2009-11-14T11:14:00.003-02:00</published><updated>2009-11-16T00:20:12.249-02:00</updated><title type='text'>Entrevista com Inez Lemos</title><content type='html'>&lt;a href="https://bzsrvq.blu.livefilestore.com/y1m-mSi-pgMnGiAe6DnlJeKZMoUqD7-JhcMNGCM1F7LQzsdUxPCDNn3uzPqbHKxvi2IJlMOw274olcxDdPzjkm9Tw_JiSIDOrWxK9suFF_I66dwbAmMKUoqUxzGYgyxyJk-I8ZNKMMlKasCpvWr6yt1AA/Ines_1.72.706-1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 366px; CURSOR: hand; HEIGHT: 261px" alt="" src="https://bzsrvq.blu.livefilestore.com/y1m-mSi-pgMnGiAe6DnlJeKZMoUqD7-JhcMNGCM1F7LQzsdUxPCDNn3uzPqbHKxvi2IJlMOw274olcxDdPzjkm9Tw_JiSIDOrWxK9suFF_I66dwbAmMKUoqUxzGYgyxyJk-I8ZNKMMlKasCpvWr6yt1AA/Ines_1.72.706-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balaio da Vivi: uma prosa com Inez Lemos (ENTREVISTA)&lt;br /&gt;Inez Lemos Foto: Beatriz Dantas Editada por Bia Menezes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conhecer mais sobre o "Balaio da Vivi", visite o blog: &lt;a href="http://videbloguinho.spaces.live.com/"&gt;http://videbloguinho.spaces.live.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amar é revisitar, com o outro,&lt;br /&gt;sentimentos, fantasias..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inez Lemos é psicanalista, colaboradora do caderno Pensar do jornal Estado de Minas e autora do livro Pedagogia do Consumo. Coordena grupos de estudos em seu consultório em Belo Horizonte, e participa de encontros, palestras, seminários e congressos. No blog Amores Urgentes (http://amoresurgentes.blogspot.com) Inez posta artigos sobre relacionamentos, afeto e educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Email: mils@gold.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com quem vivemos nosso primeiro caso de amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a mãe ou com aquela que irá amamentar ou cumprir com a maternagem. O primeiro ato sexual de uma criança é com o seio da mãe - sua primeira experiência de satisfação. O seio entra como objeto de desejo. Tal vivência é tão forte que o filho tentará reencontrá-la em outras relações. Ele buscará algo que se assemelhe àquele prazer originário. Nós sempre vamos buscar o objeto perdido, objeto que causa desejo e que nos marcou para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malvine Zalcberg em Amor paixão feminina afirma que para a mulher não existe amor sem palavras, e cita Philippe La Sagna: “o que envolve, enlaça o corpo sensível da mulher, não são, antes de tudo, palavras, palavras de amor?” Para a felicidade de todos, é melhor que o homem fale, escreva, desenhe, pinte, e não economize palavras de amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres demandam mais manifestações de carinho. Elas têm necessidade de ouvir de seus parceiros “juras de amor”. Geralmente, elas esperam que eles falem, expressem, com palavras, seus sentimentos. Não bastam gestos. É uma necessidade da mulher, que espera essa confirmação. Ela reivindica um lugar no desejo do homem e faz tudo para ser atendida em seu clamor por amor. Esta é uma questão complexa e está no centro da sexualidade feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que se trata essa complexidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A singularidade do feminino está no corpo. O registro de um corpo imaginário incompleto, ao se manifestar, cria na mulher a ideia de incompletude: ausência do significante universal do falo (pênis). O feminino é um ser que luta para descobrir sua instância fálica. Para Freud, a ausência do pênis denuncia a castração – marca de uma falta, de uma ausência. Diferente do homem que porta o significante que o define, a mulher não tem um significante que a nomeie e a defina. Isso explica por que as mulheres são mais insatisfeitas no amor, por que elas demandam mais palavras – elas requerem ouvir do amado “eu te amo”. Elas demandam um lugar, uma identidade, uma recompensa, um reconhecimento. Algo que as retirem da “síndrome de incompletas, inferiores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pensando nisso que Freud formulou a inveja do pênis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora exista um equívoco de interpretação em relação ao que Freud elaborou, podemos compreender que as mulheres, ao se sentirem incompletas, moverão mundos para se compensarem e encontrar o seu falo. O falo não é o pênis. O falo significa poder, é o significante do desejo. Quem tem o falo, ou está com o falo, é quem tem propostas; é o sujeito desejante. Reivindicar o falo é reivindicar poder, reconhecimento. Lacan preferiu nomear a mulher de “não-toda”, apontando para um corpo que registra uma ausência. Contudo, diferente do que muitos pensam, a mulher só tem a ganhar com essa “falta” originária, pois é ela que a mobiliza e a torna uma pessoa curiosa e desejosa diante da vida, cheia de energia para fazer várias coisas ao mesmo tempo. A mulher é plural. Não existe a mulher, mas muitas. A mulher é um ser desdobrável, como diz Adélia Prado no poema Com licença poética; múltiplo, como canta Chico Buarque em Beatriz “será que ela é moça, será que ela é triste... será que é de louça, será que é loucura”. Enquanto os homens, na ilusão de completude, lutam pouco para se tornarem pessoas mais interessantes; engajados na cultura, na vida dos sentimentos e do afeto. Em geral, os homens são mais acomodados. Tentam se equilibrar apenas em sexo-poder-dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa ausência que diferencia mulher e homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Freud, nos seus estudos sobre a feminilidade, concluiu que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Mais tarde, Simone de Beauvoir consagrou a frase em O Segundo Sexo. Ou seja, a anatomia é destino, mas a sexualidade é construção. Tal questão reforça a diferença abissal entre o homem e a mulher. O homem, ao crescer com a ilusão de que porta o falo, é criado numa cultura em que dele é exigido pouco além de “transitar bem no poder, com bom desempenho sexual, prestígio e sucesso financeiro”. Poucos são os que se interessam por outros saberes, ou se preocupam em melhorar, fazer análise. Ainda são poucos os que aceitam se questionar, se confrontar. Já a mulher, como Ulisses, parte em busca de outros mares. Investiga seus enigmas, enfrenta esse continente negro, esse corpo obscuro. A histérica é o modelo emblemático da mulher que confronta o fantasma da insatisfação - aquela que quer saber o que é ser uma mulher. Ela deseja e procura saber, ao longo da vida, seja nas psicoterapias, seja alhures, sobre seus fracassos, insatisfações, fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um ser completo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Todos nós, mulheres e homens, somos sujeitos incompletos e erráticos. A questão é por que as mulheres, em geral, se interessam por mais coisas como: viagens, culinária, decoração, esportes, dança, yoga, teatro, cinema, música..., além do sucesso profissional. Uma vez que as mulheres são marcadas pela insatisfação, é natural esse movimento delas diante da vida. Enquanto os homens, em geral, são menos estimulados e interessados em vivenciar novidades, em ter contato com experiências inéditas e diferentes. E uma das queixas delas, por exemplo, é que os homens têm muita facilidade para se adaptarem à rotina trabalho-família. Contudo, a ilusão de que “nascer homem basta” é uma sacanagem. Já é hora de as mães criarem os filhos (homens) longe desse imaginário falso, que só traz problemas para eles e para as mulheres, pois ambos terão que se haver com esse engodo. É uma das questões que dificultam o bom relacionamento entre o masculino e o feminino. Nascer com o sexo masculino não significa agir como um homem: aquele que assume seu desejo, banca seus interesses. Geralmente, os homens se submetem às mulheres com muita facilidade. É comum ouvir que “os homens têm medo das mulheres”. Acredito que eles temem o desejo da mulher que, quando sabe o que quer, sai de baixo! Muitos abrem mão por comodismo, por dificuldade para assumir o desejo. Mas tudo isso pode mudar, desde que os homens queiram ocupar uma outra posição diante de seu desejo, e que não se coloquem mais como demissionários diante da vida. Viver é briga pra cachorro grande, os frouxos não vão ganhar essa parada. O frouxo, seja homem, seja mulher, é aquele que vive na penumbra, na opacidade, não quer lutar pelo brilho da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens e mulheres são mesmo diferentes em relação ao amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres buscam mais o amor. Elas gostam de se sentir amadas e desejadas. A mulher quer ser o objeto de desejo no desejo de um homem, pois a feminilidade se funda na confissão de um homem. Enquanto os homens não necessariamente buscam o amor. Muitas vezes, priorizam mais o sexo do que o amor. Quando a mulher age no amor como os homens, isso pode ser uma devastação, pois, no fundo, ela quer sentir que é dela que ele gosta. O amor está em crise mais para as mulheres, que sofrem mais com a moda da alta rotatividade, dos corpos descartáveis e de pouco valor. O amor mercadoria é um desastre para os corações femininos. Elas podem, a princípio, até se equivocarem, mas depois poderão se sentir usadas, exploradas, enganadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, de que se queixam as mulheres na clínica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As queixas mudaram. Hoje, muitas reclamam da sobrecarga de trabalho. Elas se inseriram no mercado de trabalho, mas ainda são as responsáveis pela administração da casa. Muitas reclamam da falta de cooperação de seus parceiros nos afazeres domésticos, julgando-os folgados. Esta é uma questão séria por ser cultural e diz da forma como as mães educaram seus filhos, poupando-os das obrigações domésticas. Muitos reconhecem essa desigualdade e tentam compensá-la. Contudo, muitos se sentem pouco confortáveis em realizar determinadas tarefas, reclamam da falta de treino, da inexperiência na cozinha, pois a mãe não os deixou participar, aprender. Há homens que reconhecem que o mundo feminino é mais interessante que o masculino, e que gostariam de ter sido inseridos nele. É claro que hoje muitos homens têm assumido cada vez mais, e de forma generosa e carinhosa, os diversos aspectos que cercam a vida familiar. Como há homens cujas vidas são muito mais interessantes do que as de muitas mulheres. Estou falando do imaginário que cerca o feminino e o masculino; os imaginários deveriam ser misturados, e não separados. Uma boa relação é aquela em que ambos se ajudam, em que há mais cooperação do que competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os homens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao afeto, tem uma questão que varia muito de geração para geração. Os homens (de 50 a 70 anos) se ressentem da falta de tempo das mulheres para o amor, para o namoro. Isso se explica: hoje, as mulheres estão tendo menos tempo para a vida afetiva. Já os mais novos se interessam menos em namorar, pois foram treinados e até condicionados a formar vínculos afetivos efêmeros, menos consistentes. Suas demandas passam mais pela profissão, pois julgam que ganhando mais dinheiro poderão conquistar mais mulheres. Muitos ainda acreditam que o dinheiro compra tudo, como disse Nelson Rodrigues, “até amor verdadeiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu artigo Amor e fantasia, você sugere que a conversa entre duas pessoas que se sentem atraídas deveria começar com uma pergunta sobre a fantasia de cada um: “qual a sua fantasia?” no lugar de “o que você faz?” ou “qual é a sua profissão?”. A fantasia pode ser o prenúncio de um encontro amoroso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Talvez as relações estejam tão frágeis e tão líquidas por causa do déficit de fantasia. Um jovem que cresceu acostumado a ficar sentado, por longas horas, diante do computador e da TV, suas fantasias foram pautadas pela mídia. Há um empobrecimento fantasmático e isso reflete nas relações, pois são as fantasias que vetorizam o amor, elas dizem da forma como o sujeito foi marcado e afetado pela linguagem. É a linguagem que atravessa o corpo e o erotiza. O outro materno se dirige a uma determinada região do corpo por meio da linguagem – a boca, por exemplo, deixa de ser um orifício e passa a ser uma zona erógena. Daí a importância da língua materna, da qualidade do vínculo da mãe com o filho. Se antes havia mais mãe que mulher, hoje temos mais mulher que mãe. Muitas desejam ter um filho, mas não desejam ser mães. Mãe, mamar, maternidade, maternagem. Tanto a função materna como a paterna estão em declínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa que os filhos estão sendo menos erotizados pela língua materna?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tempo da mãe com o filho for um tempo atropelado, ansioso, isso poderá comprometer a produção de fantasias. Vivemos um empobrecimento do simbólico. Muitos pais sacrificam o tempo de conversar, de contar histórias, fantasiar e simbolizar com os filhos. É um efeito da hipermodernidade, da convivência excessiva com as máquinas (computador, TV, ipod, celular...). O homem de outrora fantasiava mais o encontro amoroso. Ele se dirigia à amada cheio de expectativa, desejo, fantasias, pois muito do que ansiava não era passível de se realizar. Sabemos que o desejo advém da falta. Hoje, quando tudo é permitido, o jovem entedia-se rápido. Há pouca emoção no ato sexual contemporâneo. Muitos broxam diante de tanta oferta, tanta permissividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como educar um filho para ser um bom parceiro afetivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança aprende a amar desde pequena vivenciando a relação com os pais: a relação do homem com a mulher, e a relação dos pais com ela. Um casal que prioriza a qualidade do afeto nas relações tem grandes chances de que seu filho se torne um bom parceiro afetivo. Veja os homens considerados bons amantes - que souberam amar as mulheres -, são homens que “surfaram” bem pela vida, transitaram na cultura, na música, na literatura. São exemplos de pessoas abertas e não reprimidas, pois amar é abrir espaço, expandir. Devem ter sido criados num lar em que se cultuavam a liberdade de pensamento, expressão e a criatividade. Quem fantasia bem ama bem. Eu tenho Chico Buarque e Vinicius como exemplos de homens apaixonantes, bons “amantes”. É claro que têm muitos outros, mas resolvi citar essas “divindades” como metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No divã o amor não cai de moda. Psicanálise é falar de amor em todas as idades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda demanda é uma demanda de amor. É o amor que nos funda, portanto, é bom que ele seja um forte foco em nossas vidas. Não significa dizer que seja impossível ser feliz quando não estamos amando ou não estamos vivendo uma relação afetiva duradoura. Mesmo quando dizemos que “neste momento, a minha vida profissional é mais importante”, o que subjaz a esta frase é “ganhando mais, poderei cuidar mais de mim e me tornar uma pessoa mais interessante, com mais recursos a oferecer ao outro”. No fundo, sempre estamos buscando do outro reconhecimento, respeito, admiração. Hoje, tornou-se ridículo assumir que desejamos o amor. O mundo do consumo tenta nos iludir com “gadgets” (bugigangas), nos convencer de que os objetos são mais importantes do que as pessoas. Uma bela casa, se não houver amor entre as pessoas que nela habitam, se ela não for aconchegante, pouco vale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o sujeito psiquicamente saudável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud postulou que o homem vive bem quando ele se realiza no trabalho e no amor. O sujeito saudável para a Psicanálise é o sujeito desejante, aquele que prima pelo falo, luta para conquistar seus sonhos. É o sujeito que “surfa” bem na vida – tem seus nichos de interesse, de afeto (amigos, amores). Sabe estabelecer laços sociais, profissionais, como também sabe se recolher. Gosta de ficar sozinho de vez em quando. Não tem “pânico” da solidão. É capaz de passar um fim de semana em casa na companhia de um livro, por exemplo. É flexível, não se aborrece facilmente quando seus planos caem por terra, quando tem que abrir mão deles ou modificá-los. É uma pessoa que sabe lidar com as frustrações, com os “nãos” da vida. Também sabe controlar suas pulsões, simbolizar os sentimentos e não se envergonha deles - consegue chorar, se entristecer, se alegrar e se entusiasmar com os bons momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dificulta o encontro amoroso hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você quer saber por que o amor está em crise? Muitos são os fatores que contribuem para a efemeridade das relações. Se hoje as pessoas circulam menos em seu espaço íntimo, em sua interioridade, singularidade, elas se tornam mais disponíveis e vulneráveis aos modismos. Lacan professou que a Psicanálise não perdoa quando o sujeito se demove de seu desejo; é a única culpa imperdoável. Esta questão aponta para uma covardia moral. Quando vivemos um estilo de vida que não é nosso, dando importância em demasia ao que não é essencial, comprando além do que necessitamos e desejamos, agimos movidos por estímulos externos. Nós recuamos diante de nosso desejo para seguirmos o desejo de um Outro. Assim, fragilizados, nos oferecemos ao Outro, comprometendo a nossa satisfação. Insatisfeitos, chegamos ao amor cheio de demandas, cansados e desgastados pelas premências do consumo. O que o amor precisa mesmo é de espontaneidade, autenticidade. Como transitar bem numa parceria afetiva se circulamos fora de nosso eixo identitário? O amor gosta de se enroscar na intimidade, esbaldar-se com naturalidade e liberdade no corpo do outro – tocar o outro em seu âmago. Amar é revisitar, com o outro, sentimentos, fantasias, rever histórias e criar novas. Diferente dessa pretória de exigências que inviabilizam tecer um novo tempo, uma outra ordem amorosa, na qual não mais nos angustiaremos diante de imperfeições e fracassos. O amor também sofre as influências da cultura. Desejar um(a) companheiro(a) é bem diferente de desejar um(a) companheiro(a) perfeito(a). Vale reverenciar o amor possível, aquele que iremos, com muita boa vontade, construir. O amor também não nasce pronto. Aqueles que desejam um amor gostoso e uma relação sexual duradoura devem por eles lutar, e deles cuidar. Tudo na vida requer paciência e dedicação. Amor que faz bem pro coração é aquele que nos encanta e descansa. Como disse Guimarães Rosa: “amor é descanso na loucura”. Pesadelos bastam os que a vida nos reserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Entrevista feita por Viviane Campos Moreira, postada em Balaio da Vivi: uma prosa com Inez Lemos. http://videbloguinho.spaces.live.com)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5777216875373256742?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5777216875373256742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5777216875373256742&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5777216875373256742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5777216875373256742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2009/11/entrevista-com-inez-lemos.html' title='Entrevista com Inez Lemos'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-1765880899343371806</id><published>2009-10-21T23:50:00.000-02:00</published><updated>2009-10-21T23:52:05.902-02:00</updated><title type='text'>AMOR E FANTASIA</title><content type='html'>AMOR E FANTASIA&lt;br /&gt;Inez Lemos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Onde guardamos o mapa da felicidade? Somos seres cuja concepção de prazer e de amor foi contaminada desde criança por discursos, tanto no espaço doméstico como social. Sabemos que nossas escolhas começaram desde cedo, a ser traçadas por aqueles que nos educaram, nos estruturando na linguagem, que dizia de seus desejos. Como superar o gozo forjado num cotidiano muitas vezes neurótico e competitivo, que nos marcou com significantes negativos, apontando o lugar da vergonha e do fracasso? Como apossar de um estado próprio, de um gozo que não ultrapassa o sujeito, que é medida certa, prazer encomendado, e que se ajusta à nossa hiância? Essa é a busca que nos faz acordar cedo, pular da cama, pisar firme, e sentir que a vida está nos chegando na proporção sonhada, desejada. Para tanto, precisamos saber de um outro gozo, aquele que nos amarra, paralisa e nos aprisiona em nossa falta. E faz nos sentirmos inseto morto, fixado na parede, à espera da chinelada de misericórdia, que chega e nos imerge  no mergulho eterno, ponto final da trajetória de dor e sofrimento.&lt;br /&gt;   O conceito de fantasia em psicanálise é parte do psiquismo, onde registramos desejos inconscientes, dos quais ela faz parte. A fantasia revela a vida imaginária do sujeito, a forma como ele sente e representa a sua história, atavismos - tudo que funda sua realidade psíquica. Contudo, todos nós portamos uma fantasia que nos marca e nos direciona pela vida afora. Fantasias positivas ou negativas, bonitas ou feias, são elas que determinam nossas escolhas, seja no campo profissional ou afetivo. Tudo isso coloca a fantasia num lugar privilegiado de intervenção, quando, em todo trabalho analítico, parte-se dela para realizar, pelo ato da fala, a travessia. &lt;br /&gt;   Um caso de amor que devemos conservar é com a nossa língua. É ela que garante a travessia, que sinaliza ao sujeito uma outra posição diante da vida - a eficácia da análise materializada numa outra relação com o gozo. Saber tourear, enfrentar defesas, resistências que nos fixam no mesmo, nas neuroses - eis o percurso de uma travessia que irá nos jogar num outro lugar, onde uma outra vida se esboçará.&lt;br /&gt;   Num mundo que caminha para a exasperação dos mecanismos de controle e administração, otimização dos esforços, querer saber de nossa fantasia fundamental, quem somos e o que realmente queremos, pode soar como despropósito, proposta desordeira porque pede reflexão, pede discordância, mudança. Romper com um padrão interior de pensar a vida, a felicidade, o adestramento que reproduz, de forma voluptuosa, a mesmice padronizante. Eis o desafio. A fantasia barra o gozo. Aquilo que nos prende no amargo prazer do sofrer. Dor e volúpia. &lt;br /&gt;     Como remanejar as defesas, controlar nossas neuroses e nos preparar para enamorarmos do outro, com suas tão distintas fantasias? Amar é a razão maior de nossas vidas. Mas amar, (in)felizmente não arreda o curso da tragédia humana. Talvez por isso, muitos preferem “funcionalizar” a relação afetiva, como saída para fugir dos destemperos do amor, desumanizando-o, ou priorizando apenas o encontro sexual. Se somos uma porção de fantasias que mal sabemos, como querer acertar no amor, sem  melhor delas saber? E como lidar com as fantasias do outro? Isso tudo faz do encontro amoroso um lugar incerto, vulnerável a fidelidades contratadas. Quanto mais achamos que estamos nos aproximando dele, mais ele nos foge, mais nos falta, nos deixa à mingua. &lt;br /&gt;    Um exemplo de desencontros, desses rotineiros: “Ele tem as raízes no mundo rural, ela no mundo urbano. Ele gosta de passar os fins de semana no sítio, ela, de passear em shoppings, filmes de amor. Ele, de ficção”. Até que ponto estamos dispostos a construir uma relação afetiva prazerosa, com interesses divergentes? Será possível traçar um enredo amoroso com cores tão distintas? Existem afinidades, ou elas também são resultado de trajetória árdua, de luta e conquista? Existe um amor pronto? Como resistir às agruras do amor, como reverter, resistir ao amor que chega com morte anunciada, funeral contratado? Como encetar um discurso amoroso que traz vida, promessa de cura, amor que chega para enfeitar um cotidiano desafetado, saturado de palavras vazias, amor promessa de muitos arrepios? &lt;br /&gt;   Quão difícil é saber renunciar às nossas fantasias, ao menos um minuto, para darmos ouvido às do outro. Geralmente, quando iniciamos uma relação amorosa, já chegamos com o um plano de metas - dificilmente deixamos o diálogo experimentar as pegadas da noite, os murmúrios do silêncio. No meio da euforia, nos exasperamos, sem darmos tempo para que um mínimo enredo se articule com segurança. Raramente temos a suavidade necessária para saber quem é esse outro que está ao nosso lado, em quais fantasias navegam seus temores e desejos. Nada no amor está pronto, seguro, fiduciário. Tudo está por ser reinventado. Geralmente, a paixão nos tampa os ouvidos, tal como na Odisséia, quando Ulisses escutava, amarrado, o canto das sereias, enquanto seus companheiros remavam de ouvidos tampados, simbolizando dois mundos - do prazer e do trabalho. Em qual mundo habitamos? &lt;br /&gt;    Uns foram marcados pelo princípio de realidade, pela ordem, obediência, trabalho e dinheiro. O outro traz dentro de si a soltura do princípio do prazer, a leveza de viver priorizando os poemas da vida. Dinheiro, para que tanto? Iniciam-se desacertos e desencontros. Duas realidades psíquicas, duas fantasias, dois mundos que tentam acertar as horas no mesmo relógio. O relógio da vida não é igual para todos. Um quer o tempo para a poesia - nas palavras, a busca para o encontro das coisas perdidas. O outro o quer para, justamente, fugir da falta de poesia que define sua vida. Acredito que, no fundo, todos nós queremos nos ocupar do prazer, esquecendo de ouvir o outro, sua concepção de felicidade. Vivemos imersos na miséria da usura. Quão penoso é abandonar o lugar da posse e deslocar-se até o outro.&lt;br /&gt;     Ela (encarnando aqui o protótipo da insatisfação feminina), em sua ânsia de amor,   desejo de completude e fantasia de mulher - de se colocar como objeto de desejo no desejo de um homem -, geralmente não escuta o grito de misericórdia do companheiro, que não consegue suportar tanta demanda, tanta insatisfação! Ele ensaia, a vontade é de gritar: “Chega mulher! Calma! Abandona esse lugar burro!” - uma vez que toda neurose, toda histeria descabida encarna a burrice da repetição. Quando cessa a angústia, é possível o mergulho no outro, a união. O amor que se pretende saudável e que faz festa, exige que abandonemos o lugar do feminino (aquele que traz a falta registrada em seu corpo), no que o feminino tem de faltoso, incompleto. O casal precisa almejar o “não todo fálico”, abandonar o lugar da insatisfação, e, enfrentando a falta, ultrapassar incertezas e impossibilidades. Seja homem ou mulher, a posição fálica diante da vida não nos chega sem luta. Para descolarmos de nossas manias e defeitos, é necessário mais que academia de ginástica e rodada de cerveja em mesa de boteco. O desejo é um estranho que acampa em nossas medulas - como colonizador, que chega e nos leva no chicote. Para nos candidatar a um grande amor, há que se sobreviver às chicotadas. A histeria, seja no homem ou na mulher, é errância da carne, é quando o sujeito se coloca como escravo do desejo do outro. Ou quando, ao não conseguir renunciar ao convite de Dionísio para o banquete, se coloca como cão em lata de lixo - que se lambuza, se farta e se entope das sobras miseráveis do outro, tentativa frustrada de saciar o insaciável. Amor antropofágico. &lt;br /&gt;      Ela estava tomada pelo demônio do amor. O que é o demônio? Daïmon em grego, um deus, aquele que sabe. Curioso paradoxo. O possuído do demônio não é objeto de opróbrio por causa de sua ignorância, de seu erro, mas por causa do que sabe. Não devemos saber mais que o necessário, tampouco querer saber o que Deus sabe. O saber de Deus é um saber sobre o desejo, um saber sobre a existência do bem e do mal, do amor e da felicidade. Assim, ela, não satisfeita em esperar a hora para lhe dizer dela, e querendo sempre saber mais, demoniada, prossegue em sua errância. Geralmente, é essa a hora que pomos tudo a perder, meio a lamúrias e demandas. É quando o amor “tira os óculos dos homens, pula o muro e se estrepa todo”. A versão drummondiana do amor acusa a falta de lentes, para se ver além das fantasias. &lt;br /&gt;   O amor possível é do sujeito com o objeto, pelo caminho da fantasia. O encontro de duas pessoas passa pela fantasia de cada um, pelas marcas que carregamos, os traços do objeto primordial (geralmente, a mãe). Ao fantasiarmos um enredo amoroso, criamos um lugar, um delírio, e dele tentamos nos comunicar com o outro. Impossível! Penso que, no encontro entre dois, o início do diálogo deveria ser: “qual a sua fantasia”? Distante dos famigerados: “o que você faz”?, “qual a sua profissão”?  &lt;br /&gt;   Ele falava de seu momento trágico, e ela, sem sua aquiescência, sonhava com “noites de luar e cheiros de dama da noite”. O propósito não é nos culpar diante do fracasso no amor, mas insistir na importância de com-versar. Versar com o outro, investigando desejo e fantasia. Devemos insistir no amor, pois nele atenuamos as perdas. O amor, além de nos deixar ébrios de sentimentos, dispensa a sinceridade, mas não a verdade! E a fantasia, pelas mais diferentes vias, sempre nos leva à verdade. Amar é suportar a dimensão incendiária e demoníaca da condição humana – e nos fazer perdoados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-1765880899343371806?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/1765880899343371806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=1765880899343371806&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1765880899343371806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1765880899343371806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2009/10/amor-e-fantasia.html' title='AMOR E FANTASIA'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-2035110143971511580</id><published>2009-10-02T21:45:00.002-03:00</published><updated>2009-10-02T21:48:32.580-03:00</updated><title type='text'>CABARÉ DOS SOLITÁRIOS</title><content type='html'>Inez Lemos¹&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Nenhum ser humano consegue ser feliz sem um “eu te amo”. Isto é básico. Nascemos do amor e dele necessitamos para seguir pela vida. É o amor que funda o sujeito. Contudo, percebo que o amor está em extinção. Artigo de alto luxo a que poucos têm acesso. O filme Babel retrata vários cenários passados em diferentes lugares, porém, há um especialmente que choca, bate fundo, realidade que nos machuca e despedaça. Trata-se de uma jovem que vive a solidão do mundo tecnológico - gigante que nos esmaga por dentro. No capitalismo das ondas magnéticas o afeto entre as pessoas não é prática valorizada. Falta ímã, liga - substância que nos aquece, qual incêndio no coração, fogueira em busca de alento. O fogo do amor é mistério que queima de prazer. É difícil viver sem ele. A máquina é fria, não produz sensação, emoção. O progresso congela os sentimentos, paralisa o mundo. E o sujeito finge que acredita! Do Oriente, a jovem pós-moderna chora sua falta de amor. Reivindicar amor é reivindicar humanidade! A protagonista recusa a vida fria e artificial produzida na hiper-modernidade. In-timo - relação que pressupõe interioridade, um adentrar na alma do outro, comunicando-se com algo divino, solene e mágico. No mundo atual existe luz em excesso, clarão que cega e seca. No Japão, por meio de um simples botão, acendem-se luzes, ligam-se e desligam aparelhos, mas não se chega à alma – que padece gelada, desprezada.&lt;br /&gt;   Quando será que o mundo vai parar de crescer para fora e começar a crescer para dentro? Estamos parados! E amar é movimento abissal, caminhar rumo ao idílico, onírico, tempo de magia e poesia. Como amar sem tocar essas divindades? O cenário amoroso que nos oferecem é de encontros relâmpagos, relações que se curto-circuitam em meio a tantas maravilhas eletrônicas. O futuro está enfermo, padece em leito solitário. As imagens detectam o paciente morrendo de falta de amor. O mundo em Babel é precipício, abismo cavado pela inteligência internacional, mundial, global. “Meu amor...os carros já não andam. Aviões param no ar...meu amor. Meus olhos se apagaram o que fazer? Com meus braços, tuas pernas, nossas bocas. O que fazer? Adeus...Adeus... Tudo que era vida foi embora. Eu...Deus...”. Assim, Murilo Antunes, poeta e letrista mineiro, de forma pungente e aguda, denuncia a tragédia do amor, quando já não existe a crença na vida. Falência da dimensão verdadeira da humanidade. Amor aos pedaços, peças avulsas e soltas no mercado dos corpos! Vida cáustica, quando foram seqüestradas as possibilidades de se fazer amor de corpo inteiro.&lt;br /&gt;   A vida é um grande coração batendo. A viagem que travamos com ele é pro-funda -  conduz-nos às entranhas, e lá descobrimos espaços inusitados, sonhos reclusos, magias secretas. Quando abrimos o coração, o chão treme, e descobrimos que somos felizes. Felicidade é descobrir, dentro de nós, relíquias a se percorrer e compor poemas. É preparar-se para receber a poesia da vida, que se aproxima tal como o beija-flor que vive nos  jardins, cativo das flores. O beija-flor é pássaro nobre, sábio, pois não vaga, como os outros pássaros vagabundos, de galho em galho, à espera do que der e vier. O vôo do beija-flor é direcionado, seu percurso tem endereço certo. Ele sabe o que busca, do que precisa e o que deseja. Desnorteante é vagar sem eixo, sem norte, sem saber onde é a casa da felicidade, lugar escolhido pelo coração para descansar – paragem que cura da secura do mundo. &lt;br /&gt;  “Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente, não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-las saindo de Lisboa até Benfica...porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma”. Fernando Pessoa critica a obsessão que se tornou viajar por viajar. Para cruzar mares temos de, primeiro, cruzar nossa monotonia. A vida é um tédio quando não enfrentamos os monstros que nos apavoram. Viajar requer paz interior. Sem abrir espaço dentro de nós, não navegamos rios, não apreciamos cidades. Escalar belas montanhas? Só com o coração em júbilo. O tédio é para ser enfrentado, ultrapassado – sem vencê-lo, vamos estar sempre empacotados, emparedados. Aliás, a melhor forma de não viajar, é entrar num pacote turístico. As agências de viagens, em consonância com os empresários do tédio, nos oferecem um enlatado de lugares. Você compra uma promessa de viagem e realiza um plano de metas, programa intensivo de visitas. Passa por lugares, sem que eles passem por você. Emoção planejada é fingimento, engodo, vida tediosa, tendenciosa. Quem segue as tendências do mundo externo, vaga sozinho e fora do eixo, distante do néctar divino. Divino é viver com a alma embevecida da dor ínfima, ferrugem que corrói lentamente de prazer. &lt;br /&gt;  Quão irritante é assistir à destruição do lado emocionante da vida pelos empresários, que tudo institucionalizam e comercializam. Viver tornou-se um mero cerimonial, quando tudo tem de ser impecável. Vida sem pecado, fracassos e derrotas. A vida que os Estados Unidos querem nos impor goela abaixo - vencer ou vencer! Concorrer – correr para o primeiro lugar, conquistar. O filme A pequena miss Sunshine expõe o ridículo norte-americano. Parece que a vida forjada no progresso nos deixou retardados. Agimos como robôs. Viajamos para onde não desejamos, ingerimos todas as gorduras que nos empurram e, depois, nos penitenciamos em cima de esteiras, verdadeiros idiotas correndo parados! Competimos obcecados e enlouquecidos por prêmios. Amor e emoção, só no cabaré dos solitários, demissionários desta vida otária, gente de sangue frio. Viver é sonhar diante do espelho da alma. O que reflete pobres almas magnéticas, que viajam em chips e navegam conectadas, programadas?&lt;br /&gt;   O filme mostra a transformação do trágico em cômico - a cena da família à mesa, a refeição de comida comprada que vem embalada em baldes plásticos! O cardápio do dia compõe-se de pedaços de frangos, que se devoram inteiros, com a mão. A América esparrama estupidez pelo mundo, ao transformar o ato de se alimentar em banalidade. Sem o ritual de sentar-se a uma mesa bem-posta, é como ir ao banheiro aliviar-se. Instintos de preservação - comer, lutar, vencer! Banalizar a vida, isso o capitalismo fez com mestria. A vida que restou é a que engolimos nas esquinas - especiarias sem sabor, temperos sem cheiros. A família, hoje, é mais um amontoado de gente que demanda enlatados. Consomem-se sonhos cifrados e projetados nos escritórios de vidro - janelas que se abrem para um céu nublado, cinzento e poluído, fagulhas de cimento em almas de ferro. O cenário a que os dois filmes nos remetem é de um labirinto sem saída. A salvação deve vir de nós, ao recusarmos caminhos que nos enredam e paralisam. Jorge Luis Borges, em Elogio da sombra, nos aponta um lugar: “Não haverá nunca uma porta. Estás dentro. E o alcacér abarca o universo. E não tem nem anverso nem reverso. Nem externo muro nem secreto centro”. Tudo que precisamos para aspirar uma vida saudável, emocionante, é enfrentar com rigor, as bifurcações dos caminhos que travamos a partir de nossas entranhas, víceras que desconfortam - labirinto a ser percorrido, real a ser bordejado. &lt;br /&gt;   A vida é para ser bordada, ponto a ponto. Destino traçado por fadas que idealizamos, que nos orientam e nos indicam os jardins de beija-flores. Refeição à mesa, com a família reunida, que, juntos, comem o sofrer, e saboreiam o saber. Nas metrópoles a vida de famílias que abandonaram seus feudos sentimentais e migram para lugares sem memória, conforto sem esperança, é rala, fria e frágil. A emoção, hoje, é participar do Big Brother, eliminar o “babaca da vez”. Triste é a juventude acreditar que a vida é esta obscenidade sem sabor, pecado sem dor, e desistir de encontrar o néctar dos deuses no jardim da existência. Essa vida burguesa, dissoluta e sem sentido, já havia sido severamente criticada por Salinger em seu ontológico O ampanhador no campo do centeio: “Esses sujeitos que vivem dizendo quantos quilômetros fazem com um litro de gasolina...sujeitos que nunca na vida abriram um livro. Sujeitos chatos pra burro”. Salinger realizou um pouco do desejo de ausentar-se da hipocrisia americana, tal como aspirava seu personagem n’O apanhador. Retirou-se para uma vida despojada e marginal, ao que parece, em uma cabana no Maine, onde não havia água encanada e luz elétrica. Distante da frieza do progresso e longe do alcacér, abarcou o universo ao escrever e revelar ao mundo sabedoria - soube viver a emoção de saber de si.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¹Lemos, Inez. Pedagogia do consumo: família, mídia e educação (Autêntica).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-2035110143971511580?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/2035110143971511580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=2035110143971511580&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/2035110143971511580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/2035110143971511580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2009/10/cabare-dos-solitarios.html' title='CABARÉ DOS SOLITÁRIOS'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-1513198780807723328</id><published>2009-09-10T13:51:00.002-03:00</published><updated>2009-09-10T13:52:59.851-03:00</updated><title type='text'>EXPANSÃO DO AMOR</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CUSUARIO%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} p.MsoHeader, li.MsoHeader, div.MsoHeader 	{margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	tab-stops:center 212.6pt right 425.2pt; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.9pt 3.0cm 70.9pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.45pt; 	mso-footer-margin:35.45pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;por Inez Lemos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo publicado no caderno Pensar em 11/07/2009.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O filme &lt;i style=""&gt;De repente, Califórnia&lt;/i&gt; nos ensina a viver. Zach tem muito a nos dizer. Jovem artista que abandona o sonho de estudar e construir carreira para se ocupar de problemas familiares. Dedicar ao pai doente e ao sobrinho, Cody, abandonado pelo pai e por uma mãe omissa e ausente. Zach retrata o jovem de classe média subempregado e oprimido por práticas sociais obscurantistas, preconceituosas. Sem saída, angustiado, perde o entusiasmo pela namorada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De repente, eis que reencontra Shaun, um ex-conhecido que volta à cidade e, juntos, passam a surfar - nas ondas do mar e da vida. Aos poucos Shaun vai conquistando o coração de Zach, oferecendo-lhe esperança e coragem para assumir os sonhos e, sobretudo, o amor. O filme aponta a face perversa e maléfica do preconceito. Questiona as relações afetivas interrompidas por olhares maldosos. Expõe o ser humano como pouco evoluído em relação às dimensões da vida ao acreditar em um só modelo de realização amorosa. Está para além da homossexualidade. Ao ampliar o debate sobre homofobia, joga na tela questões como maternidade, paternidade, solidão, cumplicidade, virilidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O que é ser homem? Falo do ser que, por portar o pênis (significante fálico), dele cobramos virilidade - posturas de macho. É comum pais reclamarem do filho que reluta em assumir posturas socialmente representativas do mundo masculino - ser forte, durão, às vezes violento, mulherengo. O modelo de homem que a sociedade conservadora cultua é o poderoso, que sabe ganhar dinheiro e esbanja esperteza ao manipular esposas, filhos, amantes. A questão ultrapassa aspectos morais. O filme, em sua sutileza metaforiza “o que é ser homem”. Se homem é não ser frouxo, Zach e Shaun pertencem ao mundo dos homens. Coragem não lhes faltou ao enfrentarem preconceitos e discordâncias familiares, sociais. Ambos, sensíveis às contingências da vida, ao perceberem o desamparo de Cody, acabam por acolhê-lo - não mediram esforços em assumir as funções paternas e maternas do menino. Cody encontra em Zach e Shaun, a família que nunca teve - mesmo tendo pai e mãe vivos. O que coloca em questão o que é ser pai e ser mãe. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O filme, ao questionar a eficácia dos modelos rígidos das sociedades patriarcais e patrimoniais, calcada em casamentos heterossexuais, aponta outras dimensões da existência humana. Até que ponto não assumimos outras formas de viver e amar por falta de coragem? Quão diferente seria a vida se rompêssemos com a rigidez socialmente estabelecida de felicidade? Freud atribuiu ao desamparo do homem sua maior tragédia. Zach descobre nesse amor generoso e despreconceituoso uma perspectiva. Um amor sem as cobranças usuais das relações heterossexuais - quando a mulher entra no casamento portando um rol de exigências. Que metáfora podemos estabelecer quando um jovem troca a namorada por um namorado? Zach tinha em mente que, para ser merecedor do amor de uma mulher, era necessário ter muito que oferecê-la – sobretudo bens materiais. Sufocado e premido pela vida ordinária, vida que convencionamos julgar normal, Zach acaba optando por uma vida extraordinária. Vida que está fora da ordem vigente, para além do senso-comum. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Na verdade o que o ser humano quer é se sentir acolhido pelo outro – parceiro afetivo. Pouco importa a natureza da relação, importa sua qualidade e intensidade. Relação satisfatória é a que nos permite transitar com liberdade pelos sentimentos - surfar nas ondas do desejo sem culpa. Muitos casais se separam não por que o amor acabou, mas por não deixá-lo crescer, expandir. Muitos sonham com um encontro amoroso que os enleva proporcionando maravilhamento, esperança. Um parceiro para enfrentar as ondas da vida - nos proteger da crueldade do mundo. Shaun seduziu Zach não pela sua beleza física, mas pela sua grandeza - disponibilidade interior em acolher seu sobrinho de cinco anos. Postura que falta em muitos pais heterossexuais. A grandeza do filme está em questionar modelos petrificados de famílias e relações, denunciando crenças obscurantistas, maldosas, rancorosas. Geralmente os pais apresentam a vida aos filhos dentro de um rol de preconceitos. Assim posto, concluímos que uma das funções da hipocrisia social é, ao colocar pecado onde não existe, manter o status quo. Mesmo que isso acarrete ao outro sofrimento, desesperança. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O proibido, o que ameaça a sociedade não é a homossexualidade, o sexo extraconjugal, mas a possibilidade do sujeito circular livremente no desejo – toda coragem ofende. O verdadeiro homem (seja do sexo masculino ou feminino) sabe identificar o que lhe faz bem - como gostaria de viver, amar. E assume as escolhas com responsabilidade. O psicanalista Contardo Calligaris em entrevista recente, debate a angústia do homem contemporâneo e conclama as mulheres que lhes deem carinho, compreensão. Julgo que isso todo ser humano deseja e necessita. Contudo, o desamparo atual não é prerrogativa dos homens, tampouco não são apenas as mulheres que estão aptas a acolher o outro em sua solidão - desejo de amar e ser amado. A solidão é conseqüência da falta de coragem dos homens em enfrentar os sentimentos que os dificultam circular no desejo – culpa, compaixão, constrangimento em desagradar os outros. Calligaris reforça: “Eles se relacionam muito mal com essa vida cotidiana. Uma grande parte de sua existência é sempre vivida como se não fosse o que eles deveriam estar fazendo”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Está na hora de os homens redefinirem seus papéis investigando padrões culturais. Muitos ainda agem premidos por modelos ultrapassados fazendo das tripas coração para não decepcionar pais, esposas, namoradas. Poucos recusam os papeis impostos pela cultura androcêntrica. O homem não veio ao mundo para atender às expectativas femininas (que geralmente são infinitas), tampouco para cumprir com o modelo falacioso de ‘verdadeiro homem’. A questão ultrapassa sexo, gênero. Pertence à humanidade que ainda acredita que felicidade é um produto empacotado, lacrado, com instruções de uso. Talvez falte ao ser humano se libertar da culpa, se imbuir de coragem ao assumir a condução de sua vida. O sujeito que pretende acertar precisa saber qual é a sua onda. Preparar-se e nela se jogar com sabedoria, segurança. Bom mesmo é surfar em águas próprias - saber enfrentar as ondas inimigas e se deliciar com as amigas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Importa questionar a narrativa de que os homens, com a perda dos papéis tradicionais, não estão sabendo mais como ‘ser homem’, portanto, estão perdidos, angustiados. A angústia não é dos homens, mas da condição humana. Talvez o que deixa os homens perdidos, meio sem rumo, não é o fato de as mulheres assumirem hoje papéis novos, mas a dificuldade de abandonar o lugar de poder e prestígio que antes lhes eram reservados. Contudo, eles só podem se alegrar com as mudanças. Nada mais equivocado do que calcar a identidade apenas na posição social, profissional. O lugar de provedor que a sociedade conferiu ao homem é desumano, opressor. Liberdade é um bem que todos deveriam aspirar - requer coragem na recusa à vida que os outros escolheram para nós. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;O preconceito é uma justificativa criada para defender interesses de uma classe ou etnia. Assim foi com o racismo, que surgiu para justificar a escravidão. Hoje, como analisar a homofobia? O que leva os políticos a não aprovarem projetos de leis que regulamentam o casamento entre gays? A manutenção de um conceito preestabelecido que convenha a um segmento da sociedade nos lembra os regimes totalitários. Melhor não seria se as mães educassem os filhos a não se submeterem, sem questionar, às imposições sócio-políticas? Sem culpa, lutariam pelas suas escolhas com responsabilidade e dignidade. O que falta, seja &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;ao homem seja à mulher, é coragem para enfrentar preconceitos e discordâncias no momento de &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;busca de si mesmo. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O avanço técnico deveria vir acompanhado de progresso na ética e na compreensão. Nietzsche, em sua parábola sobre a “morte de Deus”, não se reporta à necessidade de uma crença convencional &lt;st1:personname productid="em Deus. Procura" st="on"&gt;em Deus. Procura&lt;/st1:personname&gt; nos alertar da tragédia quando uma sociedade perde seu eixo. Desorientada, mergulha numa eterna noite de barbárie. Ao reavaliarmos o certo e o errado, ao nos colocar humildemente na posição de querer saber, questionando mais que afirmando numa perspectiva de análise - vislumbramos caminhos menos injustos e dolorosos. Sonhar é doença que não tem cura. Preconceito e submissão sim. O vigor da vida cochila em nossos subterrâneos - não é coisa que emerge da noite para o dia. Ele surge, de repente, depois de atravessarmos alguns desertos. Aventurar-se no sentido mais elevado é dar ouvidos aos gritos da alma, ter coragem para se reinventar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-1513198780807723328?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/1513198780807723328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=1513198780807723328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1513198780807723328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/1513198780807723328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2009/09/expansao-do-amor.html' title='EXPANSÃO DO AMOR'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-7894707839582696934</id><published>2009-08-21T21:47:00.002-03:00</published><updated>2009-08-21T21:49:53.599-03:00</updated><title type='text'>FRACASSO DO AFETO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/So9Al8yii2I/AAAAAAAAAVc/MEBH2aPU2f4/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372583901193735010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 282px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/So9Al8yii2I/AAAAAAAAAVc/MEBH2aPU2f4/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;por Inez Lemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namorar, demorar, morar. Namoro implica compromisso afetivo, sexual. Não estamos falando de fidelidade, mas de parceria entre dois que, unidos pelo desejo de habitar o coração do outro, propõem estabelecer um vínculo amoroso. Se namorar é verbo meio fora de moda, o que leva jovens à rua engrossando o coro dos solitários, descontentes com o rumo que as relações afetivas estão tomando? Cansaram-se da efemeridade das relações, quando bacana era “ficar” juntos sem compromisso? O Movimento dos Sem Namorado, veiculado na mídia há algum tempo, nos surpreende e merece reflexão. As palavras de ordem eram: “Cansei de ser sozinho” e “Quero namorar”. O que mudou na sociedade que leva uma multidão a reivindicar, em ato público, afeto e amor? O amor, ao se tornar palavra de ordem, revela estranhamento. Se sempre houve demanda por parceria amorosa, por que o namoro e o amor se tornaram raros? O que, na sociedade atual, contribuí para o fracasso do amor, do afeto?&lt;br /&gt;Vivemos a sacralização da mercadoria quando a vida afetiva é contaminada pela lógica do consumo, do custo/benefício. Tudo incentiva o sucesso profissional, financeiro e não afetivo. As propagandas estimulam o desejo por objetos - não por pessoas. O amor se coisificou - o objeto de desejo é mais o carro do namorado que o próprio namorado. Como poderia ser diferente se esta geração foi educada e alfabetizada pela TV, absorvendo propagandas com imperativos categóricos como o “compre já”? A publicidade é elaborada por psicólogos, que se empenham para que a propaganda atinja as crianças de forma contundente. Há muito, o marketing utiliza psicólogos para fisgar crianças para o mundo do consumo, explorando a ingenuidade delas. Crianças e adolescentes, inseridos na mania consumista, dificilmente conseguem dela se livrar. Explorar a vulnerabilidade dos adolescentes é estratégia antiga. Lembramos que a adolescência é fase delicada da vida: inseguros, muitos apostam na aparência para solucionar conflitos e temores. Explorado, isso é rentabilidade garantida.&lt;br /&gt;É comum ouvirmos que as crianças já nascem sabendo o que querem. Pouco adianta tentar demovê-las de seus desejos. Ora, se desde que nascem são bombardeadas pela indústria de marketing, propondo um estilo de falar e de se comportar, como poderia ser diferente? O grande mestre da atualidade é o publicitário, que nos dita a maneira de ser, de vestir e de pensar - sujeito desejante forjado na vídeomania. Desde cedo, somos convocados, como consumidores, ao lugar do gozo, a permanecermos na ilusão de completude pela via da aquisição. O que ocorre é a eternização na insatisfação. Consumir se tornou um ato de fé. Vamos ao shopping com a mesma fé com que antes íamos à Igreja.&lt;br /&gt;O grande Outro da publicidade, com suas palavras de ordem, intromete-se em nossas vidas, influenciando gosto, desejo e escolhas. A indústria cultural de massa atua no psiquismo manipulando imaginários e mobilizando paixões. O laço social é promovido por um emissor de imagens que oferece uma identificação calcada no gozo sem limites. Gozo é quando temos prazer e desprazer. No ato da compra, descarregamos nossa pulsão sexual, ele nos eleva e nos deixa felizes por estarmos adquirindo algo. Uma ilusão de completude por alguns minutos, para depois voltarmos ao momento anterior de insatisfação. Quando não interrompemos a cadeia viciada de satisfação/insatisfação, quando não questionamos a compulsão que nos domina e nos leva às compras, nos eternizamos na repetição - sintoma que circula sob gozo mortífero. Saudável é agir fora do gozo. Para tanto, devemos saber mais sobre nossas pulsões, essa coisa que não cessa de se inscrever, de pulsar.&lt;br /&gt;Ao analisarmos a demanda dos “sem namorados”, devemos fazê-lo em consonância com o momento que vivemos, quando o amor surge vinculado a objetos. Várias propagandas associam o casal apaixonado à mercadoria, transmitindo a idéia de que o amor só se realiza por meio da matéria - o sentimento é excluído da relação. O encontro amoroso é mediado pela linguagem, que vai fazer a conexão entre os dois enamorados. A linguagem se apresenta sob a forma de objetos que a cultura elege como representantes do amor - o carro, o vinho, a loira de cabelos esvoaçantes. A loira entra como metáfora da mulher amada - cultuada pela mídia como objeto de desejo dos homens. Os objetos ocupam o lugar da falta, a partir da qual o desejo circula. Significa dizer que somos estimulados a tamponar a falta de amor com objetos de consumo. A mercadoria entra em nosso imaginário como o objeto que simboliza o amor.&lt;br /&gt;Quando substituímos a pessoa por mercadoria - a mulher ou o homem como acessório - o alvo é o objeto que opera como gozo. Nesse momento, o mestre da publicidade intervém na estrutura do desejo humano. Se algo no campo da parceria amorosa não vai bem, isso significa que a demanda deveria recair sobre a forma que a sociedade de consumo elegeu para viver os sentimentos, o afeto. Trata-se de questão anterior, estrutural. As garotas e os garotos não estão demandando apenas namorados, eles estão demandando um outro mundo. Um mundo que valorize os sentimentos, que acolha o desejo e a necessidade de amar e acariciar. Um mundo cujo mestre é o afeto. Consumir objetos não satisfaz as necessidades do coração - contente é o coração cheio de gente. O amor se torna supérfluo diante de tantas palavras de ordem emitidas pelo Outro do mercado. Diferentemente das histéricas freudianas, que não sabiam o que queriam, as moças de hoje pensam saber o que querem ao demandar objetos de consumo. Se soubessem não estariam na rua, reivindicando namorado.&lt;br /&gt;Marx criou o conceito de fetiche (que Freud levou para a psicanálise) ao analisar o valor excessivo que os industriais passaram a atribuir à mercadoria, um brilho a mais para torná-la sedutora e enfeitiçar corações. Fetiche, feitiço. No mundo da mercadorização, o objeto de consumo é apresentado como condição indispensável para concretizar a relação sexual. A fantasia se deslocou do inconsciente para tudo que é vendido como objeto de desejo: carro, bebida, seios, bunda. Instaura-se a crença da satisfação via aquisição do modelo de vida veiculado pela mídia. Como se fosse possível um objeto capaz de acionar o desejo sexual entre duas pessoas, unindo-as em perfeita harmonia, sem conflitos, sem estranhamentos. A idéia romântica de almas gêmeas cabe bem em publicidade de carro e de uísque, mas no real do sexo deixa a desejar. No centro do fetiche está o deslocamento da pulsão sexual para o objeto, aquele que captura olhares sôfregos e desejosos de amor e de sexo.&lt;br /&gt;A forma como nos relacionamos com os objetos revela aspectos de nossa sexualidade. Antigamente, ir às compras era ritual que incluía dia e hora. Tudo era planejado com antecedência, inclusive o dinheiro, pois, geralmente, as compras eram à vista - crediário era muito chato e demorava ser liberado, implicando carnês a serem pagos mensalmente. Com os cartões todo dia é dia de compras. Esperar, saborear. O dia de escolher o vestido da festa era uma epifania. A escolha dos objetos era um ato original, cerimonioso - quase religioso. Convocávamos os deuses e consultávamos as entranhas, pois a escolha equivocada implicava termos de usá-los mesmo assim.&lt;br /&gt;O psicanalista Charles Melman recorre a Lacan para denunciar a devastação que o dinheiro provoca no sujeito quando esse ocupa o lugar do objeto perdido - lugar original, de onde emana o desejo: “Quando Lacan diz que o dinheiro é o significante mais aniquilante que há, ele não diz outra coisa senão que é o lugar onde todas as significações se anulam. É a operação onde se acha enfim dada a resposta à questão do ser, esse famoso “Que sou eu”? O que queremos obturar, ao aderirmos ao destino traçado pelo mestre do merchandising? Não é nada fácil recusar as ofertas de consumo, de endividamento, de estilo de vida e de ideal de afeto e amor que nos querem vender. Não é fácil descobrir o que realmente nos agrada e nos faz bem, o que está em consonância com a forma que gostamos de ser e viver.&lt;br /&gt;“Em minha calça está grudada um nome/ que não é meu de batismo ou de cartório/ Um nome...estranho/...Com que inocência demita-me de ser/ Eu que antes era e me sabia tão diverso dos outros, tão mim-mesmo/ Ser pensante, sentinte e solitário”. Em “Eu, etiqueta”, Drummond manifesta sua indignação com as grifes que desapropriam o indivíduo de sua morada interior. Hoje, muitos jovens se sentem excluídos por não portar o tênis da moda, a jaqueta do momento. A ilusão da inclusão pela aquisição de mercadorias é devastadora e atesta o lamento do poeta, ao denunciar nossa inocência quando nos posicionamos como demissionários de nós mesmos, aderindo a modismos e a tendências. Afeto não é coisa para cair de moda. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-7894707839582696934?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/7894707839582696934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=7894707839582696934&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7894707839582696934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7894707839582696934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2009/08/fracasso-do-afeto.html' title='FRACASSO DO AFETO'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/So9Al8yii2I/AAAAAAAAAVc/MEBH2aPU2f4/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6449851730301568330</id><published>2008-12-02T16:57:00.005-02:00</published><updated>2008-12-04T10:25:05.925-02:00</updated><title type='text'>FAMÍLIA NÃO É EMPRESA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/STWFu24xoPI/AAAAAAAAAUw/qImKWGJW4e4/s1600-h/familia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275269578588528882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 389px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/STWFu24xoPI/AAAAAAAAAUw/qImKWGJW4e4/s400/familia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na Bienal do livro de 2008, no Rio de Janeiro, Fabrício Carpinejar se surpreendeu ao ouvir o escritor Içami Tiba professar, em palestra, a frase: “A família é como uma empresa”. Para expressar e ecoar sua indignação por tal aforismo, ele publicou em seu blog o texto Família não é uma empresa, ponto de vista que merece também nossa concordância e reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um educador compara a família com empresa é sinal que o mundo dos negócios ganhou tamanha proporção que já confundimos espaços públicos e privados. Como não separar empresa de família? Pai não é patrão, mãe não é secretária e tampouco devemos confundir filhos com empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço familiar é onde construímos nossa subjetividade, onde não deveríamos precisar disfarçar os desejos. É espaço da intimidade por excelência, onde podemos ficar em silêncio pelo tempo que for necessário, sonhando com um futuro que talvez nunca exista. Lugar onde o benefício é de graça, pois nos é dado por quem nos ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Família é romance, história, memória e experiência. Lugar de ensaiar o futuro - errando, sofrendo e aprendendo. É onde podemos mostrar os tropeços e pedir encorajamento. É na família que guardamos nossa dor quando saímos para o trabalho, pois nem sempre devemos levá-la conosco. Na empresa nunca nos apresentamos por inteiros - sempre escondemos nossa miserabilidade, nossa condição de incompletos, faltosos. Por vezes, fazemos semblante de infalíveis como se tudo estivesse sob controle.  Não dizem que quando se sai para trabalhar os problemas ficam em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lar é espaço para relaxar e chorar, para deixar o desejo esparramar, para nos soltar em devaneios sem vergonha de assumir nossas verdades, acariciando entranhas e fantasias. A família é o único lugar que acolhe o nosso lado obscuro, crepuscular, lugar que tampouco conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empresa é lucidez, razão, disciplina. Família é afeto. A primeira exige eficiência, o cumprimento de metas, a outra deve ser compreensiva com a desordem, o desequilíbrio, o fracasso, tendo em vista que o caos pode provocar a criatividade. Dois espaços totalmente distintos - um é para ganhar dinheiro, o outro é mais para aprender como gastá-lo, definindo valores e prioridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo os pais mais exigentes dificilmente vão colocar na rua filhos irresponsáveis, indisciplinados. Pode-se querer ir embora por razões diversas, mas a porta estará sempre aberta para acolher o riso ou o pranto. Na empresa, a ineficiência de alguém pode gerar uma demissão, na casa vai exigir compreensão, paciência e perseverança na reparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa confusão entre empresa e família tem se traduzido em prejuízo aos jovens que tentam ingressar no mercado de trabalho. Acabam se comportando com intimidade com o chefe, sem saber o limite entre esse e um colega ou tratam o chefe como se fosse pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confundir a casa com a empresa é um erro tanto quanto confundir a empresa com a casa. Esse tipo de confusão revela o declínio das relações afetivas, da importância da dimensão humana na vida das pessoas. A família que quer ser como uma empresa é aquela que ainda não aprendeu que o trabalho é para sustentar os sonhos, colocá-los em dia, e que gente é mais importante que coisa. Empresa fabrica coisa e família educa gente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6449851730301568330?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6449851730301568330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6449851730301568330&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6449851730301568330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6449851730301568330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/12/famlia-no-empresa.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;FAMÍLIA NÃO É EMPRESA&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/STWFu24xoPI/AAAAAAAAAUw/qImKWGJW4e4/s72-c/familia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-188917976889079364</id><published>2008-11-21T17:00:00.002-02:00</published><updated>2008-11-21T17:02:27.687-02:00</updated><title type='text'>Educação empreendedora</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SScFtQgayFI/AAAAAAAAAPY/Q2hVyBpHHbM/s1600-h/luz.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 348px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SScFtQgayFI/AAAAAAAAAPY/Q2hVyBpHHbM/s400/luz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271188163943647314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Seu filho é um empreendedor? Você pode educá-lo para ser um empreendedor? Você sabia que o conceito moderno de empreendedorismo está vinculado a qualquer tipo de sonho?  &lt;br /&gt;É comum conectarmos a palavra empreender a negócios. Mas não é sobre negócios que vamos falar. O empreendedor que nos interessa aqui é aquele que tem uma postura pró-ativa em relação ao mundo e vai em busca da realização de seu sonho, qualquer que seja ele, qualquer que seja a área.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Segundo o educador Sérgio Godinho, o empreendedor é aquele  que realiza algo trabalhoso, desafiador, move mundos e fundos para alcançar um intento. Mas acreditamos que para ser um indivíduo com esse perfil é preciso ter um dom, que somente alguns privilegiados o tem. Será? Na verdade, atitudes e  comportamentos de um empreendedor são passíveis de aprendizagem. Nós que nem sempre somos educadas para reconhecê-las e valorizá-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos as características empreendedoras listadas pelo autor Fernando Dolabella: energia, auto-estima, criatividade, tolerância ao erro, liderança, ousadia, rede de relações, persistência, conhecimento específico. E para desenvolvê-las, as crianças necessitam do estímulo da família. Claro que as pessoas nascem com certas vantagens em relação a outras, mas todas essas características podem ser construídas e aprimoradas. Evidente que vai depender do esforço empenhado.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito empreendedor vai sendo conformado com as mensagens e os estímulos que o indivíduo recebe desde criança. A construção de uma elevada auto-estima vai depender, entre outros aspectos, do amor que se recebe dos pais, se esses valorizam as singularidades dos filhos, potencializando desejos e talentos. Um líder se fortalece se o indivíduo é incentivado a resolver seus próprios problemas, a tomar decisões. Ver o erro como aprendizagem e não como vergonha vai depender se a falha é crucificada ou encarada como uma tentativa de acerto, se o indivíduo é estimulado a fazer novamente e não avaliado como fracassado. A ousadia pode ser construída deixando o filho experimentar, arriscar, claro que salvaguardando a integridade física e mental dele. Criativas, espontâneas já nascem as crianças, e para que  a criatividade não seja soterrada é importante  que não  fiquem só repetindo o que os outros fazem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, são muitas as atitudes que vão ajudar o filho a crescer empreendedor. Depende também se ele vai aprendendo a resolver por si os problemas, se é estimulado a perguntar, a dialogar, a exercer o direito de escolhas, se é apresentado ao mundo das artes para educar o olhar. É bom lembrar que quanto mais oportunidades, maior a chance de desenvolver o espírito empreendedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante é deixar o indivíduo sentir-se no direito de ter um sonho e fazê-lo responsável pela busca da realização, o que implica em assumir uma postura pró-ativa. Não tem importância se o sonho no primeiro momento é vago, sem contornos específico, como “mexer com teatro ou com carros”. Os pais podem ajudar os filhos a entregar-se ao sonho, incentivando a obter informações ou mesmo mostrando caminhos para localizá-las.  E assim os sonhos vão se delineando, definindo.   Com mais conhecimento, percebe-se mais possibilidades e potencialidades que promovem ajustes nos sonhos. Por isso não há que se dizer que fulano ”não sabe o que quer, cada hora faz uma coisa”.  Cada um tem seu ritmo, sua maneira de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso considerar também que as coisas podem perder ou alterar o significado. Num determinado momento um sonho fascina o indivíduo, mas a medida que se aproxima do objeto desejado, descobre-se não tanta afinidade, entusiasmo, e o objeto deixa de fazer sentido ou é ressignificado . Para conhecer, definir, só mesmo chegando perto, vivenciando. Muitas vezes fantasiamos, idealizamos ou descobrirmos nossos limites, e é preciso aceitá-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é manter o prazer de buscar, de experimentar, tendo a coragem necessária para dizer não ou sim de acordo com o que toca o sujeito.  E quando tocar, deve-se focar esforço e emoção na busca de um sonho que dá sentido à vida, faz o indivíduo amadurecer. Cabe lembrar que o indivíduo deve definir um projeto de vida pessoal coerente com sonhos, interesses e potencialidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-188917976889079364?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/188917976889079364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=188917976889079364&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/188917976889079364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/188917976889079364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/11/educao-empreendedora.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Educação empreendedora&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SScFtQgayFI/AAAAAAAAAPY/Q2hVyBpHHbM/s72-c/luz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-923408412988562989</id><published>2008-11-10T16:58:00.002-02:00</published><updated>2008-11-10T17:03:01.416-02:00</updated><title type='text'>PARCERIA TRAIÇOEIRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SRiFUlvAQDI/AAAAAAAAAPQ/xSxSKwkZSKQ/s1600-h/tv.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 361px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SRiFUlvAQDI/AAAAAAAAAPQ/xSxSKwkZSKQ/s400/tv.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267106352982933554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Circula na Internet um vídeo da TVE espanhola que merece nossa reflexão. Um garoto está à frente da TV completamente embevecido. Seu cão usa de várias estratégias para conquistar a sua atenção e companhia. O cachorro quer brincar, reivindica carinho e tenta demovê-lo de assistir TV. Vai até o quarto e pega uma coleira, uma bola, um barquinho, faz gracinha, e nada do amigo se sensibilizar. Por fim, frustrado e triste, o cão faz a mala e vai embora na certeza de que perdeu um amigo. E entra a locução: “Há muitas coisas que você pode fazer em lugar de ver tanta televisão. Se seu amigo não quer estar contigo, não será que vê demasiada televisão?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisa do Ibope de 2007 revela que cada brasileiro da classe A e B consumiu 4h40min de TV por dia. Crianças e adolescentes ligaram a TV por 4h50 min, muito mais que em outros países. Já pararam para pensar nos efeitos dessa relação? Durante esse tempo são infindáveis de mensagens que podem ser captadas e assimiladas. Mensagens que incitam a violência, a erotização precoce, que exibem o grotesco. Hábito que afasta as crianças do convívio social e dificulta a formação de laços afetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem viciou as crianças a ficar tanto tempo na frente da TV? Os adultos que fazem das TVs babás das crianças? Existe um discurso dos pais de que não há tempo para os amigos nem para os filhos. Mas facilmente entregam o tempo livre à TV conferindo a ela um lugar privilegiado na casa. Não se pode perder o capítulo da novela, mas pode-se deixar para depois uma conversa com o filho, correndo o risco de que o depois se torne o nunca. Troca-se uma prosa, uma brincadeira, um passeio por horas de sofá. E assim ela vai lapidando mentes e corações, forjando subjetividades marcadas por um ideal de vida consumista e superficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criança viciada em TV tem chances de tornar-se um adulto medíocre, pouco criativo e de uma pobreza simbólica considerável. Dificilmente ele gostará de estudar e terá dificuldade de se concentrar na leitura. O hábito excessivo de assistir TV faz muita gente trocar o livro pela tela, aumentando a população que só entende o que ouve, e não entende o que lê – geração “audiovisual” cuja presença intelectual resume-se à audição. É quando o registro psíquico existe para compreender apenas através do som das palavras, comprometendo a compreensão da leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a TV tem afastado os pais de seus filhos, as crianças dos amigos. Não se trata de demonizá-la, afinal é um instrumento poderoso de formação, informação e de entretenimento. Mas ela vem se tornando a senhora dos lares. Cada vez maior, bela, potente e sedutora, não resistimos aos seus chamados. Está na sala principal, às vezes, em cada quarto e até na cozinha. Uma mania que a América disseminou entre nós e que sobrevive poderosa, de forma pouco regulamentada, incentivando consumos e modismos, formando cabeças, consolidando uma cultura centrada na visibilidade. Ela vende qualquer coisa, tem poder em transformar bugigangas em ouro. Quando exibida na tela, qualquer mercadoria ganha status de coisa valiosa, fashion, produto cobiçado, fetichizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se ensinar aos filhos que não convém ver TV indiscriminadamente. Muitos pais desistiram de exercer controle e confessam impotência diante do brilho virtual, permitindo que os filhos sejam manipulados e controlados por uma ideologia de mercado fútil e de grande pobreza simbólica. É quando profissionais de comunicação despejam todo tipo de mensagem sobre suas cabeças. No Brasil a TV não respeita idade, os programas infantis veiculam propagandas que manipulam as crianças, o que não acontece em países como Canadá e EUA. Exercer controle não é fácil, mas virar as costas ao problema acaba por aumentá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro de uma criança corre grande risco quando ela não é educada com disciplina e deveres a serem cumpridos – isso implica em não poder ver TV por muito tempo, tampouco ver qualquer coisa(?????????). E incluímos aqui outras máquinas como computador e jogos eletrônicos. A questão é saber limitar o contato da criança com a tecnologia, objeto que vicia e pode dificultar o processo de socialização. A idéia é fazer um movimento que reverencie a importância do contato humano, que valorize a companhia do outro, principalmente daqueles que são responsáveis pela educação da criança. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-923408412988562989?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/923408412988562989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=923408412988562989&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/923408412988562989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/923408412988562989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/11/parceria-traioeira.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;PARCERIA TRAIÇOEIRA&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SRiFUlvAQDI/AAAAAAAAAPQ/xSxSKwkZSKQ/s72-c/tv.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6182177209702233973</id><published>2008-10-22T17:07:00.002-02:00</published><updated>2008-10-22T17:12:12.003-02:00</updated><title type='text'>Educação e crueldade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SP96786g6OI/AAAAAAAAAPI/-qKtmhEKEW0/s1600-h/lobomau.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260058060174452962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SP96786g6OI/AAAAAAAAAPI/-qKtmhEKEW0/s400/lobomau.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É possível nos defendermos da crueldade do mundo? A crueldade existe e não podemos ignorá-la, desacreditar do seu poder destrutivo. Mesmo crianças e jovens são capazes de atos maldosos. Tornou-se comum namorados matarem namoradas, como Lindemberg que matou Eloá com um tiro na cabeça. Sempre há muitas explicações. Perversão, descontrole, falta de limite, incapacidade de suportar frustrações, função paterna frágil? Não dá para negar que atos como esses nos levam a desconfiar da forma como a intolerância tem aumentado entre os jovens. Intolerância ao sofrimento, pouca capacidade de suportar a ausência do outro - perdas afetivas. Geralmente, o homem confunde virilidade com agressividade. Mitologicamente, ele se julga poderoso por portar o significante fálico, o pênis, o que lhe confere uma ilusão de completude. E com isso se julga no direito de agredir, matar o outro que lhe nega algo. Ou se colocar como dono do corpo do outro, demonstrando posse, machismo. Eloá lhe negou amor. Tudo isso pode provocar atos descabidos quando a boa educação fracassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos numa sociedade permissiva que estimula e incentiva atos insanos, aplaudimos e achamos normal a vida sexual precoce. Devemos refletir sobre as conseqüências do excesso de permissividade a que estamos submersos. Quando o desejo corre solto, ele pode circular para o bem ou para o mal. Lindemberg saiu de casa munido de muito ódio e duas armas - determinado a matar aquela que frustrou seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde sempre crianças ouvem histórias de personagens que representam a maldade: O lobo mau da Chapeuzinho, o lobo dos Três porquinhos, a madrasta da Branca de Neve e muitas outras que deveriam amedrontar as crianças. Como fábula deveria ensinar que a maldade faz parte da condição humana e se manifesta de diversas formas. Toda boa educação deve aguçar no filho um olhar capaz de se defender das contradições do ser humano - quantia certa para se proteger das maledicências do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dão sinais de suas maldades. É claro que os perversos escamoteiam suas garras, mas há os que deixam isso claro quando mentem, trapaceiam, dissimulam. Importante é alertar os filhos para ter cuidado quando se envolverem com pessoas excessivamente agressivas, ciumentas, possessivas. Como despertar nos filhos malícia diante daqueles que lhes causam medo, desconforto? Como respeitar a intuição quando o coração pedir cautela antes de entrarem de cabeça nas relações? Como descobrir quando uma pessoa é confiável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais não podem confundir precocidade com maturidade ou inteligência com esperteza. Uma adolescente que namora como uma mulher adulta assume riscos, e convém aos pais acompanhar de perto os passos do namoro. Pode ser um ótimo encontro, mas pode também não ser. Muitas mulheres, por diversos motivos, acabam se envolvendo com homens violentos e estabelecendo relações destrutivas, submetendo-se às grosserias, mentiras, comportamentos agressivos, posturas sado-masoquistas. Tudo em nome do amor ou uma evidência de baixa auto-estima? A violência virou moda, produto fashion?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um indivíduo desequilibrado pode demorar para revelar sintomas que evidenciam uma patologia mais séria. Contudo, as crianças e adolescentes precisam ser educadas para ver além dos olhos, refletirem sobre o que sentem em relação ao outro, questionando os atos estranhos dos parceiros, amigos, levando mais a sério os sinais que incomodam e perturbam - não acreditando em tudo que ouvem e sempre observando se a fala do sujeito condiz com suas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ingenuidade só é boa até certa idade. Aos poucos ela deve dar lugar à boa percepção, pois quem não ficar esperto corre o risco de ser assassinado por um lobo mau. A proposta é alertar os pais da necessidade de debater, junto aos filhos, a crueldade do mundo. Por exemplo, como analisar o papel da mídia que, muitas vezes, estimula a maldade e celebra a bandidagem ao dedicar tanto tempo focando episódios como o caso Eloá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6182177209702233973?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6182177209702233973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6182177209702233973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6182177209702233973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6182177209702233973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/10/educao-e-crueldade.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Educação e crueldade&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SP96786g6OI/AAAAAAAAAPI/-qKtmhEKEW0/s72-c/lobomau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-4919729057613947330</id><published>2008-09-19T12:58:00.007-03:00</published><updated>2008-09-19T13:08:26.713-03:00</updated><title type='text'>Estudo e entretenimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SNPNJCa3cAI/AAAAAAAAAPA/VWXWokxibZ4/s1600-h/estudar+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247763545968832514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SNPNJCa3cAI/AAAAAAAAAPA/VWXWokxibZ4/s400/estudar+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A mãe, revoltada com o filho que não está com boas notas, decide pressioná-lo, pois teme uma bomba. Como a escola é particular, ela reforça que gasta muito dinheiro e não dá muita opção, ou ele estuda, ou muda de escola. Mas o garoto não quer mudar, gosta de onde estuda, só que ainda não pegou o jeito de estudar. Como tudo na vida, gostar de estudar envolve vários fatores, e pressionar não é o melhor caminho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Filho não é investimento, é projeto de vida que além de afeto, cumplicidade e coragem, envolve vários desafios. Atualmente, tornou-se comum os pais computarem o quanto gastam com mensalidades escolares e usam esse argumento para obrigar os filhos a estudar. A dedicação aos estudos é muito importante na vida de uma pessoa - estudar é se envolver com a necessidade de adquirir conhecimento que irá orientá-la numa vida melhor, ajudá-la a conquistar uma profissão e se interessar por ela. Se o filho não está correspondendo aos estudos, o melhor caminho é investigar os motivos que o leva ao descaso pelo mundo dos livros. Será que os pais também são interessados em estudar, pesquisar e conhecer? Será que os lares atuais são um bom ambiente para estudar, se concentrar? Será que o mundo de hoje é um convite ao recolhimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A vida moderna combina consumo, shopping, paqueras, internet, orkut, celulares, jogos eletrônicos, TV, Ipod - tudo que desvia a atenção da garotada dos estudos. Vivemos o deslocamento do ser para o ter. Estudar não tem sido um valor apregoado pelo mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos confundir filho com investimento, garantia de recuperar o dinheiro empregado na educação. Filho deve ser visto muito mais como promessa de bons sentimentos. Como é gente, se relaciona com o outro - diverge, briga, exige, ama e odeia. Sempre sabendo que, no fundo, a aposta que está valendo é a afetiva - o prazer em ajudar uma pessoa a se encontrar e descobrir por onde passa o seu desejo, despertando-a para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A sociedade atual expõe as crianças a fortes emoções, incentiva o gosto pela violência. Quando crescem, iniciam-se em esportes radicais, músicas eletrônicas, jogos barulhentos e violentos. A adrenalina tornou-se o alvo quando o assunto é divertimento. E esse é sempre o objetivo da garotada. Se não for divertido, não estuda e não se interessa. Como competir com os meios de comunicação, com a tecnologia? Como conquistar o interesse da moçada se no dia a dia ela vive se entretendo com o mundo das novas tecnologias?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;A questão passa mais pela forma como a criança foi acostumada a lidar com as máquinas, que devem ser regulamentadas. O ser humano segue orientações psíquicas, que muitas vezes não seguem o rumo que os pais gostariam. Como seduzir o jovem, convocá-lo ao exercício da reflexão e do pensamento crítico, se a televisão antecipa, facilita e entrega tudo pronto? Eis um desafio aos pais e educadores – como fazê-los se encantar com o ato de estudar. Estudar não é como passear ou praticar esportes. Exige ambiente, dedicação, empenho e perseverança. Muito diferente do que navegar na internet, ou ver um filme no DVD. Uma questão que cabe à família introduzir, junto ao filho, desde cedo, se posicionando e se implicando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Os pais não devem se deixar contaminar pela ideologia do dinheiro, pela lógica do custo/benefício, onde o importante é recuperar o que se gastou. Viemos ao mundo para tentarmos ser felizes. Se ao longo de nossa trajetória formos bem sucedidos, ótimo. Afinal, o que é sucesso? Se conseguirmos ser reconhecidos no que gostamos de fazer, tanto melhor, mas não podemos condicionar a existência humana pela equação – poder e dinheiro. Cada qual terá que descobrir uma maneira própria de ser. A existência humana requer questões de diversas ordens – singularidades, subjetividades. O bom pai respeita as escolhas do filho, apoiando e acompanhando-o em sua trajetória pela vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-4919729057613947330?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/4919729057613947330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=4919729057613947330&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4919729057613947330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4919729057613947330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/09/estudo-e-entretenimento.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Estudo e entretenimento&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SNPNJCa3cAI/AAAAAAAAAPA/VWXWokxibZ4/s72-c/estudar+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-8900941897222346080</id><published>2008-08-18T09:49:00.002-03:00</published><updated>2008-08-18T09:52:41.248-03:00</updated><title type='text'>Rivalidade entre irmãos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SKlwY_DQSzI/AAAAAAAAAOw/9uASbTRklak/s1600-h/irmaos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235839616339168050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SKlwY_DQSzI/AAAAAAAAAOw/9uASbTRklak/s400/irmaos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na piscina de um clube, um pai se deliciava com sua pequena filha aprendendo a nadar e fazendo outras gracinhas. O filho de 10 anos também tentava ganhar atenção: “Pai, olha como o passarinho nada”. E a irmã, mais que depressa, fazia algo para garantir olhares exclusivos, e conseguia. Outras tentativas vieram: “Pai, olha como o passarinho mergulha”. Mas o olhar do pai não desviava da menina. Por fim, o menino desistiu, ficou a brincar sozinho em um canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os pais privilegiam um filho, ou demonstram uma preferência por um dos filhos, quais os sentimentos que podem surgir entre os irmãos? Inveja? Ciúmes? Raiva? O mito de Caim e Abel nos ajuda a refletir sobre esse fato. Abel, um pastor, ofertou uma ovelha a Deus. Caim, lavrador de campos, ofertou parte de uma safra. Deus agradou-se da oferenda de Abel, mas não de Caim, que zangado com o favoritismo e sem poder descarregar sua raiva em Deus, mata o irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A injustiça de Deus, nesse caso, gerou uma rivalidade entre os irmãos. Nas famílias, a preferência, o favorecimento de um filho pelo outro faz eclodir disputas que podem gerar problemas graves. Quando uma criança ou um adolescente se vê preterido, menos amado pelos pais, julgado menos bonito ou inteligente, sente raiva e costuma descarregá-la indevidamente. Ainda incapaz de conversar sobre a mágoa, de manifestar sua tristeza, de reivindicar e conquistar igualdade, acaba deslocando o alvo para o irmão. É quando surgem palavrões e outras agressões - atitudes que merecem ser melhor investigadas pelos pais, pois frustração e insatisfação costumam gerar violência e devem servir como alertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo indivíduo deve aprender a suportar as frustrações, afinal, os pais não possuem sentimentos iguais pelos filhos. Sabemos que o mundo não é igual para ninguém - cada um é um, e por mais doloroso que isso seja, devemos crescer dando conta das diferenças. O que não significa que elas devam ser escancaradas. Há várias formas dos pais lidarem com as preferências - com habilidade, procurando compensar por um lado, ressaltando aspectos positivos de cada filho para que nenhum se sinta rejeitado. O sentimento de rejeição é terrível e pode deixar marcas indeléveis, que poderão prejudicar o sujeito por toda a vida, caso não seja tratado - falado, explicitado, elaborado, analisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho preterido pode crescer sentindo-se inferior, com a auto-estima baixa, o que é danoso. É um campo que se abre e que geralmente se traduz em um sujeito infeliz, espalhando ressentimento pela vida afora. Gostar de si, aceitando-se com as imperfeições e limitações, é um percurso a ser construído desde a infância e requer o afeto dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, por mais difícil que seja, os pais devem procurar ser justos com os filhos, dividir as atenções e carinhos, tentar não discriminar nenhum deles. Sabemos que é encantador uma criança pequena, tudo que ela faz tem sua graça. O jeito que fala, sorri, anda, pula e corre. O que é desengonçado torna-se bonitinho. Mas toda criança tem sua beleza, aliás, todo indivíduo esconde algo que pode ser explorado e admirado, mas para tanto requer olhares de admiração de um outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o outro que nos confere identidade, singularidade. O processo de subjetivação passa pelo outro, esse todo poderoso que nos nomeia. Toda criança depende do olhar de aprovação dos pais, olhar de reconhecimento - aquilo que vai ajudá-lo a construir um sentimento próprio e que pode ser de amor ou de ódio, de acolhimento ou de rejeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rivalidades sempre haverá. São situações que fazem parte da condição humana e os pais não precisam se culpar por elas. Importa assumir e aprender a lidar melhor com tais incômodos. Antipatias, incompatibilidades sempre existiram. A sociedade excludente, que privilegia o belo e discrimina o feio, também colabora para aumentar ainda mais a rivalidade entre os indivíduos. Quem nunca presenciou elogios a uma criança sendo ignorada uma outra ao lado? A maternidade e a paternidade responsável exigem dos pais posicionamento. A construção de relações mais harmoniosas e humanas, menos injustas e que poderão garantir saúde psíquica aos filhos, depende da disposição e da capacidade da família para enfrentar os problemas – desafios da vida em sociedade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-8900941897222346080?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/8900941897222346080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=8900941897222346080&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8900941897222346080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8900941897222346080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/08/rivalidade-entre-irmos.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Rivalidade entre irmãos&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SKlwY_DQSzI/AAAAAAAAAOw/9uASbTRklak/s72-c/irmaos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6764614447756736606</id><published>2008-08-05T17:56:00.004-03:00</published><updated>2008-12-10T21:45:34.071-02:00</updated><title type='text'>Mitos e transtornos </title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SJi_p4BqpqI/AAAAAAAAAOo/JxF04PLqBSk/s1600-h/transtornos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231141693325747874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SJi_p4BqpqI/AAAAAAAAAOo/JxF04PLqBSk/s400/transtornos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Transtornos - é uma questão genética ou psicológica? Modismo ou sintomas que revelam aspectos subjetivos que dizem do sujeito e de sua história de vida? O que subjaz a tudo isso? Vivemos uma tendência de justificar as doenças pelo mau funcionamento do cérebro. O mercado dos psicofármacos vem crescendo a cada dia confirmando que as pessoas estão reverenciando a medicalização. Da ritalina à fluoxetina, a mania é apostar na neuropsiquiatria. É a prevalência do corpo biológico sobre o corpo erótico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, em alguns casos, a medicação tem a sua indicação. O que assistimos, contudo, é mais uma tentativa de classificar e enquadrar os sentimentos. Vivemos a onda dos diagnósticos, tudo tem que ser rotulado e nomeado rapidamente. A pressa em diagnosticar, desresponsabilizando o sujeito pelo sintoma, nos faz questionar o que tem contribuído para a proliferação dos transtornos e síndromes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dispersão, impulsividade, agitação e desatenção podem ser sintomas do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), ou sinais de um sofrimento maior que afeta a adaptação social? Para que uma criança apresente um bom desempenho na escola, se desenvolva de forma saudável, ela necessita de um ambiente familiar favorável. Vários são os fatores que podem atuar no corpo psíquico comprometendo a aprendizagem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Uma criança que vive num ambiente transtornado, barulhento e sem clima propício para estudar, ler, se concentrar, acaba expressando o desconforto. É quando qualquer coisa passa a irritá-la. Uma criança irritada é uma criança em sofrimento. Importa mais descobrir como estabelecer um vínculo de confiança que viabilize ela falar, do que apenas diagnosticar ou nomear o seu sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;O conceito de transtorno é complexo e controverso. Maria Luisa Salomon, mestre em psicologia, em entrevista à revista Encontro, afirmou suspeitar do diagnóstico de TDAH. Em 30 anos de experiência só teve um caso que considera realmente como tal. Aos adultos, cabe aqui uma reflexão, afinal quem não foi ou teve colegas super agitados, desinteressados pelos estudos e que se tornaram ótimos profissionais?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Quando uma pessoa presencia um fato desagradável, uma tragédia, ou vivencia uma perda, ela pode sintomatizar de diversas formas. Contudo, se o que ocorreu não for elaborado, falado, se a criança não vivenciar o luto pela perda ou não trabalhar o incômodo, ele retornará bloqueando e dificultando a aprendizagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;TV, celular, computador, vídeo game, DVD, Ipod. Muita tecnologia e pouca gente. Muitos são os recursos que fazem parte do cotidiano da moçada e que, em excesso e sem regulamentação, podem prejudicar o desenvolvimento cognitivo. A criança moderna é solitária, cresce avulsa, há poucos irmãos na jogada. A média das famílias de classe média é de 1 a 2 filhos. As relações interpessoais sofreram um abalo, um empobrecimento afetivo, simbólico e intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infância é tempo de criatividade, é quando ela interage com outras, desenvolve a auto-expressão e potencializa sua inventividade. Criança requer cuidados e atenção, gente para vetorizá-la, ser referência e plantar raízes. Criança não adquire uma concepção da vida sozinha - necessita de uma formação rica em bons exemplos, boas companhias. Contudo, o tempo com os pais é fundamental - tempo de rolar no tapete, tempo lúdico e afetivo. É quando ela vai se sentir protegida e acolhida por aqueles que cumprem com a função paterna. Sem isso, ela pode se sentir angustiada, incomodada, irritada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A escola deve dar ouvidos à fala do aluno, orientando os pais na condução do tratamento, que deve priorizar uma mudança de atitude para com ela. Sem entender é difícil mudar, sem mudar é difícil melhorar. A harmonia interna só será conquistada numa relação de afeto, respeito e confiança. Não podemos tomar a manifestação do problema como se fosse o problema. Como formarmos cidadãos criativos, autônomos e equilibrados? Talvez a saída esteja em dar ouvidos ao que não está bem, pois onde tem doença, tem sujeito e histórias de vida. Reivindicar o direito à singularidade é uma forma de reivindicar sanidade. Entre mitos e diagnósticos, há muita criança solitária, mal compreendida e infeliz com uma educação tecnológica, fria, terceirizada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6764614447756736606?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6764614447756736606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6764614447756736606&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6764614447756736606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6764614447756736606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/08/mitos-e-transtornos.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Mitos e transtornos &lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SJi_p4BqpqI/AAAAAAAAAOo/JxF04PLqBSk/s72-c/transtornos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-7934614426386784568</id><published>2008-07-22T12:37:00.005-03:00</published><updated>2008-12-10T21:45:34.280-02:00</updated><title type='text'>Solidão de filhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SIX_bTXKB7I/AAAAAAAAAOg/ZMMZxX-LbdA/s1600-h/solidao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225863787152279474" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SIX_bTXKB7I/AAAAAAAAAOg/ZMMZxX-LbdA/s400/solidao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Será que seu filho se sente só? Talvez você nunca tenha pensado no assunto. Talvez você perceba e não saiba como agir. Mesmo que ele esteja sempre rodeado de colegas, que tenha festas para ir e até namorada, pode ser que ele não reconheça em ninguém um amigo verdadeiro para confiar quando o coração aperta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Alex, um adolescente skatista do filme Paranoid Park, nos alerta para a angústia e a solidão que alguns jovens sentem. Em busca de emoção, aproxima-se de skatistas, e acaba envolvido acidentalmente na morte de um guarda. Recobre-se de medo e culpa, e não fala nada a respeito nem para o pai, nem para a mãe, nem para ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um traço da adolescência é a comunidade, a “galera”, a tribo, que dá a ilusão, para os jovens e para os pais, da ausência da solidão. Mas no grupo nem sempre há relações de intimidade, nem sempre há vínculos estreitos. E não é necessário acontecer uma tragédia para o adolescente se dar conta de que está só. Basta ter algo que o incomode muito, ou viva de uma maneira que não lhe dê orgulho para ter sentimentos de inferioridade e manter-se distantes das pessoas, esconder-se. Esconderijo que pode representar a busca por situações que proporcionam euforia e disfarçam a solidão. Esta pode ser tanto silenciosa quanto barulhenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O psicanalista Contardo Calligaris em seu livro, Adolescência, nos lembra que o “adolescente vive a falta do olhar apaixonado que ele merecia quando criança”. Olhar vital, imprescindível para o adolescente não se distanciar dos pais. E é essa proximidade que os faz compreender a demandas dos filhos. Não se está falando aqui que é possível aplacar toda a solidão que um jovem sente, porque afinal todo indivíduo, indiferente de sua idade, em determinados momentos, sente-se só. Temos nossas inquietações que não compartilhamos. O que está em questão é como os pais podem amenizar a solidão que se abate sobre os filhos. Mesmo quando esse está às voltas com outras atividades, ele pode estar se sentido desamparado, só, angustiado e sem saber como manifestar o incômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A vida moderna cerca o jovens de mil parafernálias - jogos eletrônicos, celulares, orkut, esportes radicais, colegas e amigos, contudo, muitos se sentem fora de lugar, deslocados. O sentimento de desraizamento, de despertencimento é um dos sintomas da juventude atual. Quanto mais ampliamos os espaços e as oportunidades de convivência, menos neles nos aprofundamos. O mundo virtual pode ser uma forma de disfarçar a solidão de muitos jovens. Eles têm muito e não tem nada, pois realmente poucos se entregam às atividades de corpo e alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O importante é que os filhos, desde pequenos, se sintam com liberdade e com intimidade para se abrir e falar de seus mal-estares, os sentimentos difíceis, as emoções indefinidas. É na intimidade que assuntos subjetivos e profundos podem ser conversados, desabafados, revelados. E isso se faz com diálogo, com proximidade. A conversa franca, aberta para expressar idéias e sentimentos nos aproxima dos outros. E quando falamos, nos ouvimos, nos entendemos. Por isso, é fundamental que os pais criem o hábito do bem dizer – quando a família inclui no dia a dia a prática de olhar uns aos outros, e mirando nos olhos, parar para sentir se o outro está bem. Afinal, para que vivemos se não for para nos ajudar a sermos mais felizes, para trazer mais sentido e colorido às nossas vidas? Resignificar a existência passa pelo olhar, pelo escutar e pelo sentir. E não pelo diálogo mudo que muitas vezes estabelecemos com aqueles que amamos. Juventude feliz é aquela que desliza nas pistas de skate e nas do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por acaso, ou por inconseqüência, seu filho pode estar num espiral de confusão. Se sentir confiança, ele tende a falar, mas se não sentir, vai arrumar estratégias de acobertamento. Vai se enroscar na culpa e no medo desencadeando uma série de conflitos internos. Portanto, cultive a intimidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-7934614426386784568?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/7934614426386784568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=7934614426386784568&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7934614426386784568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7934614426386784568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/07/solido-de-filhos.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Solidão de filhos&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SIX_bTXKB7I/AAAAAAAAAOg/ZMMZxX-LbdA/s72-c/solidao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6636088561870676048</id><published>2008-07-02T16:13:00.005-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:16.880-02:00</updated><title type='text'>Jovens e violência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SGvUXZitLRI/AAAAAAAAAOI/QNBwngatxIw/s1600-h/narciso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218498091697384722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SGvUXZitLRI/AAAAAAAAAOI/QNBwngatxIw/s400/narciso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;O casal de jovens – ela, estudante de arquitetura, ele, de direito –, namorou por alguns anos. Depois de certo tempo, a garota resolve terminar o namoro. O ex-namorado, inconformado, começa a persegui-la. Certo dia, força e consegue entrar no apartamento onde ela mora, ludibria a empregada e vai até o quarto da garota, ameaçando e agredindo-a,  embriagado, descontrolado. Os pais da garota procuram os pais do rapaz para uma conversa. O pai do garoto tenta desculpabilizá-lo. Chocada, a mãe da garota tenta entender tal aberração.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Histórias como essa têm se tornado comuns, o que nos obriga a refletir sobre os fatores que têm contribuído para o aumento da violência entre os jovens. Quando essas histórias começam?&lt;br /&gt;   Um garoto que foi criado, desde pequeno, demandando e recebendo, chorando e sendo atendido, cresce despreparado e com um imaginário completamente distorcido sobre os códigos da boa convivência. A concepção que formamos da vida é internalizada desde que nascemos. Se a criança sente desejo de algo, ela vai lutar para conseguir. Caso ela consiga sem esforço, ou se nada lhe é negado, como ela vai desenvolver um equilíbrio pulsional - como ela vai aprender a domar pulsões e desejos? A possibilidade de essa criança crescer fora da lei, praticando atos inflacionários, desrespeitando regras e desconhecendo limites, é muito grande.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As famílias modernas, por falta de tempo ou por falta de disposição interna, delegam a terceiros a educação dos filhos. Nessa jogada entra, desde babás, escolas, avós, até televisão e computador. É grande o arsenal de atividades e pessoas que vêm cumprindo com a função paterna e materna. Isso tudo inclui aspectos positivos e negativos. Os negativos correm por conta dos excessos, exageros. Muitos, ainda bebês, iniciam sua trajetória no mundo externo – fora de casa, em berçários, submetendo-se a horários rígidos, longe do aconchego dos pais. Os primeiros anos de vida são fundamentais para a saúde psíquica e emocional da criança. Como conciliar a necessidade de trabalhar fora com a responsabilidade sobre os filhos? Educar exige disposição, implicação, dedicação, tudo que o mundo moderno não estimula, pois sempre nos chega com um compromisso urgente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contudo, há cenas, palavras e imagens que registramos ainda bebês, e para delas nos desvencilhar, não será muito simples. Somos as fantasias que criamos com o que vivemos, ouvimos e vimos. Se não aprendemos, desde cedo, aceitar recusas, considerar o desejo do outro, como iremos respeitar a namorada? Saber renunciar ao nosso desejo, saber lidar com frustrações e perdas é uma das coisas mais importantes da vida. Cabe aos pais inserirem o filho nos limites da condição humana. Todo ser humano sofrerá restrições, frustrações. Não existe vida humana em que algo não falte. Freud, em vários textos, nos alertou sobre o desamparo. Faz parte da tragédia humana a sensação de incompletude.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O bom pai é aquele que não poupa o filho dos fracassos e errâncias da vida. Educar demanda coragem e dedicação para, desde pequeno, apresentar ao filho a vida como ela é. Viver exige de nós responsabilidade, compromisso. Coragem para assumir erros e fracassos. O homem, quando toca sua insignificância, humaniza-se. Dignidade, honra e humildade, são valores que não podem sair do cardápio educativo dos filhos. Sem eles o mundo se tornará inviável, inconvivível. A anomia - o caos e a falta de lei não são bons para ninguém. A vida forjada na intolerância e no desrespeito ao outro é um inferno.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A educação de um filho começa bem antes de ele nascer. E requer muita gente! Como diz o provérbio africano: “É preciso um povoado inteiro para educar uma criança”. Há uma função social na educação dos filhos - embora seja responsabilidade dos pais, ela excede aos pais. O individualismo, sem uma moldura ampla de responsabilidades coletivas, é um perigo. Em que cultura educamos nossos filhos? Qual a nossa posição diante dos últimos acontecimentos? A cultura de consumo, individualista, narcisista, que incentiva o sucesso a qualquer custo, não ajuda muito. Pelo contrário, estimula a permissividade. E sabemos que sem coibir é impossível educar!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6636088561870676048?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6636088561870676048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6636088561870676048&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6636088561870676048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6636088561870676048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/07/jovens-e-violncia.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Jovens e violência&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SGvUXZitLRI/AAAAAAAAAOI/QNBwngatxIw/s72-c/narciso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-434665577371823835</id><published>2008-07-02T11:04:00.005-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:17.194-02:00</updated><title type='text'>1968 – O ano em que tudo começou </title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SGuL6D5p4PI/AAAAAAAAAN4/DQjSw7ucu2k/s1600-h/1968.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218418422834651378" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SGuL6D5p4PI/AAAAAAAAAN4/DQjSw7ucu2k/s400/1968.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O que teria levado valores como solidariedade, gentileza e respeito ao outro cair em desuso? Por que nos tornamos individualistas e consumistas ao extremo? O que levou à desestruturação familiar? Quando tudo isso começou? Para Jean-Claude Guillebaud, autor de Tirania do prazer, isso começa com a revolução sexual de 1968. O ano em que, na esteira de Wilhelm Reich, o sexo deixa de ser um acontecimento para tornar-se uma obrigação. Todos devem se candidatar ao imperativo do prazer sexual que se tornou a panacéia para todos os males. Para ele, o advento da liberdade sexual vai lutar contra a família, a moral e todas as formas de repressão. Reich atesta a crença no avanço de suas idéias: “A revolução sexual progride e poder algum do mundo poderá deter seu curso”. Contudo, o excesso de permissividade que vive os jovens atuais, o descontrole na forma de viver a sexualidade e a dificuldade dos pais e professores em impor-lhes limites e disciplina, fazem parte das conquistas do maio de 68. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, desejar uma família estruturada, ansiar por filhos respeitosos e obedientes, que agem dentro dos limites da lei, tornaram-se valores de esquerda. Ser revolucionário hoje é ser disciplinado, ético e solidário. Como reiniciar o retorno à ética e a conceitos como cidadania, público e alteridade? A descrença na política nos fez amantes dos costumes, tendências e modismos, como se somente eles pudessem nos salvar. Atestamos o fim da esperança por um mundo mais humano, igualitário e feliz. Resistimos ao triunfo do neoliberalismo com o direito de usarmos o nosso corpo, explorá-lo - usufruir dele e do corpo do outro como bem desejarmos. Eis a nossa revolta – somos libertários sexuais, mesmo quando não devemos ser. Nossa ética é garantir nosso prazer a qualquer custo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;As grandes matrizes ideológicas caíram por terra, o marxismo cedeu lugar a outras crenças. Longe de combater a luta de classe, agora queremos marcar posição, ganhar espaço, visibilidade. A luta é individual e vale lançar mão de todo tipo de pensamento. De Paulo Coelho à auto-ajuda, a ordem é garantir alguma salvação. A esperança transformou-se num presente sem futuro – o imediatismo comanda e orienta a vida forjada pelo mercado globalizado. Viver tornou-se num plano de metas, frenético e sem sentido. Tempo de desespero! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Zuenir Ventura, em “1968 – o que fizemos de nós”, relembra: “Finda a era das certezas ideológicas, vivemos tempos de ambigüidade, do bem convivendo com o mal, do sim com o não, de um futuro em que nada está garantido, nem a existência do planeta”. Cultivamos como herança de 68 um relativismo moral e sexual, o fim das referências culturais e familiares, transformações no campo da estética - a moda deslocou para dietas e academias. A esperança apostada no socialismo desabou no consumismo. Os estudantes de outrora, pós-movimento estudantil, infiltraram-se nos partidos e sindicatos - que hoje ocupam cargos de poder, salários de magnatas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Mas de tudo isso importa destacar a questão moral - a herança de uma liberdade conquistada que desloca para uma permissividade excessiva. Jovens de 68 tornaram-se pai confundindo educação com repressão. Negligentes e relapsos, não inseriram o filho nos limites da lei. Na confusão, relativisaram tudo, confundindo papel de pai com papel de amigo. A geração dos filhos dos militantes de 68, geralmente, é rebelde às avessas. Hoje, muitas crianças vivem o desajuste - o conflito entre certo e errado, verdade e ficção, bonito e feio, heterossexual e homossexual. Podemos ser melhores. Vamos lutar! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-434665577371823835?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/434665577371823835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=434665577371823835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/434665577371823835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/434665577371823835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/07/1968-o-ano-em-que-tudo-comeou.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;1968 – O ano em que tudo começou &lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SGuL6D5p4PI/AAAAAAAAAN4/DQjSw7ucu2k/s72-c/1968.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3687840336502885076</id><published>2008-06-17T16:34:00.007-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:17.551-02:00</updated><title type='text'>Rivalidade feminina </title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SFlGIKWTc2I/AAAAAAAAANw/VrNowXV9Dqc/s1600-h/mulher.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213275149688861538" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SFlGIKWTc2I/AAAAAAAAANw/VrNowXV9Dqc/s400/mulher.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SFgSZhau4nI/AAAAAAAAANo/KWoeyGo3Zes/s1600-h/0001.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O caso Isabella - a menina que, supostamente, foi asfixiada pela madrasta, e jogada pelo pai janela abaixo em São Paulo (29/04/08), provoca reflexões. Ao levantarmos questões e suposições, deparamos com uma infinidade de aspectos da sexualidade humana. Como explicar o que levaria um pai e uma madrasta a se envolverem em um assassinato de uma garota de 5 anos? Será que houve uma falha na metáfora paterna? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Toda criança, para crescer consciente da responsabilidade de seus atos e dos limites que a vida nos impõe, deve ser inserida na civilização - barrada e frustrada em seus desejos, impulsos e caprichos. Quando o sujeito infringe a ordem e comete um crime, o que se apresenta é uma falha na instauração da lei - falha na capacidade de apontar um ponto de basta interditando o sujeito em seu desejo. Tudo vai depender da forma como os pais sancionam a intervenção, funda a lei e instala a ordem, a autoridade. Castrar é limitar, é introduzir a frustração por meio da repressão, da interdição. É quando aprendemos, desde pequeno, a suportar os obstáculos da vida. Caso ela fracasse, agimos como donos do mundo, irresponsáveis (não respondendo pelos nossos atos), desrespeitando e descartando os que obstruem o nosso caminho, nos incomodam e nos irritam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Isabella metaforiza a intrusa - intrometia e atrapalhava a madrasta na sua relação com o seu homem. Essa, irritada, resolve se livrar desse outro que excedia. A tela da janela, ao romper, simboliza a falta da lei na vida do casal. É ela que freia o sujeito em seus ímpetos, impedindo-o de cometer asneiras. O sujeito, no desespero e movido por uma urgência pulsional, passa-se ao ato – assassinatos e suicídios. O despreparo do casal diante dos obstáculos, limites e frustrações, tanto aponta o fracasso da função paterna como levanta a questão da rivalidade feminina.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cinderela e Branca de Neve foram vítimas do ódio feminino. Elas provocavam inveja, ciúme, incomodo e ressentimento. Ao tentar investigar a rivalidade feminina, é importante enfrentar os entraves que, historicamente, foram responsáveis por muitas desavenças entre sogras e noras, madrastas e enteadas, mães e filhas. Muitos são os enigmas que envolvem a sexualidade feminina. A mulher, ao não portar em seu corpo o representante universal do falo (pênis), imprime em seu imaginário uma ausência. Ela traz no corpo a marca da falta (incompletude), o que pode eternizá-la na insatisfação. Daí pra frente, a mulher vai ter que fazer acordos com essa falta que provoca insegurança - buscar outras instâncias de poder e realização que lhe garanta um lugar – uma subjetividade, uma identidade. Toda mulher terá que construir uma posição na vida, uma forma de se sentir realizada e reconhecida. Caso isso não aconteça, ela corre o risco de cair no abismo. O abismo é quando a mulher se eterniza na insatisfação. Marcada pela rivalidade feminina, revoltada com sua existência e posição no mundo, ela, queixosa e intolerante, implica com marido, filhos e enteados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O importante é alertar as mães para a necessidade de inserir os filhos na frustração, barrando-os nos excessos e caprichos. Treiná-los, desde cedo, a conviverem com os fracassos - obstáculos e imperfeições da existência humana. Ensinar o filho a tolerar o chato, suportar o diferente e conviver com o intruso - aquele que provoca ciúmes e rivalidade - faz parte do processo educativo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Talvez se a madrasta, desde bebê, tivesse sido castrada em seus desejos e inserida, de forma carinhosa e firme, nas leis e limites da vida, ela teria administrado melhor o ciúme que sentia na relação de Isabella com o pai. Teria suportado melhor as birras da garotinha, que, provavelmente, disputava o amor do pai. Cabe às mães se investigarem e se prepararem como mulher para enfrentarem, junto às filhas, o fardo da sexualidade feminina – os fantasmas inconscientes que conduzem nossos atos. Tarefa dolorosa, contudo, necessária na trajetória de uma vida mais harmônica – seja nas relações com os homens, ou na convivência com outras mulheres. Como testemunhou Freud: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3687840336502885076?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3687840336502885076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3687840336502885076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3687840336502885076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3687840336502885076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/06/rivalidade-feminina.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Rivalidade feminina &lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SFlGIKWTc2I/AAAAAAAAANw/VrNowXV9Dqc/s72-c/mulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5908651312354675748</id><published>2008-06-03T15:56:00.003-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:17.839-02:00</updated><title type='text'>BARBIES E BOTOX </title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SEWUl3KSImI/AAAAAAAAANY/wU1fLyRUDHA/s1600-h/objetos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207731922306998882" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SEWUl3KSImI/AAAAAAAAANY/wU1fLyRUDHA/s400/objetos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A adolescente chegou para a mãe e perguntou: “Quando eu vou colocar botox”? As meninas de hoje estão crescendo entre mitos que inspiram um ideal de vida, centrado na aparência - beleza plástica e vida sexual precoce. O efeito Barbie nas meninas é da mulher que conquistou sucesso financeiro e afetivo devido a seus atributos físicos, ou seja, por meio de um corpo magro, cabelos longos e loiros - símbolos da mulher bem sucedida e poderosa. A criança cresce acreditando que toda loira é rica, gostosa e cheia de pretendentes. O fetiche da Barbie está nas aquisições físicas e materiais. A ilusão que se vende é de uma felicidade fashion.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A vida idealizada em ícones como Barbie desconstrói a idéia de trabalho – ofício ou profissão que se conquista com muito esforço. Convenhamos, isso é uma grande sacanagem que o mercado, com o beneplácito dos pais, está promovendo entre as meninas. A vida é muito mais que um corpo bonito, seios grandes e bundas arrebitadas. Será que ninguém vai ocupar-se em desmascarar mais esse embuste?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Lembramos que a sedução brota da mente - das fantasias que criamos sobre o mundo e as pessoas. O desejo resulta de um clima de magias que construímos a partir dos significantes paternos e maternos. O que uma garota aspira revela como foi educada - como seu inconsciente foi contaminado. Se a contaminamos apenas com objetos trash, frivolidades, as chances de ela reproduzir esse comportamento pela vida afora são grandes. Contudo, vale o aforismo: “Diga-me em quais valores educas tua filha que direi quem tu és!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Denunciamos os efeitos da cultura contemporânea na organização psíquica dos indivíduos. Chamamos a atenção de pais e educadores para os impactos que o mercado exerce sobre as garotas (seja por meio da mídia ou da indústria de brinquedos) ao veicular um ideal de vida, centrado no sucesso fácil, conquistado apenas com atributos físicos. Fatores como pressão social por poder, visibilidade, afrouxamento dos laços sociais e familiares acabam por engendrar uma desestabilização do sujeito. Quando as escolhas são narcíseas, dentro de uma significação fetichista, quando o foco se cristaliza no eu, temos a prevalência das chamadas patologias do ato ou patologias narcísicas como: toxicomania, anorexia, bulimia e doenças psicossomáticas. Da intoxicação narcísica à psicofarmacologia, o que testemunhamos é o indivíduo atual fugindo cada vez mais dele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O brincar promove o desenvolvimento intelectual e psíquico da criança. A indústria, ao colocar no mercado bonecas como a Barbie, que já vem com tudo pronto – guarda-roupa e cenários completos – diminui na criança a oportunidade de ela própria criar histórias. Educados no mundo cibernético, desprovido do contato afetivo, nos tornamos produção in vitro de um modelo psíquico operatório, normatizado - seres operantes, que agem de forma mecânica, desconectados dos sentimentos. Sensualidade advém, também, da inteligência. Quando a mãe se ocupa em excesso com a aparência da filha, ela acaba transmitindo a idéia de que somente é possível felicidade em um corpo bonito. O verdadeiro tesão brota de mentes e espíritos sofisticados e iluminados. A pior pobreza é a simbólica, contudo, devemos recusar às nossas filhas o lugar da “loira burra”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5908651312354675748?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5908651312354675748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5908651312354675748&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5908651312354675748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5908651312354675748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/06/barbies-e-botox.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;BARBIES E BOTOX &lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SEWUl3KSImI/AAAAAAAAANY/wU1fLyRUDHA/s72-c/objetos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5681140515244940534</id><published>2008-06-03T14:31:00.006-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:18.061-02:00</updated><title type='text'>Inclusão, um caminho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SEasXGDc9PI/AAAAAAAAANg/bg3Fx_X14JU/s1600-h/inclusao+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208039531862619378" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SEasXGDc9PI/AAAAAAAAANg/bg3Fx_X14JU/s400/inclusao+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mauro chegou à sala e despertou a curiosidade da meninada. Pela primeira vez, a turma tinha um colega com Síndrome de Down. Com comportamento agressivo, procurava compensar a deficiência de sua linguagem verbal. Batia na professora e nos colegas, tornando-se necessário esclarecer a turma sobre as dificuldades e as razões que o levavam a agir daquela forma. Contudo, a criançada permanecia temerosa, o que é natural dentro de um processo de adaptação. Uma chegou a não querer ir para a escola, fantasiando que Mauro podia matar a professora. Esta chamou a mãe para conversar que, ao entender os fatos, com muita sensibilidade, explicou ao filho: “O Mauro não sabe que não pode bater. Ensina pra ele”. No outro dia, seu filho chegou à sala ensinando aos colegas que precisavam ter carinho com o Mauro. E aos poucos toda a turma foi mudando o comportamento. Passaram, juntos, a cuidar do colega – levá-lo para o recreio, ajudá-lo com o lanche e atividades pedagógicas, incluindo-o nas brincadeiras. O que não significa dizer que acabaram todos os conflitos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estamos diante de um caso de inclusão, algo novo na sociedade e na escola regular. Outrora, as crianças deficientes eram mantidas trancadas em casa e cuidadas somente pela família e a babá. Na história da civilização, quem é diferente sempre foi segregado. A psicanalista Ana Senra, em seu livro Inclusão e Singularidade, confirma que é mais fácil isolar que incluir. “Eliminação de corpos deficientes nas sociedades espartanas, um discurso religioso que associa conteúdos diabólicos ou pecaminosos às imperfeições humanas.”Ainda hoje, muitas crianças são segregadas pelos diagnósticos médicos e confinadas em escolas especiais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Felizmente o mundo está despertando. Na Declaração Mundial de Educação para Todos, aprovada pela ONU em 1990, está implícito o direito da pessoa deficiente à educação. E tal documento inspirou o Brasil. Em 1998, o governo federal determinou a inclusão de alunos especiais nas salas regulares. Contudo, poucas escolas a cumprem alegando não estarem preparadas para lidar com esse tipo de criança. Mas, como se preparar? Quem nos prepara para ser mãe ou pai? O filho, não é mesmo? E quem prepara a professora para dar aula para uma criança de inclusão? O aluno. O importante é ter disposição e dedicação para enfrentar os desafios, que certamente são muitos, e também para pesquisar e estudar bastante. Uma criança que tem problemas para aprender aponta dificuldades que o professor tem para ensinar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Precisamos compreender que todo indivíduo possui aptidões e reúne condições de desempenhar atividades, desde que tenha oportunidades para desenvolver seu potencial. Como diz a mãe do Joãozinho, personagem do belíssimo documentário Inclusão, de Beto Magalhães. “Ele não deu pra leitura, mas deu pro trabalho”. O rapaz, além de ajudar a mãe nos afazeres domésticos, trabalha num restaurante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A sociedade necessita se abrir para incluir todos, sem exceção – deficiente físico, mental, sensorial, superdotado, minorias. Reconhecer o outro. Entender que conviver com pessoas diferentes é uma oportunidade. Se a criança não passa pela convivência com a diferença, mais tarde terá dificuldade para vencer os preconceitos. O deficiente colabora para formar adultos tolerantes, solidários e responsáveis pelos outros. Portanto, cabe à escola ser um reflexo de uma sociedade que é plural. Para Maria Teresa Mantoan, fundadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade, “uma sociedade justa e que dê oportunidade para todos, sem qualquer tipo de discriminação, começa na escola”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Incluir não é todo mundo conviver no espaço -- na praça ou no mesmo supermercado. Não basta fazer adaptações físicas. É interação e implicação. É uma responsabilidade de todos nós. Como? Criando espaços genuinamente democráticos, onde conhecimentos e experiências são partilhados entre pessoas que tenham a cor, o cabelo, a estatura, o corpo, o pensamento que tiverem. Quebrando barreiras que impedem deficientes de se inserirem na sociedade e no mercado de trabalho. Não estamos nos perguntado como construir uma sociedade mais pacífica e harmônica? Eis um caminho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5681140515244940534?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5681140515244940534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5681140515244940534&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5681140515244940534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5681140515244940534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/06/incluso-um-caminho.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Inclusão, um caminho&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SEasXGDc9PI/AAAAAAAAANg/bg3Fx_X14JU/s72-c/inclusao+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-8476440501874933742</id><published>2008-05-11T12:05:00.005-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:18.198-02:00</updated><title type='text'>Mães, funções e desafios</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SCcNiH2TB8I/AAAAAAAAANA/w17pQ06TYMc/s1600-h/mae.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SCcNiH2TB8I/AAAAAAAAANA/w17pQ06TYMc/s400/mae.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199139174696028098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Muitas mães, para não se haverem com preocupações, para se pouparem do esforço e da tensão proíbem os filhos de saírem à noite. Para algumas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;retê&lt;/span&gt;-los em casa ou deixá-los sair apenas quando parece seguro exige menos – é menos angustiante. Outras, para não enfrentarem o desafio da interdição, permitem tudo. Os filhos com 13 anos já &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;freqüentam&lt;/span&gt; baladas, ingerem bebidas alcoólicas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;transam&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;A questão não é permitir ou não os filhos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;freqüentarem&lt;/span&gt; determinados lugares, mas debater o papel das mães no processo de amadurecimento dos filhos. Mães corajosas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;comodistas&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;superprotetoras&lt;/span&gt;, dedicadas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;relapsas&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;possessivas&lt;/span&gt;, amorosas. Qual a medida certa de ser mãe? A do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Geraldão&lt;/span&gt;, do cartunista &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Angeli&lt;/span&gt;, é tão danada que faz tudo para não deixar o filho arrumar namorada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Quando vai chegando o “Dia das mães”, o comércio se assanha, defende seus interesses. E, naturalmente, as mães aguardam um agrado. Mas é um bom momento para reflexão. Quão boa mãe você é? Quão boa mãe é a sua esposa?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Poderíamos citar inúmeras situações que revelam as que exageram nos cuidados, as que são permissivas,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que são excessivamente castradoras. As que excedem na liberdade e as que demonstram desatenção e descaso com os filhos. Tanto a falta quanto o excesso pode deixar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;seqüelas&lt;/span&gt;, marcas que prejudicam o desenvolvimento emocional do filho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A mãe que, por colocar o filho no lugar do falo – quando ele entra na relação &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;tamponando&lt;/span&gt; a falta – &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;acaba por sufocá-lo, dificultando o corte necessário entre mãe e filho. Por outro lado, a que não estabelece o laço necessário com o filho não transmite à criança a certeza de que ela ocupa um lugar no seu desejo. Mães que não sentam no chão e brincam com o filho não se ocupam da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;maternagem&lt;/span&gt; com gosto. Outras se ocupam de forma obsessiva, compulsiva e autoritária. Situações extremas geralmente provocam desequilíbrio. Um lar saudável prima por uma certa harmonia. Como conquistar tal equilíbrio?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;O grande desafio que o mundo turbulento coloca às mães é: Como conciliar vida corrida com paz interior? Como atingir internamente o ponto de sustentação, de harmonia para conseguir a boa medida – ter firmeza ao dizer não e convicção ao dizer sim? Como não ser carrasca, tampouco &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;superprotetora&lt;/span&gt;?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Superproteger&lt;/span&gt; é uma tendência materna. Aliás, é necessário que a mãe estabeleça uma fusão com o bebê. Este nasce totalmente indefeso, dependente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Contudo, com o tempo, é também necessário que ela vá se distanciando –&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;desviando o olhar para outros interesses. É importante que o filho perceba que a mãe não é toda dele. Educar implica limitar e frustrar o filho em seu desejo. A mãe suficientemente boa é aquela que interdita o filho nos excessos e prepara-o para os obstáculos da vida. É importante que a mãe incentive a criança na conquista de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sua independência – que inicia-se com a transição do peito para a mamadeira, do colo para o chão, da casa para a escola. Entretanto, há mães que não querem que o filho cresça e dificultam a conquista da liberdade e da independência. Mães fálicas, egoístas e poderosas cujos filhos, geralmente, terão dificuldades em assumir responsabilidades, tomar rumo na vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Excessos de cuidados geralmente culminam em crianças inseguras. Crescem com dificuldades para fazer escolhas, temerosas diante dos desafios necessários ao amadurecimento. Inibidas ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;acuadas&lt;/span&gt;, paralisam diante da angústia, demandando sempre dos pais as soluções.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Contudo, a falta de cuidado também é prejudicial, comprometendo o desenvolvimento psíquico da criança. Filho que sente que a mãe não gosta de despender parte do seu tempo com ele, que o trata com rispidez, provavelmente se tornará um adulto angustiado, mal humorado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="line-height: 130%;"&gt;Qual é a função da mãe? Preparar um filho para a vida ou para atender aos seus caprichos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;narcísicos&lt;/span&gt;? Há mães que querem ser legais, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;moderninhas&lt;/span&gt;, amigas de suas filhas. Vale lembrar que ser mãe é diferente de ser amiga. Tornar-se uma mãe razoável, na dose necessária de bom senso e equilíbrio, é desafio. Muito trabalho, dedicação, erros e acertos. Primeiro, é importante que ela se equilibre, se estruture emocionalmente, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;psiquicamente&lt;/span&gt; – &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;uma longa caminhada que envolve desejo e seriedade. Ser mãe é, antes de tudo, uma escolha corajosa, bonita quando exercida com prazer e lucidez, pois é tarefa para toda uma vida. E o futuro do mundo depende dela. Se a vida está fora dos eixos, às mães cabe a determinação de contribuir para consertá-la. Esperança que não se finda!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="line-height: 130%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-8476440501874933742?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/8476440501874933742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=8476440501874933742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8476440501874933742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/8476440501874933742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/05/mes-funes-e-desafios.html' title='Mães, funções e desafios'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SCcNiH2TB8I/AAAAAAAAANA/w17pQ06TYMc/s72-c/mae.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3321824059705257160</id><published>2008-04-30T17:30:00.005-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:18.556-02:00</updated><title type='text'>A criança como patrimônio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SBjZoq8zNII/AAAAAAAAAMk/Lw7_m_yYPfA/s1600-h/0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195141462919165058" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SBjZoq8zNII/AAAAAAAAAMk/Lw7_m_yYPfA/s320/0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SBjXxK8zNGI/AAAAAAAAAMU/ZAv_jX_lbeQ/s1600-h/0001.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Pesquisa da Unesp (Universidade Federal de São Paulo) com 800 famílias da periferia de São Paulo, relatada por Gilberto Dimenstein (Folha de São Paulo, 20/04/08), revela que 20% das crianças são vítimas de violência doméstica - espancamentos, asfixia, queimadura, entre outros. O que certifica que a violência contra crianças no Brasil tornou-se fato corriqueiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Há muitas outras Isabellas vítimas dos adultos. Crianças que morrem ou ficam marcadas pela insensatez, pela frieza e até pela loucura de quem deveria cuidar, dar proteção. E sabemos que a violência atinge também jovens e as classes mais altas. Pelos jornais e pelas ruas, presenciamos ou sabemos de inúmeras barbáries contra eles.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Segundo a senadora Patrícia Saboya, da Frente Parlamentar pela Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, entre 65 países, o Brasil é o que mais mata seus jovens. São 16 por dia! Como nos omitir diante de dados como esses? Qual a nossa responsabilidade? Como implicar, trazer o debate para dentro de nosso lar, para a nossa comunidade? Devemos nos posicionar, vigiar, indagar como vivem as crianças que fazem parte de nosso cotidiano – alunos, filhos dos empregados, vizinhos e amigos. Será que estamos comprometidos com o futuro de nosso maior patrimônio: as crianças e os jovens?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Dimenstein, que acompanha o assunto da delinqüência infanto-juvenil desde o final da década de 1980, afirma na mesma reportagem que “nem toda criança espancada vai para a marginalidade, mas quase todos os marginais passaram pela violência”. Contudo, muitos filhos tornam-se vítimas da própria família, passando de vítimas a culpados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;É importante refletir como nos relacionamos com os nossos filhos, muitas vezes, deixamos marcas indeléveis. Devemos valorizar cada etapa da criação, desde a amamentação. Todo gesto daquela que cuida do bebê é por ele registrado – a forma como a mãe oferece o seio ao filho, como ela fala com ele, o tom da voz. Uma criança terá maiores chances de crescer saudável quando ela reconhece que foi desejada pelos pais, sentindo-se confortável e segura pelos laços afetivos que a cercam. Relações que vão dizer muito de como ela será no futuro. Um adulto equilibrado, geralmente foi uma criança amada, acariciada. Diz da qualidade do afeto que recebeu – como foi respeitada em sua singularidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Em tempo, a madrasta que supostamente asfixiou Isabella, a garota que foi assassinada em São Paulo, (29/03/08), de forma brutal, o que revoltou a população, também foi vítima de violência por parte do pai. Mais um fato que constata que estamos vivendo uma epidemia da violência familiar. Como ajudar a contê-la? Epidemia que deságua na sociedade. Ao Estado, entre muitas outras medidas, cabe ampliar a discussão sobre planejamento familiar, socializar ainda mais os métodos contraceptivos, dar prioridade ao tema. A Senadora alerta que alguns importantes projetos não entram em votação. E a nós, o que cabe? Para começar, a reflexão: o que é ser um bom pai? Sem o comprometimento, sem a dedicação necessária, é possível participar da construção de um mundo melhor para nossos filhos? Ter filho exige maturidade, coragem para enfrentar obstáculos e frustrações. Exige doação, disposição, envolvimento. Requer dedicação para junto a eles debater temas como esses, livrá-los de preconceitos quando muitos julgam violentos e criminosos apenas o diferente - pobre, negro ou favelado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Como bons pais, podemos ajudar a construir um país que valoriza e aposta no seu futuro. Como bons cidadãos, iremos nos sensibilizar com as milhares de vidas ceifadas precocemente. Não podemos simplesmente nos envergonhar com os números de vítimas da violência. Afinal, como define o filósofo francês Ruwen Ogien, “com a vergonha não vamos longe, é mesquinha, não nos move para uma ação positiva”. Devemos, sim, sentir um pouco de culpa, porque esta pode nos tirar do comodismo, nos mover para uma ação em direção ao outro. A criação de uma cultura de paz depende de cada um de nós, e isso não pode ser utopia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3321824059705257160?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3321824059705257160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3321824059705257160&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3321824059705257160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3321824059705257160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/04/criana-como-patrimnio.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;A criança como patrimônio&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SBjZoq8zNII/AAAAAAAAAMk/Lw7_m_yYPfA/s72-c/0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6905467659047468843</id><published>2008-04-13T22:22:00.012-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:18.713-02:00</updated><title type='text'>Educando meninas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAK1MBhdL0I/AAAAAAAAAMM/my5ykwifljg/s1600-h/meninas0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188908938856050498" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAK1MBhdL0I/AAAAAAAAAMM/my5ykwifljg/s200/meninas0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAK0sxhdLzI/AAAAAAAAAME/mzq2aFmfSLQ/s1600-h/meninas0001.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Há algumas décadas, parecia mais fácil educar meninas. O caminho era prepará-las para a vida doméstica e torcer para que elas conquistassem bons maridos. Não havia muitos modelos femininos disponíveis. E os que existiam não eram muito alardeados. Raras mulheres ousavam acalentar sonhos e persegui-los, e as que a eles se dedicavam, eram consideradas loucas ou reconhecidas como más companhias para as moças tidas de família.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Ao longo do século 20, algumas mulheres mais ousadas e intempestivas, enfrentando preconceito e violência, abriram alas para as novas gerações. Na década de 60, o movimento feminista se organizou nos EUA e expandiu-se pelos países ocidentais. Lutaram por emancipação e liberdade. Queriam a equiparação aos homens em direitos jurídicos, políticos e econômicos - apesar das diferenças culturais, sexuais e subjetivas, procuravam se afirmar como indivíduos tão respeitados e valorizados quanto os homens.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O cenário mudou radicalmente. Muitas se destacaram profissionalmente, conquistaram searas masculinas. Assumiram seus desejos ou simplesmente se libertaram daquele tipo de opressão. Passaram a ver a maternidade como escolha e não mais como destino. O mito da mulher que só se realiza quando mãe caiu por terra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Alguns fatos comprovam que a mulher soube se fazer respeitar, romper com o patriarcado; outros, que ainda vivemos numa sociedade em que a imagem da mulher “objeto de cama e mesa”, submissa ao poder econômico, pouco avançou. Cultuamos olhares para o corpo-mercadoria, exibido e cobiçado, e que forjaram a mulher-melancia, mulher- cerveja, que se deixam vender, explorar. Infelizmente é a própria mulher que anseia por vitrines, holofotes e bons cachês. Como nos alerta Frei Betto: “Estupradas em sua dignidade, elas são despidas em outdoors e capas de revistas, reduzidas a iscas de consumo na propaganda televisiva, ridicularizadas em programas humorísticos, condenadas à anorexia e à beleza compulsória pela ditadura da moda. As belas e burras têm mais “valor de mercado" do que as feias e inteligentes”. Contudo e apesar de tudo, é nesta sociedade que temos que educar nossas filhas, futuras mães!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Cabe aos pais ampliarem o olhar da filha sobre o mundo e as opções de vida. Muitas são as oportunidades que os pais podem incentivar e que não passam, necessariamente, pelo modelo apregoado pela mídia. Como fugir aos ditames do mercado? O desafio é mostrar que o mundo oferece espaço para todo tipo de mulher - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;a questão é expandir o foco, potencializar outras experiências, histórias e trajetórias. A questão é dar suporte às garotas na árdua tarefa de se descobrirem, valorizando singularidades, desejos, habilidades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O complicado nessa história é justamente como provocar a mudança de foco - como reinventar um outro lugar, uma outra lógica nas cabecinhas das meninas e que fuja aos padrões da mulher boazuda e fútil. Quais valores norteiam mulheres como a poeta Adélia Prado? O mundo das artes nos reserva boas saídas. O mundo da criação, da auto-expressão é mágico, delicioso. Nada mais gostoso que se sentir capaz de produzir algo, poder nomear o resultado de um trabalho, sentir-se responsável por um processo criativo, seja ele em que campo for. Criar e fantasiar nos protege da loucura, faz bem à alma, alimenta e estimula o amor próprio. Apostar no talento e na capacidade de nos fazermos respeitadas e reconhecidas pelo que produzimos, é mais seguro que apostar apenas num belo corpo, frágil e efêmero. Além de mais nobre, bonito e merecedor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6905467659047468843?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6905467659047468843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6905467659047468843&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6905467659047468843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6905467659047468843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/04/educando-meninas.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Educando meninas&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAK1MBhdL0I/AAAAAAAAAMM/my5ykwifljg/s72-c/meninas0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6408730871255820621</id><published>2008-04-11T15:26:00.008-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:19.058-02:00</updated><title type='text'>Sindrome de Down e a angústia do pai</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAKxgBhdLuI/AAAAAAAAALc/fZu8qQWViLU/s1600-h/caminhos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188904884406922978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAKxgBhdLuI/AAAAAAAAALc/fZu8qQWViLU/s320/caminhos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;“A idéia – ou a esperança de que a criança vai morrer logo tranqüilizou-o secretamente. Jamais partilhou com a mulher a revelação libertadora. Numa das fantasias recorrentes, abraça-a e consola-a da morte trágica do filho, depois de uma febre fulminante”. Cristóvão Tezza, em O filho eterno, - romance com toque auto-biográfico de intensa beleza, sensibilidade e coragem - descreve a experiência de ser pai de uma criança com síndrome de Down, expondo as dificuldades em aceitar e assimilar tal realidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O homem dotado de capacidade de expressão, manejo nas palavras e no sentir, quando tocado nos subterrâneos da alma, produz coisas lindas e que dignificam a condição humana. Os fracassos são para ser explorados, vivenciados, ressignificados. Depois que fazemos a travessia, depois que enfrentamos o real que nos enoda e nos joga no limite de nossa capacidade de suportar a dor, transformamos a vergonha em arte, literatura. Ficamos forte e, redimidos, destemidos, damos ao significante o salto necessário. Saber ultrapassar os limites que, à primeira vista, escondemos, é sinal de nobreza no trato do sofrimento. Para o autor, “O fracasso é coisa nossa, os pássaros sem asas que guardamos em gaiolas metafísicas, para de algum modo reconhecer nossa medida”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Cristóvão abre um debate franco e corajoso sobre a miséria humana, desmistificando imagens e vaidades ao revelar as fragilidades e imperfeições da existência humana. Sempre vamos ter que nos haver com errâncias da vida, seja por meio de um filho que nos chega com alguma deficiência ou certa dificuldade, ou por algo que em nós fraqueja. Contudo, o melhor é fazer como o autor - transformar a lama em ouro, preciosidade literária, artística. Sublimar - conferir à vida que malogra o estatuto de sublime exige coragem moral. Do sofrimento nascem belezuras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Muitos pais procuram disfarçar a deficiência de um filho, tentam dissimular, esconder o desconforto e a vergonha de expor ao mundo o lado da vida que não saiu como desejavam. A tendência em esconder do mundo feridas e fracassos atribuímos à sociedade da perfectibilidade – uma cultura que não vê com bons olhos os defeitos e as diferenças. Somos treinados para aplaudir o bonito, o rico, o bem sucedido. O vencedor é sempre merecedor de palmas, pouco importa os meios utilizados para lá chegar. A vida que cultuamos é a que promete avanços e projeções. Ser bem sucedido significa ser portador de uma boa imagem, causar frisson, atrair holofotes, mesmo que seja sem fazer esforço, ou fazer por merecer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O objetivo não é culpar os pais pela falta de habilidade em enfrentar esse mundo cada vez mais competitivo, em que as regras de mercado são violentas, rígidas e cruéis, mas contribuir no enfrentamento do problema. Quando os pais abrem o coração e aceitam falar, expor as angústias, raivas e pesares pelo que a vida lhes impôs de sacrifício, já é um bom caminho. Cristóvão, ao deixar-se deslizar pela angústia da qual foi tomado quando se viu pai de um filho com síndrome de Down, lança um novo olhar aos pais de crianças deficientes, tanto aos que julgam tal destino maldito, como aos que, por compaixão, os superprotegem. O melhor é achar uma forma de tratá-los com naturalidade, sem culpa e pena: “Quanto mais no chão ficar, melhor. Lembrava sempre de uma observação da clínica: freqüentemente os filhos dos pobres têm muito mais coordenação motora, agilidade, maturidade neurológica que os filhos dos ricos; a mãe pobre põe o filho no chão e vai lavar roupa, fazer comida, trabalhar – a criança que se vire. A mãe rica dispõe de colos generosos e perfumados, proteções de todo tipo contra o terror de infecção, babás cuidadosas, cintos de segurança, carrinhos, andadores com almofadas”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6408730871255820621?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6408730871255820621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6408730871255820621&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6408730871255820621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6408730871255820621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/04/sindrome-de-down-e-angstia-do-pai.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Sindrome de Down e a angústia do pai&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/SAKxgBhdLuI/AAAAAAAAALc/fZu8qQWViLU/s72-c/caminhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3541774767436509987</id><published>2008-03-25T13:11:00.009-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:19.364-02:00</updated><title type='text'>Ética na mamadeira</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R-knYTtSg0I/AAAAAAAAAK8/79J9IL51iK8/s1600-h/etica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181716144827040578" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R-knYTtSg0I/AAAAAAAAAK8/79J9IL51iK8/s320/etica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O garoto chega em casa com um celular diferente, a mãe logo pergunta a quem pertence. Responde que um colega o emprestara. No dia seguinte, na escola, um aluno denuncia que seu celular foi roubado. O garoto, temeroso, não assume o ato mais tarde desvendado por um colega que acabou relatando-o à coordenação. A família, querendo poupar o filho da vergonha de ter de se desculpar, transfere-o de escola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;É assim que se perde uma boa oportunidade para ensinar o que é ética. É assim que muitas famílias podem produzir um delinqüente ou criminoso. Errar é humano, contudo não submeter o infrator à correção e punição é eternizar o sujeito em atos perversos, fora da lei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Muitas escolas estão apavoradas. Não conseguem impor disciplina e limites na moçada. Os alunos estão cada vez mais desinteressados, distantes e desconectados do mundo da ética e da solidariedade. O que deixa professores e pais incomodados é a falta de educação de alguns jovens. Muitos são espaçosos e cara-de-pau, não respeitam o desejo do outro - o dele sempre é mais importante, imperativo e urgente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Ética passa pela alteridade, é quando o outro entra em cena. Para que a ética prevaleça numa comunidade, ela tem que conferir sentido. Onde está o sentido de se viver numa sociedade cada vez mais desleal, individualista e competitiva? A educação, quando centra apenas em interesses privados, descaracteriza interesses como solidariedade, honestidade e amizade, colocando em risco a vida na sociedade. Educação só se transmite com convicção, quando a maioria está convencida que priorizar o bem viver, a boa convivência - o respeito ao outro e à comunidade são valores supremos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Cinismo é não assumir o erro e ainda querer dele tirar alguma vantagem. No Brasil do jeitinho está cada dia mais difícil cobrar da moçada ética e cidadania, uma vez que os exemplos que dominam o cenário político são os piores. Quando os pais reprovam a escola por aplicar sansão num aluno, eles contribuem para a formação de um contraventor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A contravenção dos jovens deflagra a cultura perversa que sustenta o imaginário do brasileiro – as contravenções sociais dos políticos e dos pais desobrigam-nos de respeitarem as regras da boa convivência. Viver com o outro exige aprendizado, implica cumplicidade, desejo de compartilhar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A crise de autoridade que vivemos denuncia uma falha no imaginário de pai. Qual a representação de autoridade que os filhos constroem ao ver um pai acobertando falcatruas? O pacto social é efeito do pacto edípico - a criança aprende em casa a suportar a frustração e renunciar ao desejo, como a obedecer aos limites e as leis que a vida nos impõe. Cabe à família inserir a criança na cultura, nas regras sociais. Sem a passagem da lei do desejo para a lei da sociedade, dificilmente vamos conseguir viver de forma civilizada. Hoje, com a maioria dos lares monoparentais – quando um dos pais é quem assume a responsabilidade pela educação - impor a lei, apontar os limites aos filhos tornou-se um desafio. Além de sobrecarregar aquele que exerce a função paterna, propicia que este atue de forma permissiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Na cultura narcísica e competitiva, a ética tende a se afrouxar. Nas famílias atuais, salve-se quem puder - a menos que os pais incluam, na mamadeira do filho, ética todo dia. Primeiro passo para um Brasil mais solidário, menos corrupto e violento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3541774767436509987?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3541774767436509987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3541774767436509987&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3541774767436509987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3541774767436509987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/03/tica-na-mamadeira.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Ética na mamadeira&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R-knYTtSg0I/AAAAAAAAAK8/79J9IL51iK8/s72-c/etica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3626240437806922340</id><published>2008-03-24T17:08:00.006-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:19.562-02:00</updated><title type='text'>Preconceito e intolerância</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R-gKuTtSgwI/AAAAAAAAAKc/ZkqEkPZIY1Q/s1600-h/preconceito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181403161970246402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R-gKuTtSgwI/AAAAAAAAAKc/ZkqEkPZIY1Q/s200/preconceito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Gays espancados na UFRJ e na UFMA. Casal de homossexuais feminino agredido pelo segurança na USP. Professor negro barrado ao entrar num evento em um clube de elite em BH. Prostitutas e empregadas domésticas espancadas por jovens da Barra da Tijuca no Rio. Índio queimado por jovens de classe média alta de Brasília. Casos relatados pela mídia que envolvem racismo, intolerância, homofobia e revelam uma sociedade que se sente no direito de agredir o outro, o diferente. Neonazistas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde parte tanto ódio, tanta falta de respeito pelo negro, pobre ou homossexual? O preconceito é uma ideologia, uma visão de mundo que vamos adquirindo desde pequenos. Ninguém nasce preconceituoso. Uma criança educada dentro de valores éticos, cristãos, onde todos são iguais perante Deus e a lei (pelo menos é assim que nos reza a Bíblia), tende a crescer não se julgando melhor e no direito de ser violento com aquele que o desagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao debatermos a gênese do racismo e do preconceito no Brasil, é bom lembrarmos que somos filhos da colonização, crescemos meio a escravos sendo mal tratados, espancados. Exibir quantos escravos possuía, era sinal de riqueza. O luxo e o supérfluo seguidos de ostentação, certo perfume de classe, integravam o cotidiano do homem moderno. Ser importante era exibir uma posição, gozar de privilégios, sustentar uma superioridade econômica, social ou étnica, tal como hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior índice de jovens que demonstraram intolerância e preconceito contra os homossexuais foram detectados entre os alunos do curso de direito da UFRJ (Revista Megazine - O Globo - 19/02/08). Em pleno século 21, muitas famílias criam os filhos cultuando a crença na eugenia - supremacia de um povo sobre o outro. É lamentável constatar que a humanidade, e neste particular o brasileiro, recua alguns passos atrás ao jogar na sociedade jovens preconceituosos, racistas ou homófobos - futuros advogados e juízes preconceituosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante mudarmos a postura diante dos filhos, abrindo espaços, rompendo fronteiras, preconceitos e discriminações. Erradicar feridas que mancharam a história de muitas nações. Conversar com eles sobre racismo, homofobia, neonazismo. Compreender que um artista pode ser tão honroso quanto um engenheiro ou médico. Há pais que não toleram que o filho demonstre interesse por atividades que não estejam inscritas no mundo masculino como futebol, judô, basquete. Em muitos lares, em plena era tecnológica, quando a informação corre mundo, muitos pais se julgam no direito de interferirem na subjetividade do filho, impondo escolhas, interesses e desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jovem pode perfeitamente ser feliz sendo homossexual ou exercendo atividades que ainda pertencem ao imaginário feminino, como bailarino, cozinheiro – aliás, profissão que está na moda e valorizadíssima. Importa que ele seja feliz, profissional ético e escrupuloso. Contudo, é sempre bom lembrar que “o moralista condena para se absolver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe não somente à família mas também às escolas trabalhar com a diversidade, incentivar a convivência com o diferente, criar atividades que envolvem um maior número de grupos de diversas etnias e classes sociais, desenvolvendo a tolerância e a convivência com o outro, o não igual. Afinal, ser diferente não significa ser doente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3626240437806922340?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3626240437806922340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3626240437806922340&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3626240437806922340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3626240437806922340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/03/hr-size5-width100preconceito-e.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Preconceito e intolerância&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R-gKuTtSgwI/AAAAAAAAAKc/ZkqEkPZIY1Q/s72-c/preconceito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5206792635036608870</id><published>2008-03-07T15:11:00.011-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:19.881-02:00</updated><title type='text'>Vigilância e irresponsabilidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R9GHzzvWCvI/AAAAAAAAAJ8/Tox-QjW-ImU/s1600-h/olhares.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175066770957273842" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R9GHzzvWCvI/AAAAAAAAAJ8/Tox-QjW-ImU/s200/olhares.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A escola, preocupada em manter a disciplina, decide instalar câmeras nas salas de aula e conta com a aprovação da maioria dos pais. Pela internet, podem espiar os filhos. A intenção é boa, uma vez que escolas e pais, hoje, lutam para que a moçadinha contenha a faina, se acalme e estude. Mas esse é o melhor caminho para a formação do sujeito autônomo e consciente de seus atos? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A educação disciplinar do século XVIII vigiava e punia. Jeremy Bentham a descreveu em O panopticon onde analisa o mecanismo de controle apregoado pelas escolas, hospitais e prisões – modelo arquitetônico que possibilitava uma visão panorâmica. Michel Foucault, em Vigiar e Punir, retoma a questão e nos alerta sobre o olhar do poder e seus dispositivos de controle, quando a biopolítica, por meio do saber/poder, disseminou-se nas instituições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;O mundo escolar seguiu o modelo disciplinar do mundo industrial, coibindo e educando para a produtividade e rentabilidade. Contudo, quando instaura-se um clima de desconfiança, sofisticam-se os métodos disciplinares, dominando desejos e pulsões. A perfeição da vigilância tornou-se uma soma de malevolências.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Se o mercado de trabalho na atualidade exige, cada vez mais, indivíduos criativos e autônomos, que tenham iniciativa e que busquem saídas para situações inéditas, colocadas pela globalização e pelas novas tecnologias, como concordar com tamanha tutela? Uma criança, para desenvolver o senso crítico e a autonomia, deve, desde cedo, aprender a responder pelos seus atos. Responsabilidade é isso – assumir os erros, reconhecer as falhas sem se envergonhar e enfrentar os fracassos que fazem parte do processo de maturidade e crescimento do ser humano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;É compreensível os pais ansiarem pela segurança dos filhos, como também desejarem ampliar os dispositivos de controle e proteção sobre eles. Medidas que propiciam certo conforto interno, sensação de missão cumprida, alívio diante da culpa que muitos carregam pela falta de tempo e dedicação, ou pelo excesso de permissividade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, para conhecermos melhor os alunos é necessário espionagem? Como operar na formação de cidadãos conscientes, autônomos? Autonomia - ato de falar por si, responder pelos atos - fruto de um processo de idas e vindas, conversas e combinados, erros e acertos. Querer obter de forma precisa e rápida um relatório de conduta de um filho, nos lembra ações de polícias e de governos totalitários. Há formas menos invasivas e paranóicas de conhecer o mundo em que as crianças vivem. Não podemos aplicar nos filhos métodos opressivos que não gostaríamos para nós e que ferem a privacidade. É claro que cabe aos pais e educadores lançarem mão de normas disciplinares. Educar é uma prática social na qual se deve, desde cedo, inserir as crianças. A melhor forma de ensinar é por meio de exemplos - transmitindo nas atitudes valores e concepções de mundo que irão se perdurar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando agimos de forma inadequada, tal postura poderá repercutir na vida dos jovens, interferindo e influenciando-os. Contudo, não podemos incentivar ações que ferem o Estado de direito, a liberdade de escolha e de defesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;E por mais que pais e escolas queiram monitorar cada passo dos filhos, será impossível. O importante é construir uma relação de confiança, fomentando o senso de responsabilidade, levando-os a responderem pelas atitudes e escolhas. Inevitavelmente, aprendizagem implica em fracassos, atos impensados que fazem parte do processo de maturidade - sem os quais eles poderão prolongar-se em atitudes infantilizadas e inconseqüentes. Educar para a autonomia e a maturidade convoca o olhar do outro, que deve ser de confiança, reconhecimento, aposta na capacidade do indivíduo se assumir enquanto sujeito desejante. É quando aprendemos a nos ver como sujeitos de nossos atos, assumindo-nos. Percurso que nos desvencilhará dos temores, e nos ajudará a admitir os erros e a sonhar com os acertos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Estamos diante de um paradoxo – a sociedade tornou-se vítima da falta de lei aos jovens? A permissividade em excesso atropela e compromete a liberdade individual, perdurando condutas infantilizadas e irresponsáveis? Questões a se pensar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5206792635036608870?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5206792635036608870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5206792635036608870&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5206792635036608870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5206792635036608870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/03/vigilncia-e-irresponsabilidade.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Vigilância e irresponsabilidade&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R9GHzzvWCvI/AAAAAAAAAJ8/Tox-QjW-ImU/s72-c/olhares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6279275623996705241</id><published>2008-02-28T16:22:00.007-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:20.057-02:00</updated><title type='text'>O Tempo no amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R8cOasJWJSI/AAAAAAAAAJY/1dQFj7RP6BU/s1600-h/amor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172118548748051746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R8cOasJWJSI/AAAAAAAAAJY/1dQFj7RP6BU/s200/amor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Quem conduz o tempo no amor é o desejo. Para que uma relação amorosa aconteça é necessário que os envolvidos estejam desejosos do amor. O amor, como a vida, requer boa vontade para deslizar, fluir. Amar é escorregar, despencar sentimentos. Aspirar ao amor é preparar a alma para que ele entre e se instale como hóspede esperado, aguardado. Significa colocar-se disponível para uma experiência em construção - que implica paciência, trabalho. Implicar no amor é cuidar, lutar para que a relação se amplie, desenvolva e produza bons momentos. Felicidade a dois, mais que mistério e presente divino, é experiência que exige envolvimento de ambas as partes. Contudo, é muito importante que os interessados no amor tenham tempo para ele, tempo para esperá-lo crescer, amadurecer, acontecer. O amor é como um relógio que pára, anda para trás e depois volta a funcionar. O tempo no amor é um tempo sem tempo, um outro tempo diferente do tempo do trabalho, da produção. Amar é dar corda no relógio (do amor), cujas batidas saem do coração. O amor é lento, preguiçoso - ele vai, volta e segue a lógica da fantasia, que quase sempre é sem lógica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;No filme O amor nos tempos do cólera, Florentino Ariza espera 50 anos para concretizar seu sonho – levar para a cama a bela Fermina Daza – paixão que cultivou durante toda a sua vida. Quando, finalmente, os dois se viram livres e desimpedidos para assumirem o amor ao qual estavam condenados, quando o grande encontro se realiza, o tempo pára, hasteiam-se as bandeiras, o barco desce o rio num percurso diferente, sem paradas. O grande personagem da viagem não era mais a mercadoria - o econômico tornou-se secundário. Se para o capitalismo, tempo é dinheiro, para o amor não há dinheiro que compre o tempo de amar, tempo precioso, guloso – no amor, todo tempo é pouco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Já o tempo no amor cibernético, amor velocidade, tecnológico, é mínimo. O amor com tempo corrido é amor também mínimo, minguado, nanico, miúdo. Hoje a moda é ficar pouco tempo com o outro, tempo apenas para explorar seu corpo, extrair alguns minutos de prazer. Enquanto Florentino esperava Fermina, ele ficou com várias mulheres, soube viver os prazeres do sexo, mas nada que pudesse comparar com o êxtase da noite em que conduziu Fermina ao leito do amor. Acredito que o feito maior do romance de Gabriel Garcia Márquez, e que Mike Newell transportou para o cinema, foi ter transformado o amor num acontecimento épico, verdadeira epifania. O amor nos tempos do cólera é uma ópera ao amor. Ele deixa de ser um encontro entre duas pessoas para se afirmar como um fundamentalismo afetivo, amoroso - algo que funda o sentido da vida e reforça a crença no humano. Talvez o único fundamentalismo aceitável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Garcia Márquez homenageou os que reverenciam o amor e que a ele dedicam suas vidas. Sem convicção dificilmente vamos saber o que é o amor, tampouco correr o risco de sermos contaminados por sua magia. Eis um filme que enaltece a sabedoria dos amantes - aqueles que transformam a experiência do amor num plano de metas, numa agenda íntima. Cultivar o orgasmo como metáfora de vida - acreditar nos insights que emergem da alma é mais que arte, é surfar no tempo do coração - e que só faz bem às coronárias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O Tempo no amor deve ser uma criação entre enamorados, diferente da corrida frenética ao prazer fugaz, amor fast food, que mais machuca que ajuda. Talvez o amor banal dos tempos de agora explica o aumento da depressão entre as garotas. Sem se sentirem desejadas, amadas e reconhecidas, caem no desalento. Pura devastação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6279275623996705241?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6279275623996705241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6279275623996705241&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6279275623996705241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6279275623996705241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/02/o-tempo-no-amor.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;O Tempo no amor&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R8cOasJWJSI/AAAAAAAAAJY/1dQFj7RP6BU/s72-c/amor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-4277822979316844631</id><published>2008-02-19T14:25:00.028-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:20.215-02:00</updated><title type='text'>Crianças sobrecarregadas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R7sRgMJWJOI/AAAAAAAAAI4/P-86Tjp_bJg/s1600-h/agenda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168744242051687650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R7sRgMJWJOI/AAAAAAAAAI4/P-86Tjp_bJg/s320/agenda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O garoto chorava todos os dias antes de ir para o judô. A mãe, convencida de que esta era a atividade ideal para ele, avaliou o comportamento como manha, birra de criança. Certo dia, conversando com o professor, este a aconselhou suspender e tentar descobrir qual esporte ele mais se identificaria. E aproveitou para reforçar que cada criança é única, com escolhas distintas das outras, portanto, o melhor é não forçar, caso a atividade não esteja fazendo bem ou trazendo alegria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É compreensível os pais quererem ocupar os dias dos filhos com atividades extras escolares. A maioria das famílias mora em apartamentos sem uma área de lazer e não contam com profissionais qualificados para cuidarem das crianças. Para muitos pais, ocupar o filho significa tranqüilidade, segurança - a certeza de que ele não está na rua, tampouco em casa assistindo a programas inadequados à sua idade, ou diante de um computador. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; infância é uma etapa da vida em que a criança inicia-se como pessoa, é quando ela começa a construir-se internamente, se descobrindo e se fazendo nas brincadeiras e vivências lúdicas. É muito importante incluir nas agendas infantis o brincar. É através das brincadeiras que a criança desenvolve o potencial criativo. Brincar, fantasiar, criar – experiências que propiciam o contato do sujeito com sua interioridade. Num processo criativo, a criança desenvolve a sexualidade e adquire maturidade emocional. Brincar é criar com a fantasia, colocá-la na ação. E a criação é uma das coisas que certifica que a vida vale a pena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Criança feliz é aquela que, desde pequena, se reconhece naquilo que faz. Nada mais entediante que executar tarefa que não nos diz respeito. Mais importante que preencher o dia do filho, é os pais, juntos a ele, escolher atividades que lhe propiciam  satisfação, respeitando singularidades, interesses. Criança feliz é mais importante que criança atarefada, sobrecarregada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A quem interessa uma agenda infantil cheia e sem tempo para desfrutar das delícias de ser criança? Cabe aos pais e educadores refletirem, questionando os excessos de atividades a que muitas crianças estão submetidas. A necessidade dos pais em tamponarem todo o tempo livre do filho não reflete uma resistência ou dificuldade destes em se ocuparem dos mesmos? Lembramos que nenhum esporte, nenhuma dança irá substituir o contato da criança com os pais. O tempo de convívio dos pais com os filhos é fundamental e irreversível. Para tanto, a família deve incluir na agenda conversas, leituras e brincadeiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A sociedade de consumo, midiática, tende a copiar estilos, levando o indivíduo a esquecer que cada qual deve construir o seu. Viver é mais que cumprir um plano de metas, rígido e burocrático. O cotidiano urbano, frenético e turbulento, muitas vezes impede que o sujeito se reconheça nos intervalos, nas hiâncias. É quando algo falha que o sujeito emerge - quando paramos para pensar e nos reinventar. Somos contaminados por uma multidão de aspectos e experiências culturais que cercam a vida, cujo desafio consiste em saber identificar o traço, aquilo que nos diferencia dos demais. Para Freud: “Não existe uma chave de ouro que sirva a todos, cada qual terá que descobrir, à sua maneira, como se salvar”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A questão não está em quantas atividades matricular o filho, se ele deve fazer ou não judô, mas em saber equacionar a atividade com o desejo da criança, respeitando seu estilo, suas afinidades. Somente assim ela irá entrar em contato com o fogo interno, desejo incendiário que produz belezuras. Para Montaine, filósofo francês: “Instruir uma criança não é como encher um vaso, é como acender uma fogueira”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-4277822979316844631?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/4277822979316844631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=4277822979316844631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4277822979316844631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/4277822979316844631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/02/crianas-sobrecarregadas.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Crianças sobrecarregadas&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R7sRgMJWJOI/AAAAAAAAAI4/P-86Tjp_bJg/s72-c/agenda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-5174851638662058266</id><published>2008-02-19T14:15:00.009-03:00</published><updated>2008-12-10T21:47:20.355-02:00</updated><title type='text'>Criança hiperativa ou estimulada?</title><content type='html'>&lt;hr size=5 width=100%&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R7sPxsJWJNI/AAAAAAAAAIw/mSdLfjPBcxM/s1600-h/hiper.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168742343676142802" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R7sPxsJWJNI/AAAAAAAAAIw/mSdLfjPBcxM/s320/hiper.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma mãe chega ao consultório preocupada com o descentramento do filho - dificuldade em se concentrar, agitado e com fraco desempenho na escola. Sintomas que a conduziram ao médico que o diagnosticou de TDAH (Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). O objetivo, neste particular, não é julgar o diagnóstico em si, mas refletir sobre os fatores que podem favorecer a falta de atenção e o excesso de ansiedade nas crianças atuais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O mundo está cada vez mais inseguro e violento. Boa parte da população vive estressada e insatisfeita. A insatisfação, como a frustração, gera angústia e ansiedade. Ansiedade aponta para o medo e a insegurança. Nos lares contemporâneos nem sempre há um clima onde crianças possam transitar e brincar de forma tranqüila – explorando interesses e desejos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O ato de brincar requer envolvimento - é mergulho na fantasia. Fantasiar e brincar são complementares e estruturantes do sujeito, requer ambiente propício para que a criatividade se opere e promova a sexualidade e o desenvolvimento psíquico. Num ambiente tenso, barulhento e desarmônico entre pais e filhos, de desrespeito e desacato às ordens familiares, dificilmente as crianças crescem e se desenvolvem de forma equilibrada, serena. A chance do descompasso dos pais refletirem nos filhos é grande - muitos dormem e acordam ao som da TV ou de músicas barulhentas. Não é por acaso que Bach, Beethoven e Mozart não são mais tão apreciados. Vivemos a república do entretenimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No Brasil, os pais contam com uma sociedade de mercado truculenta, uma TV mal regulamentada. É na lógica da cultura e do consumo de massa que as famílias estão inseridas. Muitas crianças crescem expostas aos modismos, circulando pelos shoppings, distantes de uma proposta de civilização. Toda família deve ter uma proposta clara para nela apoiar a educação dos filhos. Educar é uma arte - requer sabedoria, paciência e implicação. Se implicar é quando os pais se convencem da importância, para a criança, de uma educação orientada e regulamentada. Pais comprometidos com o futuro do filho e sua felicidade não medem esforços em decidir: qual escola matricular, amizades incentivar, alimentos oferecer, programas de TV assistir. Quais atividades lúdicas e de lazer propor aos filhos é desafio que a sociedade de mercado nos coloca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Educar é também ampliar as oportunidades de expansão da criança no mundo, promovendo seu desenvolvimento intelectual e psíquico como: literatura, teatro, museus, concertos e shows. Cabe aos pais se informarem para, com sabedoria, ter clareza em que mundo pretende inserir o filho – em quais valores gostariam de formá-lo. Pais aflitos e estressados, filhos hiperativos, irrequietos e sem lugar. Talvez a TDAH (Déficit de atenção com hiperatividade), tão em moda nos dias atuais, não passa, na maioria das vezes, de um sintoma da sociedade de consumo, violenta e estressada. Lares desorientados, barulhentos, alunos possivelmente indisciplinados e irrequietos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não exista até o momento uma causa específica no diagnóstico da TDAH, há uma tendência em atribuir às lesões neurológicas, desconsiderando as questões emocionais que podem provocar um desconforto, culminando em inquietação, agitação. A mania phármakon revela uma tendência do uso abusivo de medicalização. Sintomas como tristeza, muitas vezes é diagnosticado como depressão, enquanto outros como ansiedade, aflição, acabam sendo rotulados de hiperatividade. Muitos pais, influenciados pela ambição psicofamacológica e aflitos em nomear e aliviar o sofrimento, acabam pressionando os médicos por um diagnóstico rápido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Que tal os lares promoverem experiências que privilegiam e viabilizam a concentração? Com certeza, as crianças, mais tranqüilas, se iniciariam em brincadeiras, mergulhariam em fantasias, embaladas em devaneios e viagens edificantes. Contudo, lembramos que a infância é uma fase em que os baixinhos estão expostos a muitos estímulos e se excitando diante de situações diversas. Criança estimulada dificilmente consegue ficar parada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-5174851638662058266?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/5174851638662058266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=5174851638662058266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5174851638662058266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/5174851638662058266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/02/criana-hiperativa-ou-estimulada.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Criança hiperativa ou estimulada?'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R7sPxsJWJNI/AAAAAAAAAIw/mSdLfjPBcxM/s72-c/hiper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-3527609634880182681</id><published>2008-01-29T16:32:00.005-02:00</published><updated>2008-12-10T21:47:20.464-02:00</updated><title type='text'>Carnaval, mídia e gravidez precoce</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R59xm5_HOXI/AAAAAAAAAIY/oMNdqWqBhYQ/s1600-h/camisa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160968611204381042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R59xm5_HOXI/AAAAAAAAAIY/oMNdqWqBhYQ/s320/camisa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A campanha do carnaval de 2008, veiculada pelo Ministério da Saúde e espalhada pelo país em outdoors, exibe a seguinte mensagem: Quem é bom de cama usa camisinha. E pergunta: Qual é a sua atitude na luta contra a aids? Será essa a melhor forma de prevenção da aids?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;As libidos estão correndo soltas, livres e sem censura. A permissividade está na moda. Incentivar o sexo, precocemente, tornou-se palavra de ordem. O que esperar de um país que convoca, sem critérios, jovens e adolescentes a irem para a cama? O carnaval não deveria ser divulgado mais como uma festa nacional e menos como incentivos às vivências sexuais, antecipando impulsos e desejos?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Não há aí um deslocamento, um equívoco conceitual? Um trabalho sério de prevenção não deveria ocupar, durante todo o ano, as agendas familiares, escolares e governamentais, e não bombardear cabeças apenas em época de festas e carnavais?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Parece que a nova ordem sexual chegou para ficar. Por que, no Brasil, a gravidez precoce aumentou tanto entre as adolescentes? Entre os fatores que contribuem para a antecipação da menarca (primeira menstruação) - porta que se abre para o início da vida sexual - destacam-se os culturais, os relacionados ao estilo de vida e consumo, que sexualiza e influencia a garotada do mundo moderno.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Viver sobre a égide da mídia é desafio. A vida humana não pode ser conduzida e influenciada por frases descabidas. As palavras atuam como significantes e contaminam o inconsciente, produzindo efeitos. Uma criança que lê mensagens como essa do carnaval, está exposta a temas não adequados à sua idade e que podem ser deletérios - sofre estímulos que desencadeiam um processo de erotização precoce, que, consequentemente, culminam em distúrbios hormonais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A sexualidade humana inicia-se desde que nascemos. É um processo longo, percurso que outrora era cheio de rituais e magias. Os encontros iniciavam-se entre olhares cobiçosos, depois, a aproximação, o namoro e o primeiro beijo. Hoje, a pressa moderna atropela e simplifica gestos e rituais que sacralizam o encontro sexual e afetivo, banalizando emoções e sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Acreditamos que deve ter pouca coisa pior para uma adolescente do que se ver grávida. A experiência da maternidade exige preparo, é coisa para mulher madura, uma vez que implica dedicação e muito trabalho. Mas não podemos cobrar isso de uma garota.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A gravidez precoce evidencia a dificuldade dos pais em orientar e impor limites às filhas e filhos. A permissividade está por toda parte - na Lan House, em nossa TV que segue pouco regulamentada, em propagandas que estimulam consumos e excessos. Poucos conseguem segurar essa turminha que cresceu se erotizando em programas televisivos, conversas e bonecas como Barbie, que fazem alusões a namoros e baladas - banalizando e incentivando a prática sexual fora de hora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Acreditamos que esse tema deve fazer parte das agendas dos pais, educadores e governo, uma vez que não estaremos imunes, seguros e protegidos de mais este problemão que o mundo da mídia, do entretenimento e do consumo nos envolveu. Saídas exigem posições firmes da família e de políticas públicas. Posições que devem contaminar a população, cobrando do estado maior regulamentação dos meios de comunicação de massa e habilidade na condução das campanhas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-3527609634880182681?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/3527609634880182681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=3527609634880182681&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3527609634880182681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/3527609634880182681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/01/carnaval-mdia-e-gravidez-precoce.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Carnaval, mídia e gravidez precoce&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R59xm5_HOXI/AAAAAAAAAIY/oMNdqWqBhYQ/s72-c/camisa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6170907687222926145</id><published>2008-01-29T16:28:00.002-02:00</published><updated>2008-12-10T21:47:20.489-02:00</updated><title type='text'>Pais e namoros</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R6yrrJ_HOZI/AAAAAAAAAIo/KOHnmdvYdgs/s1600-h/parceiros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164691630590474642" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R6yrrJ_HOZI/AAAAAAAAAIo/KOHnmdvYdgs/s320/parceiros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O garoto acordou e lá estava um sujeito que ele nunca viu, saindo do quarto da mãe. Com apenas dez anos, ele já trombou com vários namorados ou “casos” dela. O garoto passou a manifestar seu descontentamento de forma agressiva, irritado e chorão - sempre rejeitando os habitantes esporádicos que passavam pela casa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Nessa história, temos uma criança à mercê da inconseqüência e da falta de habilidade de uma mãe. Com os recasamentos, cabe aos pais, e neste particular à mãe, saber como administrar melhor a vida afetiva. Geralmente, toda criança que vive a separação dos pais, sofre com a ausência daquele que se mudou. E acaba por criar expectativa numa relação afetiva mais duradoura com os aspirantes a padrasto ou madrasta. Além de gerar frustração, a mãe, que expõe suas relações afetivas ao filho de forma pouco criteriosa, corre o risco de perder a autoridade para com ele – instala-se um clima de que aquela é uma casa livre, onde tudo é permitido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A sociedade atual convencionou julgar normal atos que antes eram considerados sacrilégios. A questão é saber usar o bom senso, saber avaliar cada caso - será que toda parada amorosa merece ser apresentada ao filho? Não seria mais seguro esperar, sentir a situação ao invés de expor o filho a tantos rodízios afetivos?&lt;br /&gt;Tal fato nos leva a reflexões - por que o imaginário social que o mundo cultiva do Brasil é de paraíso sexual, bordel do mundo, destino de turistas sexuais que aqui aterrizam em busca de orgias? País em que mais de um milhão de adolescentes engravidam por ano, e muitas se portam como disponíveis para aventuras sexuais?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A liberdade sexual é incentivada pela indústria do sexo, que o expõe sem descanso. A mídia incita a volúpia todo o tempo. Sexo vende de cerveja a imóvel. As mulheres são convocadas a serem sexy o tempo todo. No cabaré tropical, todos se unem em torno da promoção erótica, prometendo gozo e vendendo um imaginário de prazer infinito. A onda do “liberou geral” apregoa o fim da censura, herança de uma luta por liberdade que nos viciou nos excessos, quando os estudantes no maio de 68 reivindicavam meio a slogans: “Sejamos razoáveis, exijamos o impossível”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;É verdade que tivemos avanços com a revolução sexual. As mulheres podem ter prazer sem engravidarem, escolher os parceiros e quantos filhos ter, ou separar-se quando infelizes. Os homens não precisam mais pagar para fazerem sexo. Contudo, os pais não precisam jogar no lixo a responsabilidade, o bom senso e a lucidez. É possível conjugar vida pessoal sem causar devastação na família. Moralismos à parte, a questão é que tudo que restringe e limita as formas de viver o prazer, soa como careta, ultrapassado, retrógrado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Muitos se esquecem que o processo educativo inclui ritos de passagens que não devem ser atropelados. A festa dos 15 anos, por exemplo, tinha a função de inserir a garota na sociedade, marcando esta etapa da vida. Hoje, debutar, socializar e integrar-se entre os jovens, já não faz sentido, elas iniciam-se muito antes. É importante ficarmos atentos à tendência apressada e frenética ao gozo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Cabe aos pais mostrar que a vida é muito mais que romances e baladas. Educar implica em ajudar o filho a construir saídas para as angústias, saber enfrentar as obrigações, frustrações e adversidades que a vida nos impõe – aspectos desagradáveis, contudo necessários no processo de formação de uma criança. E nada mais eficaz que exemplos, funcionam melhor que duras palavras. Saber viver os impulsos e conquistar os momentos de prazer requer sabedoria. Mais um desafio aos pais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-6170907687222926145?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/6170907687222926145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=6170907687222926145&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6170907687222926145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/6170907687222926145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/01/pais-e-namoros.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Pais e namoros&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R6yrrJ_HOZI/AAAAAAAAAIo/KOHnmdvYdgs/s72-c/parceiros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-7295090793603308447</id><published>2008-01-08T15:55:00.002-02:00</published><updated>2008-12-10T21:47:20.663-02:00</updated><title type='text'>Humanidade que vem dos livros</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R4O5aWqqvQI/AAAAAAAAAII/TYntHcCSUaY/s1600-h/LER.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153166261054258434" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R4O5aWqqvQI/AAAAAAAAAII/TYntHcCSUaY/s320/LER.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Segundo pesquisa internacional sobre “hábito de ler”, o Brasil está entre os países onde menos se lê. Contudo, chamamos a atenção para a importância, de habituarmos os baixinhos na prática da leitura a despeito de tornarmos uma população que só entende o que ouve, e não entende o que lê. Fato que revela que a presença intelectual da geração “audiovisual” resume-se à audição. É quando o registro psíquico existe para compreender apenas através do som das palavras, comprometendo a compreensão da leitura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O livro conta com vários concorrentes na sociedade multimídia. Tudo em excesso é negativo. O processo de aprendizagem demanda tempo - quando lemos um livro, voltamos às frases, pensamos e digerimos o conteúdo lentamente. O excesso de informação, sem tempo para assimilá-lo, provoca falha cognitiva. Conhecimento é diferente de informação e exige reflexão. Hábito que estamos perdendo. Não existe pensamento sem reflexão e não existe vida inteligente sem o exercício do pensar, elaborar e praticar. Há o tempo de ler, elaborar e concluir, fases que o mundo da tecnologia está desconsiderando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A leitura pode se transformar em opção profissional. O mundo dos livros é lugar de formação. Muitos que hoje ocupam lugar de destaque em seus trabalhos só o conseguiram por que neles se formaram. Quem lê aprende a falar, escrever e pensar. Os grandes revolucionários da história eram ainda jovens quando resolveram fazer de suas causas, a razão de suas vidas. Juventude era sinônimo de idealismo e utopias alimentadas por um imaginário literário. O cenário atual de leitura é virtual e domina os meios de comunicação que exploram essencialmente a imagem. Quando só o imaginário é provocado, geramos uma pobreza no simbólico, revelando uma dificuldade em interpretar textos e elaborar questões - sintoma comum entre os jovens atuais (analfabetismo funcional).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Jorge Luis Borges em Um ensaio autobiográfico, confessa: “Se me pedissem para nomear o acontecimento mais importante de minha vida, eu citaria a biblioteca de meu pai”. Os jovens não precisam começar pelo brilho transcendente shakesperiano, sabemos que Hamlet e Rei Lear são para poucos, tampouco por Guimarães Rosa, mas por que não insistir com Fernando Sabino, Érico Veríssimo ou Adélia Prado?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A literatura humaniza. As palavras se aproximam mais de pessoas que de coisas. Quem lê sofre menos solidão – se encantando e se apaixonando pelos personagens, expandindo os espaços do afeto e tocando o infinito da existência. E descobrindo legiões em si mesmas. O mundo das artes nos reserva surpresas. Entre metáforas, rompemos com a crônica do dia, nua e crua. A sabedoria transcende a objetividade do mundo real e exige consistência interior. A vida das cidades grandes é pouco romântica, falta-lhe entusiasmo. O asfalto tende a endurecer as pessoas, tirando delas a substância poética, secando-lhes as chamas da invenção. Como atesta Rousseau: “Compreendo como os habitantes das cidades têm pouca fé; eles só vêem muros, ruas e crimes”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Sabemos que há várias saídas para o desamparo globalizado que nos atormenta. A filosofia, como a literatura, podem nos ajudar a povoar a alma. O filósofo, em sua paixão incendiária pela transcendência do mundo, consola o coração e serve de guia para a ação. A ausência de vida interior revela desorientação. Que tal incluirmos nos roteiros familiares passeios pelas livrarias? O homem contemporâneo, como o da caverna, contaminou-se numa visão distorcida, fragmentada e empobrecida da existência humana. A sociedade atual, do alto de seu avanço tecnológico, corre o risco de cair num vazio simbólico. E a juventude é o segmento que mais sofre com isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Gilberto Dimenstein informou que, em Bogotá, jovens, ex-integrantes do narcotráfico, guerrilheiros e paramilitares, hoje recuperados e recolocados na sociedade como agentes comunitários, trabalham oferecendo nos sinais informação turística. Alguns portam livros debaixo do braço e oferecem gratuitamente aos cidadãos. O projeto inclui uma biblioteca ambulante “Livros ao vento”. A Colômbia oferece literatura no lugar da arma e da droga. Humanizou-se!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6622628954509418807-7295090793603308447?l=amoresurgentes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/feeds/7295090793603308447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6622628954509418807&amp;postID=7295090793603308447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7295090793603308447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6622628954509418807/posts/default/7295090793603308447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoresurgentes.blogspot.com/2008/01/humanidade-que-vem-dos-livros.html' title='&lt;hr size=5 width=100%&gt;Humanidade que vem dos livros&lt;hr size=5 width=100%&gt;'/><author><name>Amores Urgentes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00293644835178703563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R4O5aWqqvQI/AAAAAAAAAII/TYntHcCSUaY/s72-c/LER.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6622628954509418807.post-6365042760825938114</id><published>2008-01-08T14:45:00.003-02:00</published><updated>2008-12-10T21:47:21.625-02:00</updated><title type='text'>A droga nossa de cada dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R4OxJ2qqvPI/AAAAAAAAAIA/Lc6xqdFn3UU/s1600-h/medida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153157181493394674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_iDLGkv9AVWM/R4OxJ2qqvPI/AAAAAAAAAIA/Lc6xqdFn3UU/s320/medida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Festa sem cerveja não rola. A cerveja é que faz o papo rolar. Sem muita cerveja, a parada caba cedo”. O comentário poderia ser de um adolescente, mas é de um pai. Como as famílias podem cobrar dos jovens hábitos diferentes, quando elas próprias estimulam, cada vez mais cedo, o ingresso dos filhos no mundo do álcool e das drogas?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Brasil é o maior consumidor mundial de anfetaminas. Flávio Madruga, membro da Associação Brasileira de Estudos da Obesidade (Abeso), cita o caso de uma jovem de 19 anos, que tomou por dois meses fórmula à base de anorexígenos e hormônios tireoidianos. Ela queria eliminar oito quilos. Perdeu cinco num mês e teve um surto psicótico. (O Globo, 18/11/07).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estamos nos tornando uma sociedade de toxicômanos? Cerveja, anfetamina e fluoxetina tornaram-se mania e são ingeridos de forma desregrada, em excesso. Sempre surge alguém querendo nos oferecer um gole ou receitar uma pílula - como se aquela poção química encarnasse a promessa de felicidade, alívio imediato. A mania phármakon pegou - drogas à prêt-à-porter!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A tendência à drogadição inicia-se nas festinhas familiares, nos churrascos domingueiros, quando os pais associam virilidade com capacidade de ingerir bebidas alcoólicas. Chope e machismo ainda fazem sentido? O imaginário social ainda relaciona álcool com potência sexual.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ao analisarmos os fatores que vêem influenciando no aumento do índice de usuários de drogas - lícitas e ilícitas - não podemos ser hipócritas e não nos implicarmos na questão. Poucas famílias não fazem uso de alguma substância tóxica, algo que as ajude a suportar o real da vida. É do ser humano anestesiar o vazio que o atormenta, não querer decifrar o insuportável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em que mundo queremos viver? Foucault nos alertou sobre as formas de dominação – a ciência administrando corpos e mentes e afastando o que está além dos sintomas. Da cerveja à fluoxetina e à anfetamina, aceitamos os artifícios de controle e, num ato de cumplicidade, justificamos e naturalizamos a fuga. Confundimos sonhos com avanços tecnológicos. A versão moderna de felicidade é sintética e produzida em laboratórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso da ciência nos atropela com diferentes máscaras. Ética e fragilidade se embaralham e dificultam a recusa por propostas que não se intimidam em nos tratar como robôs. Interessa à tecnociência afastar o sujeito da vida autêntica – sentidos e sentimentos. Dessubstancializado, sua existência empobrece e perde o brilho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/s
